Judô, artesanato, ballet, música, culinária… estas são algumas das oficinas oferecidas pelo Projeto Criança Cidadã, em Campo Bom, a mais de 1,6 mil crianças e adolescentes encaminhados pelo Conselho Tutelar, Foro, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), e outras entidades.
O projeto, subsidiado por empresas patrocinadoras, está presente em três outros países (Angola, Moçambique e Índia) e oferece ainda refeitório, atendimento psicológico, assistência social a jovens em situação de vulnerabilidade, seja ela econômica, social ou emocional.
A matriz, em Campo Bom, conta com prédio próprio desde o dia 6 de junho. Anteriormente, utilizava prédios cedidos pela Prefeitura, impedindo alterações que pudessem auxiliar na acessibilidade e melhor prestação dos serviços.
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“Nunca pudemos atender crianças com deficiência, porque o prédio não era nosso. Agora tem elevador para quem não consegue subir as escadas. E nunca tivemos uma sala só para dança, porque era para a TV, para reuniões, para capoeira, para teatro e depois vinha a dança”, comenta Márcia Regina de Moura Britto, fundadora do projeto junto ao marido, André de Britto.
“Vejo o projeto como de suma importância. É um núcleo salvador para muitas famílias, até pelo acolhimento que a gente faz. Poderia ter um núcleo em cada bairro e a nossa ideia é expandir, atingir um número grande de crianças”, destaca André.
A psicóloga Ana Lúcia da Silva Guatimosi comenta que é visível o efeito que a iniciativa causa nas crianças e nos adolescentes atendidos.
“É um espaço que se diferencia porque não somos um contraturno escolar, e sim um centro de fortalecimento de vínculos. No adolesente, o sinal de que algo não está bacana é pelo comportamento. Às vezes ele chega aqui agressivo, desorganizado, mas ele chega aqui e é acolhido. A gente vê a evolução deles em alguns meses”, descreve.
“Mas não existe milagre, se existe uma criança que vive num contexto familiar que não oferece o que ela precisa, a partir do momento em que a família é chamada, ela recebe uma orientação e a mudança vai aparecer”, continua.
Aprendizado constante
Um jovem de 13 anos participa do projeto há um ano e meio e nunca havia tido contato com oficinas semelhantes.
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“Participo da aula de teclado, do judô e de musicalização. Acho muito legal, a minha favorita é o judô por causa da disciplina, das amizades que a gente faz e todas as coisas novas que a gente aprende, como a se controlar e se defender”, conta.
Outro garoto, de 6 anos, encantou-se pelas aulas de música. “Tô no projeto há um ano e estou nas aulas de música, judô e de futebol. A minha aula favorita é a de música, para tocar a bateria”, diz.