A Justiça marcou reunião de emergência para garantir a circulação de ônibus em São Leopoldo após o município amanhecer sem transporte público nesta segunda-feira (13). A greve dos trabalhadores do serviço essencial deixou as paradas vazias na cidade.
A categoria, que pede reajuste salarial, aderiu à paralisação após assembleia na noite deste domingo (12).
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Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
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Para mediar a situação e “garantir a manutenção mínima dos serviços durante a greve”, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) confirmou uma audiência hoje, às 14 horas.
Por meio de nota, o Tribunal confirma que fará um encontro virtual entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Leopoldo, do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano do Vale do Sinos e do Ministério Público do Trabalho.
O resultado da audiência, conduzida pelo vice-presidente institucional e de atuação em demandas coletivas do TRT-RS, desembargador Cláudio Antônio Cassou Barbosa, será divulgado no site do TRT-RS.
A nota descreve que a mediação acontece “no âmbito de um dissídio coletivo de greve ajuizado pelo sindicato das empresas” e requer a concessão de uma liminar para garantir o transporte.
Prefeitura participará da reunião
Procurada, a Prefeitura de São Leopoldo informou que “está em permanente diálogo com o Coleo para encontrar uma solução conjunta que não onere os trabalhares e que faça cumprir a legislação”.
O Executivo leopoldense também confirmou que participará da mediação do Tribunal Regional do Trabalho, na tarde desta segunda. “O contrato de 15 anos com o Consórcio está em fase de análise de documentos e renovação, que vence somente em agosto”, destacou nota da administração municipal.
O Consórcio Operacional Leopoldense (Coleo) foi procurado pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre a paralisação até a publicação desta matéria.
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Usuários precisaram buscar alternativas
Nas paradas leopoldenses, pouco movimento foi observado esta manhã. Quem estava nas estruturas, soube da greve e buscava alternativas para conseguir se deslocar.
Celeste de Souza, 73 anos, ficou sabendo da paralisação enquanto estava na parada de ônibus e precisou pedir para o neto lhe buscar a fim de seguir para uma consulta. “Dependo de ônibus para ir ao médico e para trabalhar. Ficar sem ônibus é complicado. O dinheiro do Uber faz falta pra mim, porque a gente recebe e fica cuidando o dinheirinho até chegar o próximo pagamento”.
Moradora do bairro São Miguel, Elisângela Macedo, 49 anos, conta que não costuma utilizar ônibus pela falta de higiene que observa nos coletivos e pelo tempo de espera nas paradas. “Entre 45 minutos a 1h10 pra vir o que eu preciso, que é o Vila Paim”. Ela comentou que não sabia da greve até esta manhã. “Pegou todo mundo de calça na mão. A maioria da população não sabia que não ia ter ônibus hoje”, disse, enquanto aguardava um carro por aplicativo.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
“Não tem?”
Moradora do bairro Santos Dumont, Cristina Menhard, ficou surpresa ao saber que não teria transporte coletivo nesta segunda. “Não tem? Vim esperar o ônibus, então vou ter que ir de Uber. Não sabia!”, exclamou. “Vim de casa de Uber pro Centro, e ia de ônibus embora porque estava perto do horário de passar, porque de tarde vou precisar voltar pro Centro. Então, vou ter que ir de Uber agora e voltar de novo com o Uber depois”, lamentou.
“Vim de manhã pro Centro a pé e vou ter que voltar a pé”, disse o morador do bairro Rio dos Sinos, Leonir Felipe Jung, 66 anos.
“Fiquei empenhado”, destacou o morador da Feitoria, Roselio Gomes da Rosa, 60 anos, que chegou a ir para a parada de ônibus. Quando soube da greve, ele precisou de carro por aplicativo para conseguir buscar remédios na Farmácia Municipal, no Centro. “Se eu não tivesse o dinheiro do Uber hoje, não teria como sair de casa.”