Mesmo diante de um início difícil no Campeonato Gaúcho de 2026, o Esporte Clube Novo Hamburgo não caminha sozinho. Dentro e fora do Estádio do Vale, a torcida tem transformado as arquibancadas em espaço de apoio, memória e resistência. Em Ijuí, na derrota por 1 a 0 para o São Luiz, na quarta-feira (21), a presença anilada levou mais do que incentivo: levou significado.

Foto: Wilber Dorneles/ECNH
Um dos símbolos desse apoio foi a faixa com a frase “Sempre contigo estaremos”, verso do hino do clube, exibida junto à imagem de Thomas Campagnoni, torcedor do Novo Hamburgo que faleceu em 2025, aos 29 anos, vítima de câncer. Figura conhecida nas arquibancadas e em viagens pelo Estado, Thomas tornou-se referência da ligação afetiva entre torcida e clube — laço que segue presente mesmo após sua partida.
Pai de Thomas, Volnei Campagnoni acompanhou a equipe em Ijuí, assim como em todos os jogos, e falou sobre o significado do Novo Hamburgo para a família, em entrevista à Rádio ABC 103.3 FM, durante o intervalo da partida. Para ele, cada jogo carrega um peso especial.
“Uma vitória do Novo Hamburgo, para mim, seria um presente muito grande, em homenagem ao meu filho. Ele era um torcedor ferrenho do Noia, e nós seguimos acompanhando o time esperando esse presente para ele”, afirmou.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
A direção do Novo Hamburgo também destaca o papel da torcida anilada em um momento de cobrança e necessidade de reação na competição. Para o diretor de futebol, Luís Fernando Hannecker, o apoio vindo das arquibancadas segue como um dos principais combustíveis do clube.
“O torcedor anilado sempre será a nossa maior motivação. No Acesso, eles foram essenciais, tanto nos jogos em casa quanto fora. Temos certeza de que haverá presença do torcedor em Santa Cruz do Sul e queremos buscar um bom resultado para chegar à última rodada, contra o Guarany, no Estádio do Vale, sabendo que o torcedor estará presente e nos apoiará do início ao fim”, afirmou.
Parte da família
Segundo Volnei, o clube fazia parte da rotina e da identidade do filho, mesmo durante o período mais difícil da doença. Em 2025, pai e filho acompanharam juntos a campanha do Novo Hamburgo na Divisão de Acesso, viajando por diferentes cidades do Rio Grande do Sul.
“O Novo Hamburgo era a nossa família. Era tudo para ele. Mesmo doente, com dor, ele fazia questão de não demonstrar. Dizia que queria se mostrar bem, para que outras pessoas que estivessem enfrentando a mesma luta tivessem coragem de seguir”, relatou.
A postura de Thomas, conforme o pai, era guiada por um propósito que ia além do futebol. “Ele dizia que, se pudesse fazer alguém acreditar e levar isso adiante, poderia partir em paz”, completou.
Restando duas rodadas para o fim da primeira fase do Campeonato Gaúcho de 2026, o Novo Hamburgo entra em campo neste sábado (24), às 18 horas, contra o Avenida, em Santa Cruz do Sul. Sem vencer até aqui — com dois empates e duas derrotas em quatro jogos —, o Anilado precisa somar pontos, e principalmente vitórias, para manter chances de classificação às quartas de final e se afastar do risco de disputar o quadrangular do rebaixamento.
O que acontecerá em campo só será conhecido após o apito final. Nas arquibancadas, porém, existe uma certeza: a família e a memória de Thomas, assim como a torcida anilada, estarão lá. “O significado de acompanhar o Novo Hamburgo neste ano será eterno, pois o meu filho era fanático demais pelo Nóia e construiu uma história muito bonita enquanto esteve aqui nesse plano. Mas, com certeza, ele estará sempre presente conosco nos jogos como tem sido até agora, pois sua energia continua”, finaliza o pai.