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MOBILIZAÇÃO

Caminhada pede justiça por jovem morta pelo ex-companheiro e proteção a vítimas de violência doméstica

Ato ocorreu na manhã deste sábado (22), no Centro de São Leopoldo, um mês após o falecimento de Ketlyn Vargas; veja fotos

Priscila Carvalho
Publicado em: 22/11/2025 às 14h:45
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Com diversos cartazes e camisetas com a foto de Ketlyn Vargas, de 25 anos, centenas de pessoas participaram da caminhada Justiça pela Ketlyn e Pela Vida de Todas as Mulheres, na manhã deste sábado (22), em São Leopoldo.

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A mobilização buscou lembrar o caso da jovem, morta 43 dias depois de ser atacada a facadas pelo ex-companheiro, conscientizar sobre a violência contra a mulher e dar mais visibilidade à temática. O ato, marcado pela emoção, iniciou na frente da Câmara de Vereadores, com um minuto de silêncio por Ketlyn e a fala de alguns participantes, e seguiu pela Rua Independência até a esquina com a Rua Conceição.

Caminhada Justiça Pela Ketlyn ocorreu na manhã deste sábado (22), no Centro de São Leopoldo



Caminhada Justiça Pela Ketlyn ocorreu na manhã deste sábado (22), no Centro de São Leopoldo

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

“Lutou até onde deu”

A melhor amiga de Ketlyn, a vendedora Rafaela Silva de Almeida, 23 anos, foi uma das organizadoras da caminhada. Ela conta que, na noite do ataque, esperava por Ketlyn, que aguardava o ex-companheiro buscar alguns móveis em sua casa. “Ela ia jantar na minha casa depois, eu estava fazendo uma torta de bolacha pra ela”.

Rafaela chegou a falar com Ketlyn por vídeo quando ela foi socorrida ao Hospital Centenário e visitou a amiga por diversas vezes. “Por uns 10 dias, ela ficou acordada, falando. Mas aí, quando começou a agravar o caso, tiveram que sedar ela. Ela realmente tentou. Lutou até onde deu. Ela não queria morrer, em nenhum momento ela entregou as pontas. Foi realmente porque não deu mais”.

Segundo a amiga, a intenção da caminhada é não deixar que Ketlyn “seja mais uma” e chamar a atenção da Justiça. “Eu, como amiga, preciso lutar pelo nome dela, pela vida dela, mostrar que ela não é mais uma, porque tantas outras se foram e ninguém fez nada. Mas também para pressionar o sistema, as leis, a audiência dele, pra que ele pague”, justificou.

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“A pressão é para que isso chegue no Ministério Público, que eles vejam a nossa dor. Para que na hora que eles deem uma sentença, eles saibam para quem eles estão dando e a família que vai ficar”, disse, ressaltando que tem medo de que o agressor vá também atrás dela, caso seja solto.

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Um mês depois, amiga também foi agredida

A ação deste sábado também reforçou o apelo por medidas mais efetivas no combate à violência contra a mulher e trouxe à tona o caso de Rafaela: a amiga de Ketlyn foi agredida pelo ex-companheiro na sexta-feira (21), um mês depois da morte da jovem e um dia antes da caminhada.

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Rafaela buscou atendimento e registrou Boletim de Ocorrência. No fim da caminhada, recebeu a notícia de que a medida protetiva que solicitou foi expedida.

“Não entendo até hoje”, diz mãe de Ketlyn

A mãe de Ketlyn, Jaqueline da Silva Vargas, 42 anos, destacou que a mobilização também é um alerta para as mulheres. “A gente está fazendo essa caminhada por não aceitar mais esse tipo de violência. É um alerta de que as mulheres não precisam passar pelo que a minha filha passou, alerta para elas denunciarem, não terem medo, para elas contarem pra alguém, se abrirem com alguém, porque a minha filha não se abria, não queria trazer problema para os pais, e acabou na morte dela. Não queremos mais que isso aconteça”

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Ressaltando que a filha era carinhosa, Jaqueline disse que Ketlyn estava bem e que parecia “outra pessoa” após o término da relação, cerca de um mês antes do ataque. “E ele terminou com isso. Eu não entendo até hoje o por quê. Ele estava tendo um bom relacionamento com ela, pegava o filho”, comenta.

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Vítima queria ajudar outras mulheres

Irmão de Ketlyn, Wagner Vargas, 27 anos, salientou que a ação é por ela, mas também pela condenação do agressor. “No hospital, ela comentou que quando ela saísse queria estar na luta também por outras mulheres, ajudar outras mulheres. A gente está aqui por ela, pela história dela, pela história que ela queria passar pra frente e que não pôde, não teve chance”, iniciou. “Como ele tirou a vida da minha irmã, que ele pague realmente, que a Justiça seja feita, seja cumprida.”

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Projeto de Lei Ketlyn Vargas tramita na Câmara

Um dos pedidos feitos durante a mobilização foi a aprovação da Lei Ketlyn Vargas, projeto que visa a destinação de aluguel social a mulheres vítimas de violência doméstica e que está em tramitação na Câmara de Vereadores de São Leopoldo.

Autora do projeto, a vereadora Karina Camillo (PT) disse que ele foi protocolado ainda em agosto, e, pelo alto índice de feminicídios vistos no Rio Grande do Sul, foi observado que seria importante acelerar o trâmite. “Outras cidades já aprovaram, e a lei Maria da Penha é muito clara, dizendo que os municípios e os estados precisam se adequar e criar legislações”, disse.

“Tem muitas mulheres que ainda vivem a violência por não terem um teto, então esse é o sentido dessa proposta de lei”, acrescentou, revelando que já foi vítima de violência doméstica, há 25 anos. “Assim como eu consegui sair disso, porque tive a oportunidade de ter um teto, eu sei que tem muitas outras mulheres que hoje não conseguem sair, porque não tem esse teto, e a política pública precisa garantir isso”.

Segundo a vereadora, amigos e familiares de Ketlyn chegaram até ela para ajudar na mobilização e, num entendimento conjunto, o projeto ganhou o nome de Ketlyn Vargas. “Para que ela seja um símbolo em São Leopoldo”.

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Caminho é a conscientização

Presidente da Câmara de Vereadores, a vereadora Iara Cardoso (PDT) disse acreditar que o Projeto de Lei Ketlyn Vargas pode ser apreciado pelo Legislativo ainda este ano. Também presente no ato, ela ponderou que foi prestar solidariedade à família de Ketlyn e, principalmente, às mulheres. “Estamos na metade do século 21, com tanta tecnologia e inovação, mas no aspecto humano ficamos patinando nessas questões de violência”.

Para ela, o caminho para evoluir no tema passa, em primeiro lugar, pela conscientização. “Temos que evoluir enquanto civilização. Depende muito da sociedade pegar junto e acho que é isso que esse movimento aqui instiga.”

Relembre o caso

Ketlyn Jennifer Vargas da Silva foi atacada a facadas pelo ex-companheiro, de 42 anos, dentro da casa onde morava, no bairro Santos Dumont, e na frente do filho do casal, de 5 anos, que é autista nível 3 de suporte. O ataque ocorreu na noite de 8 de setembro e teria acontecido pois o agressor não aceitava o fim do relacionamento.

A jovem foi levada ao Hospital Centenário, vindo a falecer 43 dias depois. O ex-marido de Ketlyn fugiu e foi preso horas depois, após ser linchado por populares. A primeira audiência do caso foi marcada para o dia 19 de janeiro.

VÍDEO – CAMINHADA POR JUSTIÇA MOBILIZA COMUNIDADE DE SÃO LEOPOLDO

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