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SAÚDE PÚBLICA

Médicos que atuam em Novo Hamburgo alegam atraso no pagamento do salário e cobram respostas

Fundação de Saúde Pública contesta declaração e afirma que "não há notas vencidas neste momento"; empresa contratada pela instituição também se manifesta

Publicado em: 11/03/2025 às 17h:07 Última atualização: 12/03/2025 às 09h:25
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Após terem o pagamento do salário atrasado pela Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), médicos da rede municipal solicitaram uma intervenção do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) para pedir que assegure o pagamento dos valores devidos, além de exigir da empresa maior transparência na comunicação.

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Caso foi na emergência | abc+



Caso foi na emergência

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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Em nota enviada ao sindicato, os profissionais citam a empresa terceirizada Elo Saúde, contratada pela Fundação de Saúde em dezembro para prestar serviços e responsável pelo pagamento das parcelas, ao relatarem que desde dezembro de 2024 estão exercendo suas atividades na cidade, e que desde o início, “não receberam qualquer pagamento e tampouco tiveram previsão para tanto”.

Questionada, a terceirizada esclarece que os serviços prestados pelos médicos em dezembro foram integralmente quitados, mas salienta que possui valores a receber da FSNH – por consequência, a pagar – referentes à competência de janeiro de 2025. “A Elo recebeu os serviços prestados à FSNH na competência de dezembro apenas em fevereiro, e então, quitou os serviços dos profissionais imediatamente, não restando saldo com nenhum médico”, garante o diretor da empresa, Rafael Carvalho.

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No entanto, referente ao salário de janeiro, a empresa afirma que “sem a quitação por parte da FSNH, não é possível arcar com os custos dos prestadores, sendo que os serviços prestados em janeiro de 2025 venceram em 28 de fevereiro de 2025, portanto, ressaltamos serem apenas dez dias corridos de atraso, delonga esta causada subsidiariamente pela Fundação de Saúde”, considera Carvalho.

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Falta de prazo também é motivo de preocupação

No documento enviado ao Simers, os profissionais ainda ressaltaram que não foram fornecidas respostas concretas, muito menos esclarecimentos nos grupos de WhatsApp utilizados para a organização dos plantões. “Outro ponto de grande preocupação é a ausência de transparência quanto à remuneração. Não temos acesso às informações sobre os valores pagos por serviço prestado, o que nos impede de saber com exatidão o montante que nos é devido. A Elo, que atua em diversas cidades e estados, alega não dispor de recursos para efetuar os pagamentos, apesar de ser uma empresa com alto capital investido”, diz a solicitação.

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Além disso, os profissionais alegam que não receberam nenhum tipo de retorno da empresa Elo e da FSNH sobre a data de pagamento. “Os médicos optaram, então, por cessar o trabalho na cidade, o que, ao meu ponto de vista, é ruim para o município. A gente cumpriu os nossos horários, fizemos o que estava lá descrito e infelizmente está faltando responsabilidade por parte da empresa Elo e também da Fundação de Saúde de Novo Hamburgo”, completa um profissional da saúde da cidade que preferiu não se identificar. Segundo ele, cerca de 16 médicos que trabalham em plantões no Hospital Geral, UPA Canudos e UPA Centro estão sem o pagamento referente aos serviços prestados em janeiro.

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Em contraponto, a empresa garante que estabelece contato e mantém diariamente com a FSNH a iniciativa de regularizar o escopo de pagamento da fundação junto aos prestadores de serviço e que “os profissionais são atualizados a respeito do andamento deste processo, ao menos, a cada dois dias, em grupo no WhatsApp que conta com a maioria dos profissionais – ou aqueles que aceitaram juntar-se ao grupo”. “Neste mesmo canal de comunicação já foi esclarecida, por repetidas vezes, a atual situação financeira da Fundação de Saúde, porquanto os profissionais são elucidados a respeito.”

Sobre o atraso nos salários, a FSNH argumenta simplesmente que “não há notas vencidas neste momento”.

Busca por respostas

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Novo Hamburgo (Sindmed), Kleber Fisch, uma notificação à Prefeitura já está sendo trabalhada pelo Simers. “Nós já vamos encaminhar para a Prefeitura [a notificação] para cobrá-los, para que a Prefeitura cobre a empresa. A gente já está movimentando a parte de contatos para ver se a gente agiliza uma solução para isso sem ser via judicial”, afirma o médico.

