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Arte

Obras de Carlão passam por restauração e avançam na formação de futuro museu em Hamburgo Velho

Acervo do artista hamburguense está sendo organizado e tratado para integrar espaço cultural que começa a ganhar forma na Casa Dalilla Sperb

Dário Gonçalves
Publicado em: 26/06/2026 às 16h:19 Última atualização: 26/06/2026 às 16h:55
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As obras do artista hamburguense Carlos Alberto Oliveira, o Carlão, passaram por um trabalho de restauração e conservação que marca uma nova etapa na organização do acervo destinado ao futuro museu dedicado ao artista em Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo. O serviço envolveu limpeza, recuperação de peças e tratamento técnico das telas, em um movimento que foi além da preservação: buscou estruturar um conjunto artístico que estava disperso em diferentes espaços do Município.

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Carlão é um dos maiores nomes artístico de Novo Hamburgo | abc+



Carlão é um dos maiores nomes artístico de Novo Hamburgo

Foto: Divlugação

O processo de restauro — realizado pela empresa Floresta Restauro, responsável também pela recuperação do Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, e do acervo do Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre — foi conduzido a partir de uma seleção de obras que integram o acervo municipal e materiais que estavam sob guarda de diferentes setores da administração.

A centralização das peças é parte do esforço para consolidar o conjunto artístico de Carlão, garantindo melhores condições de conservação e preparando o material para exposição pública. Segundo a restauradora Cristina Ferrony, o desgaste natural provocado pelo tempo exige cuidado técnico e sensibilidade durante todo o processo. “O objetivo é preservar as obras da forma mais fiel possível, mantendo texturas, tonalidades e características que fazem parte da identidade artística de Carlão.””

Mais do que uma ação pontual, o trabalho revela uma etapa de organização mais ampla em torno da memória do artista. Conhecido por suas cores intensas e traços ligados à arte naïf, Carlão tem seu acervo reunido gradualmente desde a criação do memorial em sua homenagem, em 2016, que ao longo dos anos serviu como base para ações educativas e exposições.

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Museu deve inaugurar em 2026

A organização do acervo ocorre paralelamente à criação de uma estrutura permanente para abrigar a obra do artista. O Museu de Arte Carlos Alberto de Oliveira, o Museu Carlão, está sendo projetado para funcionar, a partir de novembro, na Casa de Cultura Dalilla Sperb, em Hamburgo Velho, região já reconhecida como polo cultural e histórico de Novo Hamburgo.

A proposta do espaço é reunir, preservar e expor de forma contínua o conjunto artístico do pintor, fortalecendo o circuito cultural do bairro, que já abriga outros equipamentos voltados à arte e à memória hamburguense.

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A iniciativa também reforça o movimento de valorização do território de Hamburgo Velho como área de referência em patrimônio e economia criativa, onde diferentes projetos culturais vêm se somando nos últimos anos.

Secretário de Cultura, Angelo Reinheimer, acompanha o restauro das obras | abc+



Secretário de Cultura, Angelo Reinheimer, acompanha o restauro das obras

Foto: Ramon Belmonte/PMNH

Enquanto o museu ainda passa por fase de estruturação, o acervo de Carlão segue em preparação, num trabalho que une conservação técnica e organização curatorial. O resultado desse processo deverá ser a base do espaço dedicado ao artista, previsto para consolidar sua trajetória dentro do circuito cultural de Novo Hamburgo.

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“Ele se sentiria honrado”

A criação do museu também representa um passo além do que a própria família imaginava para a preservação da obra do artista. Filho de Carlão, Ezequiel de Oliveira conta que a intenção inicial era compartilhar os desenhos e pinturas do pai com a comunidade por meio do memorial criado após sua morte, sem a perspectiva de um espaço museológico dedicado exclusivamente ao artista.

“Não esperávamos que saísse um museu, nunca foi nossa intenção. Depois que a escola de artes passou a se chamar Escola de Artes Carlos Alberto de Oliveira, a ideia sempre foi compartilhar as obras e os desenhos dele com a comunidade. Foi criado um memorial, mas, com a nova administração da prefeitura, veio esta proposta do museu. Gostamos muito e ficamos muito felizes”, relata.

