A patrona da Feira do Livro de Novo Hamburgo participa de bate-papo neste domingo (30), data de encerramento do evento. Professora de São Leopoldo, Eloísa Moura da Silva estará no palco às 10h dividindo experiências e conhecimento com o público.
Com mais de 30 anos de experiência, Eloísa possui graduação em Letras – Português e Literatura Brasileira (Unisinos, 1988), mestrado em Educação (Unisinos, 2002) e doutorado em Letras (PUCRS, 2006). Além disso, já participou de duas antologias: Paz e Diversidade Étnico-Racial: Histórias, Culturas e Experiências, ambos pela Academia Literária do Vale do Rio dos Sinos.
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Para a profissional, o convite, feito pelas secretarias de Cultura e de Educação, tem um papel cultural de incentivo à representatividade. “É uma distinção, uma honraria, e é muito importante como mulher negra, também integrante da academia, dar visibilidade à diversidade que nós temos na nossa sociedade.”
Eloísa destaca ainda o papel transformador que a literatura tem na vida dos leitores. “Ela abre horizontes, te mostra outras possibilidades de ver o mundo, de sonhar e viajar através dos livros, ver outras culturas, outras formas de pensar…”, afirma.
Carreira
Segundo Eloísa, o interesse pela literatura é uma herança familiar. “Isso começou muito cedo, lá pelos meus primeiros anos de estudo. Sempre fui muito frequentadora de biblioteca, primeiro pela minha mãe, que também era uma leitora contumaz, e pelo meu avô materno, que eu também via lendo muito.”
A voracidade pela leitura chamou a atenção dos professores, gerando a primeira inspiração pela escolha de carreira. “Quando eu fiz dez anos, a minha professora da quinta série chamou a minha mãe, que me disse ‘olha, se for uma queixa, tu vai ver na volta’”, lembra, aos risos.
“E a professora disse que era para eu me matricular em uma faculdade de Letras. Eu achei estranho, porque eu era pequena ainda, mas foi realmente o que aconteceu. Fiz Magistério e depois fui para a universidade”, continua.
Racismo
Devido à cor de sua pele, Eloísa viveu experiências que demonstram a importância do combate ao preconceito. “Como professora eu não lembro de nenhum episódio, mas como aluna eu lembro, no Fundamental. Uma menina falou ‘teu cabelo tá tão bonito, o que tu faz?’, e eu expliquei ‘ah, a minha mãe passa um creme em mim e faz o penteado’ (eu usava trancinhas). E ela falou ‘eu sabia, isso é bem coisa de nego'”, lembra.
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Anos depois, como estudante da graduação, a profissional viu o racismo se repetir, porém, de forma velada. “Teve um professor que se recusou a orientar meu trabalho de conclusão por se tratar de um autor negro. Disse ‘eu não trabalho com esse tipo de autor’. Eu fiquei um pouco chocada e fui procurar outra professora, que me recebeu de braços abertos”, continua.
Para a profissional, a literatura negra, escrita por autores como Jéferson Tenório e Carolina Maria de Jesus é uma ferramenta de conscientização, para que situações como essa possam se tornar cada vez menos comuns.
“Dá visibilidade a essas autoras e autores e mostra a realidade do povo negro, a sua história, suas tradições, sua cultura, sua forma de de viver e sua importância na construção de uma sociedade”, completa.