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Sustentabilidade

Novo Hamburgo inicia testes com ônibus movido a biometano e aposta em alternativa ao diesel no transporte coletivo

Veículo circula por linhas urbanas e marca experiência pioneira no RS com combustível produzido a partir de resíduos orgânicos

Dário Gonçalves
Publicado em: 20/05/2026 às 17h:11 Última atualização: 20/05/2026 às 17h:11
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Novo Hamburgo passa a testar, a partir desta quinta-feira (21), um micro-ônibus movido a biometano no transporte coletivo urbano. O veículo vai circular por um período inicial de dez dias em diferentes linhas da cidade, em uma iniciativa que coloca o município como o primeiro do Rio Grande do Sul a avaliar esse tipo de tecnologia aplicada ao transporte de passageiros.

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Veículo é pioneiro no uso de biometano no Rio Grande do Sul | abc+



Veículo é pioneiro no uso de biometano no Rio Grande do Sul

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O ônibus chegou à sede da Viação Santa Clara (Visac), operadora do sistema, na tarde de quarta-feira (20), e integra uma parceria entre a empresa, a Agrale e a Ultragaz. O modelo, fabricado pela Agrale, de Caxias do Sul, com carroceria Volare, é apresentado como 100% gaúcho.

O teste busca avaliar, em condições reais de operação, o desempenho de um veículo abastecido com biometano — combustível renovável obtido a partir da decomposição de resíduos orgânicos.

O gás utilizado nesta fase inicial é produzido no aterro sanitário de Minas do Leão, que recebe resíduos de diversos municípios, incluindo Novo Hamburgo. “O biometano desta fase de testes vem da usina de Minas do Leão, uma vez que o licenciamento da usina de São Leopoldo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP ainda não está homologado”, informa a Visac.



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Descarte como matéria-prima

Embora o biometano esteja associado ao aproveitamento de resíduos urbanos, o combustível não é exclusivo de uma única cidade, já que o aterro recebe material de diferentes origens, que se mistura na geração do gás.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Anderson Bertotti, o projeto representa um passo dentro de uma estratégia mais ampla de descarbonização do transporte coletivo. “Esse é o primeiro passo para que possamos contar, no futuro, com uma frota que não necessite de combustíveis fósseis para funcionar. É Novo Hamburgo cuidando da nossa gente e da natureza”, afirmou.

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Bertotti destaca que a iniciativa busca transformar resíduos em energia e integrar sustentabilidade à mobilidade urbana. “A ideia é unir a qualidade do transporte público à sustentabilidade ambiental. Hoje, o município gera entre 180 e 200 toneladas por dia de resíduos, e a própria empresa que recebe esse lixo também é responsável pela produção de biometano. Ou seja, o que antes era apenas descarte passa a ser matéria-prima para um novo uso energético”, disse.

Micro-ônibus será abastecido na garagem da Visac, com combustível vindo de Minas do Leão | abc+



Micro-ônibus será abastecido na garagem da Visac, com combustível vindo de Minas do Leão

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O secretário acrescenta que o objetivo é avançar na redução de emissões e no aproveitamento de resíduos. “Com isso, o objetivo é transformar um passivo ambiental em solução, avançando no processo de descarbonização e contribuindo para a melhoria da qualidade do ar.”

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Testes operacionais e avaliação técnica

Durante o período de testes, o micro-ônibus circulará em diferentes linhas e itinerários do município. Serão avaliados aspectos como consumo de combustível, autonomia, custo operacional, desempenho em aclives, capacidade de aceleração e conforto dos passageiros. Os dados coletados irão embasar um estudo técnico sobre a viabilidade econômica e operacional da tecnologia no transporte coletivo de Novo Hamburgo.

De acordo com o prefeito Gustavo Finck, uma análise será conduzida pelo Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados, que deve orientar eventuais decisões sobre adoção gradual do sistema. “Ao fim do período de testes será elaborado um estudo técnico com base na operação, que servirá de referência para possíveis decisões sobre a adoção da tecnologia em escala maior.

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Pioneirismo e avaliação da concessionária

A operação também é tratada como inédita no transporte de passageiros no Estado. Para a Visac, o projeto representa uma etapa de avaliação de alternativas ao diesel. “O biometano surge como uma solução promissora para cidades que buscam modernizar o transporte público, reduzir impactos ambientais e transformar resíduos em desenvolvimento sustentável”, afirmou o diretor da empresa, Rodrigo Corleto Hoelzl.

Ele destaca que a iniciativa busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e seus impactos. “É buscar nos resíduos domésticos gerados pela cidade uma alternativa ao diesel, combustível fóssil que pode sofrer escassez. Além disso, reduz significativamente os impactos ambientais”, disse.

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Como ainda não há rede de distribuição encanada de biometano, o sistema funciona de forma modular. A estrutura instalada simula condições de uma estação fixa, adequada para a fase de testes.

“A volatilidade do preço do diesel e a dependência do mercado internacional têm impactado os custos operacionais do sistema. Nesse contexto, o biometano aparece como alternativa para ampliar a previsibilidade de gastos e reduzir a exposição às variações do combustível fóssil”, destaca Hoelzl.

O prefeito Gustavo Finck afirma que o teste integra uma estratégia mais ampla de modernização do transporte público, que também inclui estudos sobre ônibus elétricos e movidos a hidrogênio verde. “A proposta está inserida no objetivo de avançar na descarbonização da frota e, ao mesmo tempo, buscar alternativas que possam contribuir para a redução do custo da passagem e a melhoria do serviço prestado à população.”

Micro-ônibus será abastecido na garagem da Visac, com combustível vindo de Minas do Leão | abc+



Micro-ônibus será abastecido na garagem da Visac, com combustível vindo de Minas do Leão

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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