abc+

EDUCAÇÃO CONSCIENTIZADORA

Projeto Escolas Sementeiras é ampliado para toda a rede municipal de Novo Hamburgo

Iniciativa consiste em formações de professores para que se consiga conscientizar desde cedo

Publicado em: 09/03/2026 às 07h:00 Última atualização: 08/03/2026 às 20h:22
Publicidade

Com solenidade no auditório da OAB/RS – Subseção Novo Hamburgo, o Projeto Escolas Sementeiras foi ampliado para toda a rede municipal de educação a partir desta sexta-feira (6). O encontro também deu início ao convênio da entidade com o projeto, que passa a ter formações realizadas no local.

Publicidade



Publicidade

Criado em 2024, o projeto começou com a participação de 27 escolas, reunindo Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) e Escolas Municipais de Educação Básica (EMEBs) para uma troca de experiências sobre a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).

A iniciativa busca fomentar o conhecimento sobre história e cultura afro-brasileira e indígena, além de incentivar ações focadas no respeito à diversidade e promoção da proteção das mulheres e da igualdade social.

De acordo com a assessora pedagógica e coordenadora das Escolas Sementeiras, Fernanda Oliveira, a partir desta nova etapa, a proposta passa a envolver toda a rede com encontros mensais presenciais e virtuais, visitas aos territórios, construção de acervos pedagógicos e integração das temáticas da ERER desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Publicidade

Veja também: Brasileira diz ter sofrido xenofobia em aeroporto na Alemanha: “Volta para o seu lugar”

Outra novidade é a criação do Clube do Livro Sementeiras, iniciativa que convida os professores à leitura de uma obra previamente selecionada, com posterior discussão durante as reuniões mensais.

Publicidade

Plantando a semente da empatia

A iniciativa promove a aproximação das escolas com temas fundamentais para a formação cidadã e busca fortalecer o conhecimento sobre história e cultura afro-brasileira e indígena, além de incentivar ações voltadas à proteção das mulheres e à promoção da igualdade social.

“Só no ano passado tivemos mais de cem horas de formação nessa temática de educação antidiscriminatória, da educação com as relações étnicas e raciais. Aqui nós temos os representantes das sementeiras nas escolas, que replicam lá o que eles aprendem aqui”, descreve.

“A gente tem capacitações mensais para que os professores possam conhecer a temática da educação para as relações raciais, porque muitos não tiveram a oportunidade de aprender na escola. E agora as crianças vão ter”, continua.

Publicidade

Para o secretário de Educação do município, André Luis da Silva, as Escolas Sementeiras tem o potencial de gerar um futuro mais acolhedor para todos. “Temos o trabalho de quebrar ciclos. Aquilo que o pai e a mãe faziam que estava errado, a gente tenta mudar com os filhos. Os professores são uma peça fundamental e têm o conhecimento técnico para abordar essas questões.”

ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Publicidade

A presidente da OAB Novo Hamburgo, Juliana Cristina Martins da Silva, comenta o papel da entidade em ações como essa. “Essa parceria nasce justamente da responsabilidade social que a OAB tem para com a comunidade. Os professores são agentes de transformação, capazes de moldar mentes e corações.”

A presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB e do Conselho Municipal de Igualdade Racial, Magali da Silva mencionou o papel do projeto não apenas na conscientização, mas também na vida de pessoas negras. “Eu ouço das próprias vítimas quando elas chegam para me contar uma situação. ‘Será que foi mesmo? Será que foi isso o que a pessoa quis dizer?’. Então é uma batalha muito grande, mas a gente entende que a educação é um passo fundamental. Porque a gente trabalha na parte da repressão ‘racismo é crime’.”

Publicidade

O resultado na prática

Na Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Presidente Getúlio Vargas, o projeto Escolas Sementeiras já faz parte da realidade desde 2024. A professora Angel da Silva, representante da escola há um ano, relata como tem sido a experiência.

“Temos os encontros mensais e a partir deles eu tenho um novo encontro com a equipe diretiva, onde a gente articula para onde iremos dentro dos planejamentos coletivos também da escola”, diz.

“Nossa caminhada ainda é bem recente, mas já tem atividades que são realizadas. Temos também 12 alunos sementeiros que articulam o que eles percebem no dia a dia e fazem projetos também”, continua.

Dentre esses alunos está Érika da Silva, do 9º ano, que desenvolveu uma pesquisa sobre religiões como a umbanda e a intolerância religiosa. “Pelo Escolas Sementeiras eu aprendi o que é racismo e como ele funciona, e decidi organizar a pesquisa porque percebi que os alunos não entendiam o que era a Umbanda, tinha um preconceito”, conta.

“Então trouxe esse trabalho junto com uma colega para mostrar o que é e as pessoas entenderem que é uma religião como qualquer outra e temos que respeitar. Depois, até surgiram colegas que conseguiram contar que são da Umbanda”, completa.

Maria Helena Hanauer, de 9 anos e estudante do 4º ano, aprendeu sobre o respeito a partir do plantio de girassóis na escola. “A gente aprende que não pode arrancar porque é falta de respeito com a planta. E assim a gente faz o respeito florescer por toda a escola.”

Publicidade