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SÃO LEOPOLDO

Dia da Consciência Negra: escritora usa livro infantil como instrumento de representatividade

Desenvolvimento da autoestima de crianças e conscientização antirracista estão entre objetivos de "Alice e o Unicórnio Encantado"

Publicado em: 21/11/2025 às 11h:00 Última atualização: 21/11/2025 às 11h:00
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“Que não seja só em novembro que uma criança negra possa se ver e que tenhamos histórias que contemplem todas as infâncias”. Este é um dos desejos da escritora de São Leopoldo Simone Reis com o livro Alice e o Unicórnio Encantado, lançado em março deste ano.

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A escritora Simone Reis usa a literatura infantil como ferramenta de empoderamento e representatividade | abc+



A escritora Simone Reis usa a literatura infantil como ferramenta de empoderamento e representatividade

Foto: Pedro H Tesch/Prefeitura de São Leopoldo

Simone Reis é integrante do Núcleo de Educação das Relações Étnicos Raciais (Nerer) do Centro Municipal de Educação Inclusiva Paulo Freire, membro recente da Academia de Letras do Brasil Seccional RS (ALB-RS) e uma das patronas da 5ª Feira do Livro Afro, promovida nesta quarta-feira (19) pela Prefeitura de Novo Hamburgo e pela Cufa, no Complexo Protegidos da Princesa Isabel, no bairro Rondônia.

Por meio do protagonismo negro em uma história de fantasia, Simone busca contribuir com o desenvolvimento da autoestima de crianças negras, além de fazer com que a cultura negra também possa ser associada a histórias felizes, não apenas de sofrimento.

“O livro traz na sua estética a potência da menina negra que sonha, que é empoderada e pode ser o que quiser. Ele ajuda a desenvolver a autoestima por ter trazido os diferentes penteados e a mudança de expressões para que a criança negra se veja representada na literatura”, afirma.

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“E para crianças não-negras, ele contribui para ensinar a beleza da cultura afro-brasileira, presente na estética do livro. É um livro que dialoga com todas as infâncias, porque ele fala tema de família, afeto, magia, aventura, então ele não é um livro somente voltado para o público das crianças negras”, continua.

O impacto da literatura infantil na autoestima dos pequenos

Desde o lançamento da obra, a escritora conta que já se deparou com resultados positivos em pequenas leitoras. “Estou tendo retorno das professoras e das mães que levaram o livro para casa. Tem uma menina numa escola em que eu fui contar a história, ela ia sempre com o cabelo preso. Depois que eu contei a história, a diretora mandou uma foto com a menina com o cabelo solto, feliz com o seu black power”, conta.

Segundo Simone, a história tocou também o coração de crianças neuroatípicas (isto é, que possuem transtornos do funcionamento neurológico). “Recebi o relato de uma mãe de uma menina atípica que só queria ir sempre com o mesmo penteado e depois de ler o livro, se permitiu explorar novos visuais e se viu representada, com a identidade fortalecida.”

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A profissional comenta a gratificação de ver o seu trabalho gerando impacto na vida de seus leitores. “Eu me sinto muito feliz com esse retorno que o livro está dando, de ouvir feedback que eu tenho recebido das leitoras sobre como isso está fazendo a diferença na vida das crianças, das meninas negras, principalmente.”

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