Sete anos depois do desabamento de parte da estrutura da Casa do Imigrante, a área onde fica a antiga estrutura – responsável por acolher os primeiros imigrantes alemães que chegaram em São Leopoldo – começou a receber as primeiras intervenções para a restauração que deve ser realizada no local. Desde a segunda-feira (30), equipes da Toro Engenharia trabalham no local, montando contêineres e colocando tapumes em volta do imóvel.
A empresa, sediada em Porto Alegre, é a responsável pela execução do projeto, que contempla a revitalização dos prédios da casa – o mais antigo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, e o anexo, que ruiu em março de 2019 – e a construção de novo complexo cultural, histórico e de lazer. A ordem de início das obras foi assinada há cerca de 15 dias, em evento no Teatro Municipal de São Leopoldo, que contou a presença do governador Eduardo Leite.
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Canteiro de obras
Nesta terça-feira (31), dois contêineres já haviam sido colocados no pátio da Casa do Imigrante e trabalhadores faziam a poda de árvores próximas à edificação.
Arquiteta da empresa, Angela Oliveira explica que, primeiro, será feita a infraestrutura do canteiro de obras, o que pode levar até duas semanas. “O primeiro momento é o planejamento do canteiro, que seria os contêineres, com escritório, espaço de convivência dos funcionários, parte de carpintaria, ferragem, vestiários. Temos uma etapa a seguir, então, seriam mais ou menos duas semanas para toda essa parte”.
Após, aí sim, as equipes deverão começar as primeiras ações diretas na estrutura da casa. “Num segundo momento, nós vamos retirar os tapumes e escorar a casa para poder dar início. Terá uma equipe direcionada a essa área”, salientou Angela.
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Museu Histórico deve retirar acervo do local
Coordenador da obra pela empresa, Carlos Oliveira explica que a Toro Engenharia está habituada a fazer esse tipo de restauro e tem equipe capacitada para tal. Mas, além da mobilização para projetar o canteiro de obras, antes de começar a mexer na edificação em si, é necessário aguardar a retirada do acervo que está no local. Conforme Oliveira, esse recolhimento deve ser feito pelo Museu Histórico Visconde de São Leopoldo (MHVSL).
Presidente do MHVSL, Cássio Tagliari disse que a instituição listou 56 peças de grande porte que estão na Casa do Imigrante – entre elas, 40 lápides – e que já está se mobilizando para recolher o material nos próximos dias.
“É um garimpo”
Mostrando áreas já bem deterioradas da estrutura, Oliveira comentou que a comunidade está acostumada a enxergar a casa por fora, mas não sabe como ela está por dentro. “Eu não posso botar aqui qualquer pessoa para trabalhar, tem que ter toda uma segurança, todo um aparato, todo um sistema antes, organizar bem”, afirmou.
Há ambientes, por exemplo, tomados por entulhos que ruíram e que vão precisar passar por um minucioso trabalho de verificação. “Muita coisa que está aqui, temos que aproveitar. As madeiras podres, não. Mas telhas temos que aproveitar as originais. Isso é uma cirurgia, é um garimpo que vamos começar a fazer. É uma coisa delicada, temos que manter os traços mais próximos possíveis do original e muita coisa original fica”, avalia o coordenador.
Na estimativa de Oliveira, as primeiras intervenções na casa mesmo devem começar em um mês. “Se tudo andar bem, não tiver nenhum tipo de mudança ou surpresa, a obra está programada para 12 meses”, finalizou.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
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Lugar fará parte de um “futuro de desenvolvimento”
O prefeito Heliomar Franco exaltou o início das obras no espaço. “A Casa do Imigrante é um projeto de governo, uma promessa de campanha que essa semana sai do papel para entrar na história, a história do nosso povo. Mais do que isso, esse lugar que fala tanto do nosso passado, agora vai ser parte de um futuro de desenvolvimento para nossa cidade, um complexo turístico gigante. Estou emocionado em poder fazer essa entrega, tão representativa para quem ama São Leopoldo”.
O berço da colonização
O secretário de Cultura e Turismo, Geison Freitas, também ressaltou o início das ações e se disse “muito feliz” de poder acompanhar o projeto. “A Casa do Imigrante é uma marca de São Leopoldo, uma marca gaúcha e uma marca nacional, pois somos o berço da colonização alemã no Brasil. Então, estamos falando da nossa história, da nossa construção como ser humano, como cultura, como sociedade, e estamos falando também de uma característica do cidadão leopoldense”, sublinhou.
“Fico super feliz de poder estar ajudando nessa construção da gente poder entender a casa como uma marca, não somente como um item histórico, mas como um propulsor de economia, de geração de renda e emprego, que é o que a gente também quer com a Casa do Imigrante”, concluiu Freitas.