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ENTREVISTA

"Foram 30 dias muito intensos": prefeito Heliomar Franco avalia primeiro mês de governo

Chefe do Executivo leopoldense destaca ações, desafios e confirma reforma administrativa para esse mês; confira

Priscila Carvalho
Publicado em: 03/02/2025 às 03h:00 Última atualização: 03/02/2025 às 14h:53
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Estudando projetos, repactuando dívidas e finalizando uma reforma administrativa – que deve entrar em vigor ainda em fevereiro -, o prefeito Heliomar Franco (PL) completou o seu primeiro mês à frente do Executivo leopoldense no sábado (1º).

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Enfrentando o que resume como uma experiência nova, mas que não assusta, Heliomar destaca o que já pôde ser feito nesses primeiros 30 dias de governo e o que está na mira da gestão para os próximos meses.

Em seu gabinete, no sétimo andar do Centro Administrativo, Heliomar recebeu a reportagem do Jornal VS e falou sobre as vitórias, desafios e o que está projetando para temas como alagamentos, saúde e reconstrução pós-cheias.

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Prefeito de São Leopoldo, Heliomar Franco, em seu gabinete, no 7º andar do Centro Administrativo



Prefeito de São Leopoldo, Heliomar Franco, em seu gabinete, no 7º andar do Centro Administrativo

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Experiência nova

Apesar de já ter atuado com gestão, pela profissão de delegado e consequente na chefia de delegacias, Heliomar pondera que a experiência a frente de uma prefeitura é nova para ele e para muitos que o acompanham.

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“É um conhecer, um evoluir, um aprendizado a cada dia. E como a gente já tem algumas habilidades em gerenciamento de crises e gestão de pessoas, não nos assusta. A gente não se assusta com os desafios, apenas aprende a tomar decisões diferentes em situações novas”, pontuou, destacando que a equipe de trabalho montada é muito propositiva, com diretrizes dentro do plano de governo criado ainda na campanha.

“O sentimento é de gratidão com a compreensão e o apoio que a população demonstra, e de animação, apesar do desafio ser gigantesco, da gente conseguir alcançar aquilo que nos propusemos”, complementou o novo prefeito, que tem marcado sua gestão por ir às ruas, verificando in loco os problemas da cidade, como ocorreu na saúde e nos alagamentos de ruas.

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Destaques dos primeiros dias de trabalho

Heliomar coloca entre os destaques desses 30 dias de governo a humanização, com a diminuição de filas já conhecidas em unidades de saúde; a repactuação de dívidas que levariam à paralisação dos serviços, por exemplo, no Hospital Centenário; o avanço na informatização de documentos na prefeitura e de dados da área da saúde, que permitem ter a visão de cada posto; a força-tarefa organizada pra desentupir as tubulações de esgoto; e o avanço na resolução do problema de abastecimento de água na Zona Norte – que, segundo ele, tem previsão de conclusão em até 180 dias.

“Foram 30 dias muito intensos, em todas as esferas de trabalho, inclusive na Guarda Municipal, que mudou completamente o seu perfil de atuação”, ressaltou. “E estamos investindo fortemente nessa proximidade com o cidadão. Nós queremos ter o cidadão do nosso lado e queremos estar ao lado do cidadão”.

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O prefeito também já elenca, porém, os dois maiores desafios: os alagamentos, vistos com grandes volumes de chuva em pouco tempo, e a área da saúde.

Contra alagamentos

Segundo Heliomar, com as precipitações da última semana, um mapeamento dos principais pontos de alagamento foi realizado, a partir da observação das equipes nas ruas e com a contribuição da população. “Nós já vínhamos fazendo algumas intervenções, agora nós sabemos exatamente onde é que nós temos que intervir. A partir desta segunda-feira (3), a população vai nos ver nesses pontos, vamos estar presentes no desentupimento das tubulações”, afirmou.

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Repactuação de dívidas na saúde

Na área da saúde, classificado como “desafio gigantesco” pelo prefeito, as dívidas e a falta de gestão são o que mais impactam. “Mas nós estamos assumindo o controle disso com muita seriedade e muita técnica. Claro, não vai ser no primeiro mês que nós vamos conseguir resolver a maior parte desses problemas, mas estamos organizando a casa”, pontuou, citando que as ações começaram com “pequenos gestos”, como a humanização nas filas de unidades básicas e a atuação de Ouvidoria e gabinete do prefeito, que tem circulado pelos postos.

Conforme Heliomar, a nova gestão herdou o Hospital Centenário com cerca de R$ 30 milhões em dívidas com fornecedores e está repactuando esses débitos, além de analisar os trabalhos e contratos realizados. “A cidade precisa recuperar a sua capacidade de poupança, recuperar a sua credibilidade no cenário econômico, e isso nós estamos perseguindo em todas as áreas, principalmente na área da saúde”.