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Ausência de médicos é relatada por moradora

Entre os relatos que chegaram à reportagem, a moradora de Ivoti, que tem familiares no bairro Liberdade, Sabrina Korndorfer, 45 anos, contou que buscou atendimento para um amigo no Hospital Municipal na quinta-feira (6), após ele ter caído de um telhado. “Eu saí de Ivoti para levar ele ao hospital às 11 horas da manhã de quinta-feira. Ficamos o dia todo esperando o médico. Eu e minha mãe ficamos intercalando para acompanhar ele lá. O hospital estava lotado e nenhum médico apareceu para atendê-lo”, lembra.

Sabrina relata que o amigo recebeu duas injeções para dor e foi encaminhado para uma tomografia. No entanto, foram orientados a aguardar a chegada do médico para avaliá-lo. “O enfermeiro nos disse que precisávamos esperar o médico. Ele estava sem comer, sem tomar água, e o médico não aparecia. Na troca de turno, uma enfermeira nos chamou e disse que ia nos liberar, que o médico havia dado alta. E eu disse: ‘como assim o médico deu alta se estamos esperando o dia todo aqui para ele aparecer e ele nem avaliou o paciente?'”, conta a moradora.

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Ela e o amigo que buscou atendimento ficaram até as 19 horas aguardando, até que ele recebesse um documento de alta entregue por uma técnica de enfermagem e impresso por um médico, que teria assinado o documento. “No mínimo, um médico teria que ter vindo, porque o meu amigo entrou e saiu do hospital com a mesma dor. As injeções que ele tomou não fizeram efeito nenhum, e desde quinta-feira ele está dormindo numa cadeira, porque ele não pode se deitar na cama de tanta dor que tem”, afirma Sabrina.

Contraponto

Em relação ao episódio relatado pela moradora de Ivoti, a FSNH ressalta que “em nenhum momento deixou-se de realizar atendimento médico aos pacientes, bem como não houve liberação de nenhum paciente sem passar por atendimento”. “A decisão de aguardar pelo atendimento é de cada paciente e, no caso de desistir da consulta, a alta é dada por evasão”, informa.

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A instituição ainda afirma que não procede a informação de que médicos estão com serviços paralisados. Quanto à lotação, “assim como registrado nos hospitais de toda a região, houve aumento no número dos atendimentos após a volta às aulas e o final do carnaval, o que ocasionou maior movimentação na emergência e nas unidades de pronto atendimento”, afirma a FSNH.

A empresa Elo Saúde também afirmou que não há serviço interrompido. “Todas as linhas de atendimento médico seguem integralmente disponibilizadas à FSNH e por conseguinte à população de Novo Hamburgo”, esclarece o diretor da empresa.

Confira a manifestação, na íntegra, da Elo Saúde:

Prezados,

Esclarecemos, em primeiro lugar, que os serviços prestados à Elo Saúde na competência de dezembro foram integralmente quitados. Não há sobras ou prestadores com restos a receber.

No momento não há nenhum serviço interrompido. Todas as linhas de atendimento médico seguem integralmente disponibilizadas à FSNH e por conseguinte à população de Novo Hamburgo.

A empresa possui valores a receber – por consequência, a pagar – referentes à competência de janeiro de 2025. Sem a quitação por parte da FSNH não é possível arcar com os custos dos prestadores, sendo que os serviços prestados em janeiro de 2025 venceram em 28 de fevereiro de 2025, portanto, ressaltamos serem apenas dez dias corridos de atraso, delonga esta causada subsidiariamente pela Fundação de Saúde.

Estabelecemos contato e o mantemos diariamente com a FSNH na iniciativa de regularizar todo o escopo de pagamentos da Fundação junto aos prestadores de serviços. Neste ínterim, os profissionais são atualizados a respeito do andamento deste processo, ao menos, a cada dois dias, em grupo no WhatsApp que conta com a maioria dos profissionais – ou aqueles que aceitaram juntar-se ao grupo -. Neste mesmo canal de comunicação já foi esclarecida, por repetidas vezes, a atual situação financeira da Fundação de Saúde, porquanto os profissionais são elucidados a respeito.

O próprio jornal, através de seu Canal ABC+, publicou matéria a respeito do tema, que contou com manifestação da Elo Saúde.

A regularização deste problema está a cargo da FSNH. Igualmente à declaração anterior, acreditamos que a Fundação detém condições financeiras e técnicas para que os responsáveis pela pasta corrijam o curso dos pagamentos, e esperamos que isto seja feito, uma vez que a Fundação gerencia serviços essenciais à população Novo-Hamburguense e à toda a sua microrregião.
Havendo a quitação da FSNH junto aos prestadores, todos os profissionais serão imediatamente pagos.

Permanecemos à disposição para esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários.

Rafael Carvalho, Diretor da Elo Saúde

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