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FUTEBOL

Time do coração: pesquisa mostra que identificação é fator determinante na compra de camisas de clubes

Carlos Nauri está entre os torcedores que colecionam história ao acumular mais de 300 camisetas

Publicado em: 24/04/2026 às 08h:53 Última atualização: 24/04/2026 às 08h:54
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“Quando vou adquirindo, vou formando a história do time.” É o que comenta o garçom Carlos Nauri, de 42 anos. Morador do bairro Canudos, de Novo Hamburgo, ele coleciona camisetas de time há mais de 10 anos.

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Torcedor atualmente do Novo Hamburgo e do Internacional, ele lembra que o hábito começou por acaso. “Comecei comprando uma, depois outra e virou um vício. Já tive mais de mil camisetas, mas tive que vender porque meu trabalho ficou parado na época da pandemia. Algumas eu ganhei, outras eu comprei…”

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Apaixonado por futebol desde a infância, ele comenta que a identificação com o time e o ano da camiseta são os fatores que mais influenciam na hora de comprar camisetas de clubes esportivos, junto com o custo-benefício.

“Não tenho critério de marca, pego o que tiver, mas costumo escolher mais pelo ano da camisa. Até organizo elas no guarda-roupa das mais antigas para as mais novas, porque isso vai formando a história do time”, explica.

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“Para mim, futebol é vida. Quando eu era criança, sempre tinha uma bola para brincar, para jogar, e meu pai sempre me levava para assistir o jogo do Inter. Mas hoje em dia eu torço mais para o Novo Hamburgo”, continua.

Torcedores movidos pela paixão e pelo bolso

Carlos não está sozinho em sua forma de escolher as camisetas de time. Uma pesquisa de mestrado em Administração da Universidade Feevale identificou que identificação e custo-benefício são os fatores que mais interferem na decisão de compra desses itens.

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O trabalho iniciou no primeiro semestre de 2025 e ouviu mais de 300 torcedores da Dupla Gre-Nal.

De forma on-line, o estudo foi conduzido pelo professor Marcelo Curth, contemplando conceitos como identificação com o time, qualidade percebida, atitudes em relação a produtos falsificados, intenção de compra, normas sociais e percepção de exclusividade.

Conforme o levantamento, o não interesse por marcas tende a influenciar na baixa valorização percebida dos produtos oficiais por parte dos consumidores, o que pode favorecer o consumo de itens falsificados.

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“Quando o torcedor não percebe diferenciação clara, legitimidade ou valor adicional no produto original, a barreira simbólica contra a falsificação tende a diminuir. Nesse sentido, a decisão de consumo deixa de ser guiada pela autenticidade e passa a incorporar critérios como acessibilidade e custo-benefício”, afirma o professor.

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Segundo ele, a identidade do torcedor está ligada principalmente ao clube ou seleção, o que pode ajudar a explicar o consumo de produtos falsificados que, mesmo sem ser oficiais, cumprem a função de representar o vínculo com o time.

Além disso, para parte dos torcedores, o alto custo de produtos oficiais também costuma pesar na hora da compra, fazendo com que opções não-oficiais se tornem mais atrativas. A pesquisa possui também dados em nível nacional que serão divulgados em breve e, por continuidade, está sendo replicada em Portugal.

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Para os consumidores que preferem distinção, a marca importa

A pesquisa também identificou um outro perfil de consumidor: o de torcedores que valorizam autenticidade, distinção e legitimidade.

“Quando a identidade e a percepção de exclusividade se tornam mais salientes, a tendência de recorrer a produtos falsificados diminui”, pontua Curth. “Isso reforça o papel estratégico da exclusividade e da construção simbólica das marcas como mecanismos de proteção contra a falsificação”, continua.

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