O trecho da BR-116 em São Leopoldo, entre os quilômetros 247 e 248, tornou-se um dos mais letais da rodovia nos últimos meses. Desde outubro de 2024, dez pessoas perderam a vida no local, sendo cinco somente entre os dias 13 e 18 de agosto deste ano.
Por conta disso, a reportagem percorreu, na manhã desta terça-feira (19), o trecho entre São Leopoldo e Sapucaia do Sul, e constatou que, após a construção da terceira faixa, a via passou a carecer de sinalização básica, o que gera confusão entre os motoristas e aumenta o risco de acidentes.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
No ponto onde três jovens militares morreram no último dia 13, apenas um balizador cilíndrico de trânsito — espécie de cone — está posicionado para indicar a diferença entre a pista lateral e a subida do viaduto da Avenida João Corrêa.
Em boa parte do trajeto, não há pintura ou canteiros que delimitem faixas, o que faz a BR-116 parecer ter cinco pistas, possibilitando manobras arriscadas em meio ao tráfego intenso. À noite, período que concentra oito das últimas 10 mortes, o problema se agrava pela falta de visibilidade e marcações.
Sensação de insegurança
Motoristas que cruzam diariamente o local confirmam a insegurança. O advogado Giovanni Bina, 41 anos, morador de Novo Hamburgo e trabalhador em Porto Alegre, relata: “Para quem não conhece pode acontecer da pessoa errar e subir metade do viaduto e metade para fora, porque não tem nenhuma marcação de pista ali”, comenta referindo-se ao local do acidente que vitimou três jovens.
“É muito comum o motorista vir pela faixa lateral e cortar os carros da BR para entrar na frente, já vi o que aconteceu com o carro dos militares quase acontecer algumas vezes. Eu conheço bem a BR, mas para quem não conhece é praticamente impossível não errar ali. Não tem a marcação da pista e nem os tachões para evitar que isso aconteça. É asfalto e, do nada, subida do viaduto”, acrescenta o advogado.
A PRF, cujo posto mais próximo fica a menos de quatro quilômetros, reconhece o trecho como crítico e afirma que intensificará a fiscalização. Também encaminhou ofício ao Dnit cobrando medidas emergenciais de segurança, como reforço da sinalização horizontal e vertical.
DNIT promete reforço na sinalização
O Dnit informou que as equipes de manutenção irão reforçar a sinalização horizontal nos trechos em obras ainda nesta semana até que as novas novas pinturas sejam executadas, mas não apresentou prazo para intervenções mais estruturais.
Já o prefeito de São Leopoldo, Heliomar Franco (PL), busca envolver o município na discussão, mesmo a BR-116 sendo uma rodovia federal. “Temos o compromisso com a vida das pessoas e vou, enquanto gestor, buscar alternativas para proteger nossa população”, declarou, acrescentando que uma reunião com o DNIT deve ser agendada ainda nesta semana.
No trecho, balizadores improvisados trazem a inscrição BR-116 Norte, referência à direção da rodovia. Mas, diante da sequência de tragédias registradas nos quilômetros 247 e 248, a leitura pode facilmente soar como “BR-116 Morte”, transformando-se em um reflexo simbólico da sensação de insegurança que hoje domina quem passa pelo trecho.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial