A trajetória de uma aluna cega com doutorado é uma das histórias que integram o documentário Jornadas, que será apresentado ao público no próximo sábado (13), às 17h, no Teatro Municipal de São Leopoldo (Rua Osvaldo Aranha, 934, Centro). A exibição contará com recursos de acessibilidade, como Libras, Língua de Sinais em Espaço (LSE) e audiodescrição.

Foto: Welintom Flor
O filme reúne relatos de mulheres com deficiência que atuam em diferentes áreas profissionais e sociais, retratando desafios enfrentados no mercado de trabalho e na vida cotidiana. A produção é de Bianca Reis de Moraes, mulher cega e doutoranda em Processos e Manifestações Culturais, com apoio da Comunique Produtora. Natural de São Leopoldo, Bianca relata que o projeto nasce diretamente de sua própria trajetória.
Segundo ela, a concepção inicial do documentário era discutir o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho, a partir de conversas com coletivos e vivências pessoais. No entanto, o projeto mudou de direção após um episódio de violência vivido por ela, que passou a ser transformado em linguagem artística. “Entendi que era necessário transformar isso em arte. E o curta passa, então, a retratar as trajetórias de mulheres com deficiência nesses espaços”, resume.
Lugar de protagonismo
Com direção e roteiro assinados por Bianca e Gustavo Carniel Rubert, o filme traz como protagonistas Claudia Monteiro, professora e assessora educacional com mobilidade reduzida; Natache Koncimal, mulher surda e assistente social; Alexandra Lima, mulher com síndrome de Down, assistente de farmácia, palestrante e autodefensora; além da própria Bianca, que narra sua experiência como artista, pesquisadora e mulher com deficiência visual.
Para ela, o filme vai além do debate sobre trabalho formal. “Cada uma, a partir do seu lugar, narra não apenas o acesso ao trabalho, mas nos faz refletir sobre a presença das diferenças na educação, na arte e na existência”, diz. Bianca destaca ainda o papel da arte como instrumento de reflexão e transformação. “A arte por si só não muda o mundo, mas é capaz de tocar a pessoa. E é esse lugar que o Jornadas busca ocupar, provocando discussões sobre capacitismo, inclusão, sensibilidade cultural e direitos das mulheres e das pessoas com deficiência”, pontua.
Incentivo à cultura
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, via município de São Leopoldo, o projeto também reforça a importância da ocupação de espaços de criação por profissionais com deficiência. “É fundamental que nós, artistas e produtoras com deficiência, estejamos na produção audiovisual, não só como personagens, mas como criadores e responsáveis pelas narrativas”, afirma.
A pré-estreia terá como diferencial a audiodescrição aberta, permitindo que todos os espectadores escutem a narração descritiva da obra. A escolha, segundo Bianca, foi deliberada. “É uma forma de provocação, conscientização e reflexão, para que possamos pensar uma arte cada vez mais acessível e inclusiva”, explica.
Sobre a mensagem central do documentário, a diretora é enfática. “Não buscamos ser vistas como exemplos de superação nem como vítimas, mas afirmar o nosso direito de existir plenamente na arte e na vida. Mulheres com deficiência são protagonistas das próprias jornadas”, conclui.
A pré-estreia de “Jornadas” é aberta à comunidade e integra a agenda cultural voltada à inclusão no município, contudo a confirmação é solicitada através do número: (51) 99925-7801.
Ao longo do mês de dezembro, marcado internacionalmente pela pauta da inclusão, o projeto teve desdobramentos culturais além do audiovisual. Entre os dias 1º e 5, o Espaço Sicredi Feitoria sediou a exposição Jornadas – Fotografia & Poesia, que apresentou registros visuais e textos inspirados nas histórias do documentário. E também uma exposição virtual, disponível no site documentariojornadas.com.br, ampliando o acesso ao conteúdo para públicos de outras regiões.
Ficha técnica:
- Direção: Gustavo Carniel Rubert e Bianca Reis de Moraes
- Roteirização: Bianca Reis de Moraes e Gustavo Carniel Rubert
- Fotografia: Gustavo Carniel Rubert, Welintom Flôr, Edson Fernandes e André Becker (imagens aéreas)
- Edição: Bianca Ventorini Klein
- Colorização, animações e finalização: Welintom Flôr
- Trilha sonora original e finalização de áudio: Pedro Nascente
- Assistência de produção e apoio logístico: Anderson Dilkin, Élvis Eliel, Bruno Nunes e Jayme Magalhães Neto
- Identidade visual e artes gráficas digitais: Clara Rohr
- Comunicação, imprensa e fotos still: Élvis Eliel, Welintom Flôr, Gustavo Carniel Rubert e Carla Fogaça
- Consultoria em acessibilidade cultural e narrações poéticas: Bianca Reis de Moraes
- Audiodescrição e legendagem descritiva: Mil Palavras Acessibilidade Cultural
- Interpretação em Libras: Paula Boos Höher
- Entrevistadas/Protagonistas:
- Alexandra da Silva Lima
- Ana Clara Giacomelli de Vargas (violista)
- Bianca Reis de Moraes
- Claudia Cristina Monteiro
- Natache Koncimal
Cenários das gravações:
- Biblioteca Municipal Vianna Moog de São Leopoldo
- Centro Municipal de Educação Inclusiva Paulo Freire (CEMEI)
- Universidade Feevale – Câmpus II, Novo Hamburgo
- Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) – Câmpus São Leopoldo
- Teatro Feevale
- Teatro Municipal de São Leopoldo
LEIA TAMBÉM