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Segundo ele, a iniciativa ganha um significado especial por manter viva a memória de um artista profundamente ligado à cidade onde nasceu, cresceu e construiu sua trajetória. “Meu pai foi morador de Novo Hamburgo, nascido e criado aqui, onde retratou o cotidiano da cidade. Gostaria muito que ele pudesse ver isto. Ele iria se sentir honrado e orgulhoso. A gente não tem a dimensão do que ele criou, mas toda a arte dele foi de coração; ele desenhava e pintava com muito amor.”

Ezequiel também destaca o simbolismo do espaço que está sendo estruturado em Hamburgo Velho. “Ficamos sabendo que será o primeiro museu de um artista negro no Rio Grande do Sul. Acho que isso mostra a grandeza do seu trabalho e ele ficaria muito orgulhoso. Esperamos concluir esta etapa.”

Comunidade é convidada a contribuir com o acervo

A construção do Museu Carlão não se limita à restauração das obras do artista. A secretaria municipal de Cultura e Turismo também lançou uma campanha para reunir fotografias, documentos, cartas, vídeos, reportagens e outros materiais que ajudem a contar a trajetória de Carlos Alberto Oliveira e sua relação com Novo Hamburgo.

A proposta é ampliar o acervo documental do futuro museu e preservar não apenas a produção artística, mas também as histórias de pessoas que conviveram com Carlão, colecionadores, ex-alunos, amigos e moradores que acompanharam sua trajetória ao longo das décadas. Todo o material recebido passará por avaliação técnica e poderá integrar exposições, pesquisas e ações educativas desenvolvidas pelo espaço.

Segundo o secretário de Cultura, Angelo Reinheimer, o objetivo é construir um museu que reflita não apenas a obra do artista, mas também a memória afetiva que ele deixou na cidade. “Queremos que a comunidade participe da construção desse legado. Muitas pessoas guardam fotografias, convites de exposições, reportagens ou lembranças que ajudam a contar a história de Carlão. O museu também será formado por essas memórias.”



Quem tiver materiais relacionados ao artista poderá entrar em contato com a secretaria de Cultura para que os itens sejam avaliados e, se houver interesse das partes, incorporados ao acervo ou digitalizados para preservação.

“O Carlão vendeu muitas obras, não temos nem ideia de quantas nem para quem, mas há muitas espalhadas por aí. Então a ideia é que a gente consiga fazer com que a comunidade nos conte a história dele por esse outro olhar. As suas vivências, porquê adquiriram suas obras, enfim”, acrescenta a diretora administrativa da Secretaria de Cultura, Amanda Becker.

Quem foi Carlão

Nascido em 1951, Carlão iniciou sua trajetória artística na Escola de Belas Artes de Novo Hamburgo, aos 17 anos. Em 1974, fez sua primeira exposição e, no mesmo anos, venceu dois concursos locais.

Desde então, passou a figurar entre os nomes mais importantes das artes visuais de Novo Hamburgo e tornou-se referência nacional como expoente da arte brasileira, da arte popular, caracterizada pela produção autodidata, espontânea, informal e poética. Sua arte contagia pela cor e as histórias do cotidiano.

Carlão é um dos maiores nomes artístico de Novo Hamburgo | abc+



Carlão é um dos maiores nomes artístico de Novo Hamburgo

Foto: Divlugação

Membro participativo do movimento Casa Velha nos anos 1970, consolidou-se como um dos maiores artistas populares da história hamburguense, com obras que integram o acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). “O projeto de instalação do museu neste espaço cultural reforça o papel de Hamburgo Velho como território criativo”, destaca Reinheimer.

Reinheimer destaca que, em um curto perímetro, dentro do Centro Histórico, existirão quatro museus de perfis distintos: o Museu Nacional do Calçado, o Museu Comunitário Casa Schmitt-Presser, o Museu de Arte Scheffel e, agora, o Museu Carlos Alberto de Oliveira. “Essa concentração cria um corredor cultural singular. A localização é estratégica e fortalece um verdadeiro centro de arte, memória e identidade, ampliando o potencial turístico do Município”, afirmou.

Carlão faleceu em agosto de 2013, aos 62 anos.

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