A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de São Leopoldo, completa seis anos de atividades no município, nesta terça-feira (9). Celebrando um marco no serviço de combate à violência doméstica na cidade.
Conforme a delegada Michelle Arigony, titular da delegacia, ao longo desses seis anos até o dia 3 de dezembro, foram registradas no total 16.155 ocorrências, solicitadas 7.648 medidas protetivas, realizadas 577 prisões, e, desde o ano passado, quando iniciaram os monitoramentos, foram instaladas 55 tornozeleiras eletrônicas.
Para celebrar os seis anos da delegacia será feita uma ação de panfletagem nas ruas com o intuito de levar informação para as mulheres, trabalhando com a prevenção. “Não adianta trabalhar só na prisão, a prevenção é muito importante pois leva informação para as mulheres”, afirmou a delegada.
Marco
Para a delegada, essa data é um marco para os crimes de violência doméstica, familiar e sexuais em São Leopoldo, porque antes, eles eram investigados pela 1ª e 2ªDelegacia de Polícia (DP). “Por vezes eram deixados em uma pilha para serem instruídos depois, por conta dos outros crimes, que também são importantes, como tráfico de drogas, homicídios, latrocínios, sequestros. Então a violência contra a mulher ficava de lado, o que deixava o procedimento mais demorado.”
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A delegada divulgou que em 2019, quando a delegacia foi inaugurada, foram registradas 116 ocorrências policias e solicitadas 49 medidas protetivas. No ano seguinte, em 2020, esse número subiu para 2.308 ocorrências, 1.303 medidas e foram realizadas 27 prisões.
Em 2021, a Deam registrou 2.713 ocorrências, 1.396 medidas protetivas e 44 prisões. Já em 2022, foram registradas 2.559 ocorrências, 1.230 medidas e 52 prisões. No ano de 2023, na Deam foram registradas 2.862 ocorrências, 1.243 medidas foram solicitadas e 103 agressores foram presos.
Em 2024 foram registradas 2.797 ocorrências, 1050 medidas protetivas e realizadas 173 prisões. Em 2025, até 3 de dezembro, a Deam registrou 2.800 ocorrências, 1.380 medidas e 178 prisões. “Nossa equipe é muito comprometida. Não é qualquer um que atua aqui, é necessário ser comprometido e responsável, por isso temos esses resultados”, afirmou a delegada.
Maior agilidade nos procedimentos
Conforme a delegada da Deam Michelle Arigony agora tendo uma delegacia especializada ficou mais rápido o procedimento. “O registro é feito aqui, então tem um olhar mais acolhedor e uma forma mais sensível. Uma delegacia onde tem um espaço reservado para as mulheres, a vítima terá a certeza de que será atendida por uma policial mulher.”
A delegada informou que na Deam o inquérito vai ser tratado com mais prioridade, pois tudo o que envolve a violência doméstica é prioridade. “Ele vai vai ser remetido ao poder judiciário com mais celeridade.”
A delegada recordou que em São Leopoldo já tinha um poder judiciário especializado, que é o Juizado de Violência Doméstica, uma promotoria especializada, mas não tinha delegacia, o que tornava a estatística difícil, pois se dividia por bairros. “Então para o município foi muito importante porque representa esse marco dos registros, que estão sendo feitos de forma mais acolhedora na delegacia, a prioridade que está sendo dada aos casos e as remessas mais céleres.”
“Além disso, a gente faz parte da Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do município, onde temos reuniões mensais. A gente consegue programar e planejar ações, tratar sobre os casos, fortalecer ainda mais a rede. Somos mais um elo nessa corrente que já existia”, afirmou a delegada.
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Medo de registrar
Conforme a delegada, na Deam há muitas subnotificações dos crimes, pois a mulher ainda tem medo de registrar, ou não sabe sobre os seus direitos. “É importante fazer o registro da ocorrência para que haja a responsabilização do agressor. É importante solicitar a medida protetiva para que ela saia do risco, pois cada registro, cada medida solicitada salva uma vida.”
Segundo a delegada, as mulheres que morreram no ano passado não tinham a medida protetiva ativa. “A gente sabe que no Rio Grande do Sul, neste ano, mais de 90% das mulheres não tinham medida protetiva, então, onde estavam essas mulheres? Esse é o nosso maior desafio, buscar essas mulheres que não vem até a delegacia e por isso também se ampliaram os canais de denúncia.”
Sentimento de missão cumprida
Para a delegada, o sentimento de estar à frente da Deam é de desafio por conta das mulheres que não consegue alcançar, mas, ao mesmo tempo, tem a sensação de missão cumprida. “Principalmente quando a gente percebe que consegue acolher essas mulheres, consegue atender as demandas que chegam com prioridade, quando conseguimos resolver os casos graves, e quando conseguimos prender os agressores com muita rapidez.”
Conforme a delegada, a Deam tem uma integração muito grande com o Poder Judiciário e com o Ministério Público. Além disso, todas as ocorrências são analisadas criteriosamente e os casos graves são representados com prisão de forma rápida. “A equipe da Deam é formada por policiais muito comprometidos com esse resultado de proteção da vida da vítima. Então é importante termos uma Deam, a gente se sente com a missão cumprida por tirar essa mulher do risco.”
Registro de denúncia
A delegada reforçou que as mulheres podem fazer o registro da ocorrência de forma presencial, e on-line, inclusive a medida protetiva também pode ser solicitada de forma on-line. “Também tem o disque denúncia – 180, que pode ser feito de forma anônima, que também vem para a Deam, que prioriza esses atendimentos de denúncia.”
A delega salientou que é importante fazer o registro para responsabilizar o agressor, para quebrar o ciclo da violência. “O silêncio só empodera ainda mais o agressor. Quero deixar claro para as vítimas que não é só crime aquele que deixa marcas, não é só o olho roxo que deve ser denunciado, as violências psicológica e moral também devem ser denunciadas. A violência sexual, que também é difícil de ser denunciada, tem que ser feito o registro.”