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UPA na Feitoria

Também na área da Saúde, um dos projetos já em análise é o da ampliação do Centro de Saúde Feitoria para Unidade de Pronto Atendimento (Upa). Heliomar disse que já há um esboço do que precisa ser feito estruturalmente no local e do recurso necessário para isso, pois o prédio atual não é adequado para uma Upa, mas que será preciso um rearranjo orçamentário e, talvez, auxílio de verbas federais. “Não tenho como precisar o prazo (de entrega), mas nós gostaríamos de fazer já no primeiro ano de governo. É uma perspectiva apenas, mas vamos lutar pra conseguir chegar lá”.

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Reconstrução pós-cheias, diques e o Rio dos Sinos

Na última semana, o prefeito participou de reuniões com os governos estadual e federal, sobre o tema da reconstrução pós-cheias. Segundo ele, o governo federal revelou que existem dificuldades para a destinação de recursos, devido a checagem de cadastros das famílias. “Quer dizer: há o recurso, está disponível, mas há problemas cadastrais que precisam ser resolvidos pelo município”, resumiu Heliomar.

Ele também disse que o governo federal criou uma nova plataforma digital para que o município possa acessar e corrigir os dados inconsistentes no sistema, e que, em breve, os técnicos da prefeitura terão acesso a ela para que São Leopoldo saiba exatamente quantas famílias precisam de auxílio.
Sobre os diques, Heliomar explicou que existe um conselho deliberativo entre os governos estadual e federal que define os projetos e a verba destinada para cada um.

“Mesmo assim, temos conversado com o governo do Estado, temos feito vistorias nos diques, elaborado laudos de conservação dos diques e encaminhado esses documentos pra que o governo do Estado tenha conhecimento disso”, declarou. O prefeito ponderou ainda que existem várias etapas para a construção de diques, com investimento bilionário e que leva tempo, mas que o município vai estar atento e acompanhando os movimentos dos governos.

Desassoreamento

Além da dragagem comercial, que já vem sendo realizada por empresa licenciada, e da autorização para que o município possa realizar o desassoreamento no Rio dos Sinos – o que está sendo encaminhado pela Secretaria de Meio Ambiente (Semmam) -, Heliomar disse também que a gestão municipal deve apresentar ao governo do Estado um projeto de desassoreamento do rio para solicitar auxílio e dar continuidade a esse trabalho.

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Prefeito Heliomar Franco e a vice, Regina Caetano, na posse da nova gestão, em 1º de janeiro



Prefeito Heliomar Franco e a vice, Regina Caetano, na posse da nova gestão, em 1º de janeiro

Foto: Amanda Krohn/Especial

Mudanças na estrutura

Outro ponto confirmado pelo prefeito, a reforma administrativa da prefeitura leopoldense ocorrerá ainda em fevereiro, segundo ele. “Nós estamos com ela praticamente pronta, já está discutida internamente, faltam alguns detalhes, algumas sugestões”, iniciou, explicando que ela foi postergada para que a gestão pudesse se inteirar melhor das estruturas de governo.

“Ainda no mês de fevereiro, temos absoluta convicção de que iremos colocar em votação essa reforma e aprová-la”, garantiu Heliomar. “Nós estamos extinguindo algumas secretarias e investindo em outras que a cidade necessita, porque nós temos que olhar a realidade da cidade, o que realmente é importante pro cidadão e pro município”.

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Do negativo ao superávit

Na quinta-feira (30), o prefeito Heliomar teve acesso ao resultado primário – diferença entre receitas e despesas do governo – de 2024 e salientou que a quantia bateu um recorde negativo. “Nós tivemos o pior resultado primário da história do município de São Leopoldo. Uma receita corrente negativa em mais de 113 milhões de reais”, informou. “É um número assustador, que mostra que o município não tem o potencial de economia pujante que a gente gostaria, mas não nos impede de retomar o crescimento do município”, colocou.

“Queremos daqui a quatro anos mostrar números bem diferentes para a população”, acrescentou, citando que tem metas, mas que ainda estão sendo discutidas, visto que os números recém foram consolidados.

“A partir do estudo desses números é que nós vamos traçar metas pro ano que vem, mas a ideia é chegar num superávit no final do ano. Esse ano, nós entramos janeiro com menos 3 milhões de reais na conta. Queremos chegar positivos em R$ 14 milhões no final do ano sem que o mês de janeiro nos consuma essa poupança. É uma projeção, pode ser pra mais, pode ser pra menos, mas vamos trabalhar por isso.”

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