“Quando vou adquirindo, vou formando a história do time.” É o que comenta o garçom Carlos Nauri, de 42 anos. Morador do bairro Canudos, de Novo Hamburgo, ele coleciona camisetas de time há mais de 10 anos.
Torcedor atualmente do Novo Hamburgo e do Internacional, ele lembra que o hábito começou por acaso. “Comecei comprando uma, depois outra e virou um vício. Já tive mais de mil camisetas, mas tive que vender porque meu trabalho ficou parado na época da pandemia. Algumas eu ganhei, outras eu comprei…”
Apaixonado por futebol desde a infância, ele comenta que a identificação com o time e o ano da camiseta são os fatores que mais influenciam na hora de comprar camisetas de clubes esportivos, junto com o custo-benefício.
“Não tenho critério de marca, pego o que tiver, mas costumo escolher mais pelo ano da camisa. Até organizo elas no guarda-roupa das mais antigas para as mais novas, porque isso vai formando a história do time”, explica.
“Para mim, futebol é vida. Quando eu era criança, sempre tinha uma bola para brincar, para jogar, e meu pai sempre me levava para assistir o jogo do Inter. Mas hoje em dia eu torço mais para o Novo Hamburgo”, continua.
Torcedores movidos pela paixão e pelo bolso
Carlos não está sozinho em sua forma de escolher as camisetas de time. Uma pesquisa de mestrado em Administração da Universidade Feevale identificou que identificação e custo-benefício são os fatores que mais interferem na decisão de compra desses itens.
O trabalho iniciou no primeiro semestre de 2025 e ouviu mais de 300 torcedores da Dupla Gre-Nal.
De forma on-line, o estudo foi conduzido pelo professor Marcelo Curth, contemplando conceitos como identificação com o time, qualidade percebida, atitudes em relação a produtos falsificados, intenção de compra, normas sociais e percepção de exclusividade.
Conforme o levantamento, o não interesse por marcas tende a influenciar na baixa valorização percebida dos produtos oficiais por parte dos consumidores, o que pode favorecer o consumo de itens falsificados.
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“Quando o torcedor não percebe diferenciação clara, legitimidade ou valor adicional no produto original, a barreira simbólica contra a falsificação tende a diminuir. Nesse sentido, a decisão de consumo deixa de ser guiada pela autenticidade e passa a incorporar critérios como acessibilidade e custo-benefício”, afirma o professor.
Segundo ele, a identidade do torcedor está ligada principalmente ao clube ou seleção, o que pode ajudar a explicar o consumo de produtos falsificados que, mesmo sem ser oficiais, cumprem a função de representar o vínculo com o time.
Além disso, para parte dos torcedores, o alto custo de produtos oficiais também costuma pesar na hora da compra, fazendo com que opções não-oficiais se tornem mais atrativas. A pesquisa possui também dados em nível nacional que serão divulgados em breve e, por continuidade, está sendo replicada em Portugal.
Para os consumidores que preferem distinção, a marca importa
A pesquisa também identificou um outro perfil de consumidor: o de torcedores que valorizam autenticidade, distinção e legitimidade.
“Quando a identidade e a percepção de exclusividade se tornam mais salientes, a tendência de recorrer a produtos falsificados diminui”, pontua Curth. “Isso reforça o papel estratégico da exclusividade e da construção simbólica das marcas como mecanismos de proteção contra a falsificação”, continua.