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SÃO LEOPOLDO

Após denúncia de domínio de facção em condomínio, novo secretário de Segurança do RS promete ações integradas e reforço no policiamento

Coronel Ikeda garante instalação de bloqueadores de sinal de celular para cortar comunicação entre presos e criminosos em liberdade

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 22/10/2025 às 16h:30 Última atualização: 22/10/2025 às 16h:31
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O recém-empossado secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, coronel Mário Ikeda, afirmou nesta quarta-feira (22) que o governo determinou atenção redobrada à situação revelada com exclusividade pelo Jornal NH/ABCmais, que mostrou como uma facção está impondo o controle sobre o condomínio residencial Villa Germânica, com mais de 800 apartamentos e cerca de duas mil pessoas no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo.

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Coronel Ikeda, que assumiu comando da Secretaria estadual de Segurança Pública, concedeu entrevista ao Grupo Sinos, nesta quarta-feira (22), quando falou do caso envolvendo um condomínio de São Leopoldo | abc+



Coronel Ikeda, que assumiu comando da Secretaria estadual de Segurança Pública, concedeu entrevista ao Grupo Sinos, nesta quarta-feira (22), quando falou do caso envolvendo um condomínio de São Leopoldo

Foto: Leonardo Fister/SSP

A reportagem, publicada no último domingo (19) e assinada pelo jornalista Silvio Milani, revelou que integrantes de uma facção estão ameaçando moradores de morte, cobrando taxas ilegais, determinando regras de convivência e até tentando influenciar na escolha do síndico do condomínio. O caso ganhou repercussão estadual e acendeu o alerta sobre o avanço da criminalidade inclusive nestes ambientes predominantemente familiares.

Segundo o coronel Ikeda, o Comando-Geral da Brigada Militar determinou que as equipes locais intensifiquem o patrulhamento ostensivo no entorno e dentro do conjunto habitacional. A ação, segundo ele, visa garantir a tranquilidade e a sensação de segurança dos moradores e impedir que criminosos se sintam donos do território.

“O comando regional da Brigada Militar foi acionado para acompanhar de perto a situação. A presença da polícia é fundamental, mas o trabalho precisa ser complementado pela participação das vítimas, que não podem deixar de comunicar as ameaças e extorsões”, destaca.

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Secretário faz apelo para que vítimas registrem ocorrência

Aliás, o pedido para que as vítimas procurem a polícia e registrem boletim de ocorrência em casos como este foi o principal ponto da fala do secretário. Segundo ele, a ausência de registros impede a responsabilização dos autores e fortalece o poder das organizações criminosas.

“A partir do momento em que a pessoa é vítima de extorsão, paga, sai do apartamento e não faz registro nenhum, nós não temos como responsabilizar o autor. Precisamos que as vítimas registrem. Quanto mais vítimas registrarem, mais subsídios a polícia vai ter para responsabilizar os autores”, afirma.

Ikeda fez um paralelo com casos de violência doméstica, lembrando que, sem o registro, as autoridades sequer tomam conhecimento do crime. “Mal comparando, é como a violência doméstica: se não fizer o registro, a gente não sabe. A extorsão é a mesma coisa, por isso, é importante a comunicação”.

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Instalação de bloqueadores de celulares é a aposta para impedir que detentos sigam comandando o crime de dentro de cadeias

Um dos aspectos mais sensíveis do caso de São Leopoldo é a suspeita de que um membro da facção ordena os crimes de dentro de uma penitenciária. Ikeda confirmou que o Estado está investindo na instalação de bloqueadores de sinal de celular em unidades prisionais para impedir a comunicação entre apenados e o mundo exterior.

“Nós temos 24 casas prisionais com a instalação em andamento de bloqueadores de celular. Isso é fundamental para que quem esteja cumprindo pena não consiga se comunicar, extorquir ou cometer outros crimes, já estando preso”, explica. Ele destacou que o investimento faz parte de um pacote de ações para sufocar o comando das facções a partir do sistema prisional, um dos principais centros de articulação dessas organizações no país.

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Paralelamente a isso, o secretário ressaltou que o papel da Polícia Civil é essencial na apuração e responsabilização dos envolvidos. Ikeda afirmou que, com os áudios e provas divulgadas pela reportagem, a investigação pode avançar com maior rapidez, mas lembrou que o processo exige técnica e tempo.

“A ação não é imediata. A polícia precisa receber o inquérito, instruir e investigar, e isso leva tempo. Mas, se houver várias ocorrências da mesma região e provas como os áudios, a instrução do inquérito fica mais fácil e ágil para responsabilizar os autores”, disse. Ele também citou casos anteriores no Estado em que operações policiais conseguiram retomar imóveis tomados por criminosos e devolver a posse legal aos proprietários ou instituições financeiras.

Estratégia de sufocamento das facções

Questionado sobre o plano do governo estadual para conter o avanço das facções, o coronel Ikeda reconheceu que o tráfico de drogas continua sendo o “crime-mãe” dessas organizações, mas ressaltou que o Estado vem atuando em várias frentes para descapitalizar os grupos e quebrar suas estruturas financeiras.

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“Essas organizações criminosas se sustentam pelo tráfico de drogas. A partir dele vêm as extorsões, os roubos e outros crimes. Mas a Polícia Civil tem feito operações constantes, todas as semanas, apreendendo propriedades, bloqueando contas bancárias, veículos e imóveis. Isso acontece diariamente. Ações desse tipo sufocam a base financeira dessas facções”, destaca.

Áudios revelam como facção domina condomínio no Vale do Sinos
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Após divulgação de reportagem, Polícia abre inquérito para apurar denúncias

A Polícia Civil também abriu uma nova investigação para apurar as denúncias de extorsão, ameaças e controle da facção sobre o Villa Germânica. De acordo com o delegado regional Eduardo Hartz, a Polícia Civil já possuía procedimentos anteriores envolvendo o mesmo grupo criminoso, mas, diante das novas informações e dos áudios divulgados pela reportagem, um novo inquérito policial foi instaurado.

“Com certeza há investigação em andamento. Já houve inquéritos anteriores contra o mesmo grupo e há nova investigação a partir dos fatos noticiados”, afirmou o delegado Hartz.

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O novo procedimento está sob a responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo, e o inquérito é conduzido pelo delegado Rodrigo Camara. O delegado regional não traz detalhes dessa investigação para não comprometer o andamento da investigação. “A apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos está em andamento. Não podemos adiantar informações sob pena de prejudicar o trabalho policial”, sublinha.

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