Um médico envolvido na ocorrência registrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro, em Novo Hamburgo, divulgou um manifesto público em que relata ter sido vítima de agressões durante a atuação de agentes de segurança no local. O documento, datado de 31 de março, foi compartilhado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) após o anúncio de medidas relacionadas à segurança nas unidades de saúde.

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No texto, o profissional afirma que o episódio ocorreu durante o exercício da função. Segundo ele, o conflito não envolveu pacientes e teve início após um pedido de apoio que não teria sido atendido por um agente de segurança.
“O incidente iniciou-se quando uma colega suspendeu legitimamente seus atendimentos após pedir a presença do Guarda e ter seu pedido de segurança negado”, relata. Ele acrescenta que o agente teria se recusado a prestar auxílio sob a justificativa de “horário de janta”. “Ao presenciar a situação, intervim.”
A partir disso, diz ter sido alvo de uma abordagem considerada “desproporcional e covarde por três agentes”. “Um deles, praticante de jiu-jitsu, aplicou-me uma imobilização letal: tive meu tórax e pescoço pressionados contra o solo”.
O manifesto também cita supostas lesões, como fraturas nas costelas e perda de sensibilidade em um dos dedos, além de danos a equipamento profissional.
“Omissão de socorro”
No conteúdo, direcionado a entidades como conselhos de medicina, órgãos jurídicos e parlamentares, o médico classifica o caso como um atentado às prerrogativas da profissão e menciona a possibilidade de responsabilização nas esferas criminal e administrativa. O profissional ainda afirma que houve omissão de socorro.
“Após ser algemado, fui impedido de receber atendimento na própria unidade e conduzido à delegacia. Lá, a Polícia Civil, a Guarda Municipal e a Brigada Militar negaram-se a me conduzir ao IML”, diz.
Ele também critica a condução do caso por parte de instituições públicas e menciona a ausência de pedido formal de desculpas por parte da Prefeitura e Guarda Municipal.
“A FSNH me transpotou para Porto Alegre após a liberação da delegacia, onde não fui preso, mas sim atendido por uma escrivã, enquanto o agressor era colocado como ‘vítima’. Registrei também ocorrência policial por desacato (visto que, além de médico, sou funcionário público e estava de plantão no momento do ocorrido), lesão corporal e tortura. […] A postura das autoridades locais agravou a situação”.
Profissional fala em “médicofobia”
De acordo com o médico, a Prefeitura usou as redes sociais para enaltecer os guardas.
“É uma aberração institucional […]. Isso é um salvo-conduto para a violência contra médicos. Tudo foi filmado. As imagens de um médico sendo asfixiado no chão de uma UPA são a prova final de que a segurança pública falhou e a ética profissional está sob ataque. Não descansarei até que a justiça seja feita não apenas por mim, mas por todos os médicos que enfrentam a ‘médicofobia’ diariamente nos plantões deste País.”
O Simers, que divulgou o manifesto, já havia se posicionado anteriormente pedindo a apuração da conduta dos agentes envolvidos. Após o caso, o sindicato também informou que a Prefeitura iniciou medidas como a abertura de sindicância, o afastamento de guardas das unidades de saúde e a adoção de ações voltadas à segurança e ao atendimento, como a previsão de contratação de vigilância privada, implantação de botão de pânico e ampliação do horário em unidades básicas.