A prisão de um médico durante o plantão na UPA Centro de Novo Hamburgo passou a ser acompanhada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul. Nesta sexta-feira (27), o presidente da entidade, Marcelo Matias, esteve na unidade, ouviu profissionais e criticou a atuação da Guarda Municipal no caso.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Segundo Matias, o ambiente ainda é de impacto entre os profissionais. “A realidade é que todos os funcionários estão muito impactados, porque foi certamente uma agressão totalmente inadequada, feita por um funcionário público que deveria estar ali para proteger as pessoas”, afirmou.
De acordo com o presidente, o sindicato busca compreender todos os detalhes do episódio, mas já aponta indícios de abuso na atuação da Guarda Municipal. “Certamente cometeu, além de uma violência, um abuso de autoridade, o que configura um crime, e nós vamos buscar as raias da justiça para tentar estabelecer a justiça nesse caso”, disse.
Críticas à abordagem e defesa do médico
O dirigente também relatou que conversou diretamente com o médico envolvido e com outra profissional que estava de plantão no momento da ocorrência. Conforme o sindicato, havia uma situação de equipe reduzida na unidade, o que teria contribuído para o ambiente de tensão.
Segundo ele, a confusão teria começado após um desentendimento com um guarda municipal, que, na avaliação do Simers, não estaria priorizando a segurança no local. “O guarda estava supostamente preocupado mais com a sua janta do que com a segurança dos profissionais e, quando foi chamado, isso parece ter gerado a dificuldade”, afirmou.
Ainda conforme o presidente do Simers, a ordem de prisão foi “totalmente inadequada” e resultou na restrição de liberdade de um profissional que estava em atendimento. “Outros membros da Guarda Municipal vieram para a unidade para fazer, literalmente, o cerceamento de liberdade de um médico que estava no atendimento e cuja reputação entre os pacientes e os colegas é irretocável”, declarou.

Foto: Simers/Divulgação
Matias também informou que irá prestar suporte jurídico ao médico e acompanhar o caso até as últimas instâncias. “Nós estamos defendendo não apenas os médicos, mas a segurança de todos os trabalhadores e da população. O que aconteceu ontem foi inaceitável”, reforçou.
Próximos passos
Após a visita à UPA, representantes do sindicato informaram que buscariam diálogo com a Prefeitura, a Fundação de Saúde e a própria Guarda Municipal. O caso agora deve avançar também na esfera judicial. “O nosso setor jurídico vai preparar todas as ações necessárias para defender esse profissional e todos os profissionais da unidade”, afirmou.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Por fim, o presidente do Simers ainda defendeu o afastamento do agente envolvido. “Esse guarda que fez isso não pode e não tem capacidade de continuar exercendo essa função.”
“Situação caótica e desnecessária”
O caso também gerou reação do Sindicato dos Médicos de Novo Hamburgo. O presidente da entidade, Kleber Fisch, criticou a atuação da Guarda Municipal e classificou a situação como grave.
“Estamos extremamente horrorizados pelos atos perpetrados pela guarda municipal de NH , que deveria tranquilizar os ânimos dos pacientes na sala de espera, e ao ser acionada, pediu reforços e ainda criou toda uma situação caótica e desnecessária, culminando com a condução de um médico à delegacia.”
Fisch também relacionou o episódio ao que considera um ambiente de desgaste enfrentado pelos profissionais da saúde no município. “Não é de hoje que a classe política de Novo Hamburgo vem acirrando o ânimo da população, como se os médicos fossem os algozes de todos problemas da saúde pública.”
Segundo ele, a situação compromete ainda mais um sistema já fragilizado. “Não recebemos apoio para as sugestões, no sentido de melhorar o serviço com protocolos de atendimento. Tal degradação só compromete uma saúde pública já desgastada pela falta de investimentos. Tomaremos todas as medidas necessárias para reparação do acontecido.
O dirigente ainda classificou o episódio como incompatível com o ambiente de atendimento em saúde. “É degradante assistirmos tal barbárie num local de cura e acolhimento.”