A marca de produtos Rotermund, com quase 150 anos no mercado, deixou de ser produzida pela Estação Gráfica, do bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo, empresa com a qual mantinha parceria desde 2020 – ano em que a Associação Brasileira da Indústria Gráfica reconheceu a Rotermund como a gráfica mais antiga em atividade no País.
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Foto: Reprodução/Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
De acordo com o diretor comercial da Estação Gráfica, Conrado Andrade, a empresa havia assumido a parte financeira e industrial, e Renata Rotermund – bisneta do fundador Wilhelm Rotermund – permaneceu na parte comercial do negócio. Em maio de 2024, quando ocorreu a enchente histórica atingindo a Estação Gráfica, que precisou iniciar tudo do zero, estava ocorrendo a migração também da operação comercial. Renata faleceu em agosto do ano passado.
“Com a enchente e a morte da Renata ficou uma lacuna e decidimos não operar mais com a marca Rotermund, entregando esta parceria”, afirma Andrade.
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Parte da história
Segundo o diretor comercial, o último lote de produtos Rotermund foi produzido pela Estação Gráfica em novembro de 2025. “Produzimos e comercializamos produtos como agendas 2026, calendários, itens de coleção e impressos como blocos de recibos, livros-protocolo, entre outros materiais de papelaria. A marca Rotermund vinha ainda tendo forte ligação com a linha editorial, com impressão de livros.”
“É muito triste este desfecho. A marca Rotermund também faz parte da nossa história, é uma marca muito forte de São Leopoldo”, considera Conrado Andrade. “Meu avô foi empregado da Rotermund, essa marca está na nossa família”, observa.
A reportagem tentou, sem sucesso, contato com a família Rotermund. O espaço está aberto para manifestações.
Nova marca
Conforme o diretor da Estação Gráfica, que completa 25 anos em julho, a empresa vai seguir com uma nova marca no mercado: a Verrocchio, papelaria que deverá estar no mercado a partir do segundo semestre.
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Foto: Divulgação
História da Rotermund e seu fundador
Em publicação feita em 2019 nas redes sociais, o Museu Histórico Visconde de São Leopoldo falou sobre a atuação de Dr. Wilhelm Rotermund, uma das principais lideranças da comunidade alemã evangélica no Brasil, que viveu em São Leopoldo.
Rotermund nasceu na Alemanha, estudou teologia e logo fez doutorado. Na década de 1870, juntamente com sua esposa, emigrou para São Leopoldo. Tinha perfil empreendedor e para suprir uma demanda de educação adequada às famílias luteranas, começou a escrever, editar e imprimir cartilhas didáticas e livros para abastecer as escolas comunitárias.
Segundo o Museu Histórico, criou, também o Kalender für die Deutschen in Brasilien (Calendário para os Alemães no Brasil), publicação anual que trazia informações astrológicas com signos, estações do ano, feriados (alemães e brasileiros), poemas, histórias, mapas, fotos e anúncios. Acabou fundando uma gráfica, a W. Rotermund, para dar vazão às suas publicações.
Utilizou sua estrutura de impressão e, em 1880, passou a editar um jornal próprio, o Deutsche Post, que logo passou a alcançar todo o Sul do Brasil, tornando-se o principal veículo de notícias entre as comunidades evangélicas de fala alemã. Conforme o Museu, o jornal circulou por 48 anos, até o parque de impressão ser destruído em um ataque de motivações políticas em 1928.
Rotermund também articulou a fundação do Sínodo Rio Grandense, embrião que originou a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. Utilizou áreas de sua chácara, no Morro de Espelho, para instalar as instituições da igreja.