A Casa das Artes foi palco da exibição do documentário “Othelo, o Grande” e contou com um espectador ilustre: Orson Soares, filho do protagonista, Grande Otelo. Carioca, mas filho da gaúcha Maria Helena Soares da Rosa, também conhecida como Joséphine Helene, última esposa do ator, cantor, produtor e compositor mineiro, que marcou época no cinema nacional.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
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Orson mora em Porto Alegre e esteve em Novo Hamburgo para participar de um bate-papo dedicado à valorização da história e da cultura afro-brasileira. O Cariúcho contou um pouco de sua história, a ligação do pai com o Rio Grande do Sul, o legado deixado para o cinema, as lutas por igualdade racial e profissional na trajetória de um dos maiores artistas brasileiros.
Durante a conversa fez uma confissão: não assistiu todos os filmes do pai. “São muitos, mais de 100 filmes”, brincou.
Sobre a relação com Grande Otelo, é direto. “É outra pessoa, não a persona artística. Ali é o Sebastião Prata, um homem de família e lidando com seu filho temporão, que no caso, sou eu”, afirma, se referindo ao fato de ter nascido muito tempo depois de seus irmãos.
Prêmio Grande Otelo
O bate-papo aconteceu também no contexto da semana marcar a 24ª edição do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, concedido anualmente pela Academia Brasileira de Cinema. O evento ocorre nesta quarta-feira (30), no Rio de Janeiro e vai premiar os melhores filmes e séries brasileiros.
Desde 2013 leva o nome do artista e terá transmissão ao vivo pelo Canal Brasil e pelo canal do YouTube da Academia Brasileira de Cinema. “Se tem uma pessoa que realmente representou e representa o cinema brasileiro, é o Grande Otelo. Ele transitou em todos os momentos do cinema.”
Soares lembra que o pai esteve presente em produções cinematográficas até a década de 1990, passando por diversos movimentos artísticos. “Desde antes das Chanchadas, a Chanchadas, o Cinema Novo. Passa por praticamente todas as escolas de cinema do Brasil. Além disso, também lutou pela regulamentação da profissão de ator e defendeu o cinema nacional.”
Luta por espaço
Além da luta para regulamentar a profissão de ator, Grande Otelo também foi expoente quando se tratou de buscar mais espaço para artistas negros, como mostra o documentário. Soares afirma que foi testemunha de muitos destes momentos. “Testemunhei muitas reuniões com Otelo, Ruth de Souza, Milton Gonçalves. Elas serviram para reivindicar melhores papéis.”
Segundo o caçula de Otelo, atualmente é possível ver o resultada da luta na televisão, com protogonistas negros cada vez mais frequentes. “Quando você liga a TV e vê um Brasil diferente, com outra condição da população negra, que representa mais de 50% da população brasileira, estamo vendo o resultado daquela luta. É muito importante e positivo.”
Ligação com o Rio Grande do Sul e Breno Mello
Por estar em Novo Hamburgo, Soares foi questionado se o pai conheceu o ex-jogador de futebol e ator hamburguense Breno Mello. Além de ser campeão Gaúcho com o Renner, Mello jogou por Santos, Fluminense e atuou no filme vencedor do Oscar, Orfeu Negro.
“Sim, eles se conheceram. O Breno Mello inclusive aparece no documentário, ele já mais velho.”
Já a ligação com o Rio Grande do Sul vai além do casamento com Maria Helena. “Alguns lugares ele dava alguns escapes: São Paulo, Bahia, às vezes Minas Gerais, mas no Rio Grande do Sul muito mais”, reforça, já que o pai morava no Rio de Janeiro.
E lembra que o pai é inclusive Cidadão Honorário de Dom Pedrito. “É uma relação muito mais profunda com o Rio Grande do Sul do que a gente pensa.”
Nome em homenagem a diretor
Entre as curiosidades está a origem do nome de Orson, que homenageia o diretor Orson Welles, com quem Otelo trabalhou no filme “It’s all true”, de 1942.
“Na realidade quem escolheu o nome foi a minha mãe, que também era atriz. Mas, sim, meu nome teve essa importância.” Ao relembrar o trabalho de Welles, Soares explica que muitos trabalhos foram feitos para atores negros e que o filme realizado no Brasil foi uma continuidade do que já era feito nos Estados Unidos. “Tive o privilégio de conversar com Orson Welles uma vez na minha vida, com 11 anos”, completa.
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