Deve ser definida, nesta quarta-feira (26), por meio de licitação, a contratação da equipe que atenderá no futuro Centro de Atendimento à Saúde (CAS) para o Transtorno do Especto Autista (TEA). Essa é a etapa que falta para a inauguração da nova estrutura, prevista para o meio de dezembro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsad) de São Leopoldo.
A titular da pasta, Kelbe Gonçalves, disse que a unidade será instalada em todo um andar de um prédio da Rua José Bonifácio, no Centro, e todo o mobiliário e equipamentos necessários para a sua operação já estão à disposição.
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Foto: Romeu Finato/Prefeitura
Contrapartida
“A gente ganhou todo o material pra fazer as terapias. O mobiliário foi um presente da Doctor Clin, em contrapartida pela construção do hospital dia no município. Foram quase R$ 250 mil que eles nos deram em exames – que tínhamos deficiência na rede – e materiais, de última geração. E ganhamos de outra empresa, que também deu contrapartida para o município, duas telas interativas de 65 polegadas, para as crianças poderem fazer as atividades. Então, vai ser um serviço bem completo”, projetou a secretária.
O CAS TEA será implementado dentro do Programa TEAcolhe, do governo do Estado, que custeará a equipe de profissionais que atuará na unidade. O Centro deve contar com psicólogo, psicopedagogo, gerente do serviço, terapeuta ocupacional e um médico, entre outros.
Kelbe lembrou que o início do trabalho em São Leopoldo foi possível por meio recursos vindos de emendas parlamentares.
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Projeto maior
A entrega do CAS TEA será o ápice de um projeto maior, voltado à Neuropediatria, que vem sendo executado pela Semsad no município há algumas semanas: o atendimento neuropediátrico diretamente nos bairros.
Por meio da ação, um profissional neuropediatra está se deslocando às unidades básicas de saúde, em um dia específico, para realizar consultas previamente agendadas com pacientes que já possuem vínculo com o posto e que aguardavam serem chamados para a primeira consulta com o profissional.
O projeto começou pela região Oeste da cidade, abrangendo as UBSs Paim e Vicentina, onde três ações já foram executadas. No total, 86 crianças daquela região devem ser atendidas nos próprios postos de saúde. Em seguida, a ação abrangerá, gradualmente, as demais 700 crianças e jovens do município que aguardam pela primeira consulta.
Grupo de trabalho multidisciplinar
De acordo com a Semsad, a experiência da secretaria demonstra que avaliações realizadas de forma isolada não garantem a qualificação necessária ao processo diagnóstico e terapêutico, especialmente em casos complexos. “Muitas dessas crianças apresentam hipóteses diagnósticas de TEA ou outros atrasos do neurodesenvolvimento, que requerem abordagem interdisciplinar e centrada na singularidade de cada paciente. O diagnóstico precoce e o manejo multiprofissional são determinantes para o prognóstico”, explica Kelbe.
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No território
Por isso, um grupo de trabalho multiprofissional foi criado, com profissionais da rede e do próprio território, a fim de criar uma nota técnica e alinhar o serviço. “A gente montou esse grupo de trabalho, que envolve a Unidade Básica com seus agentes de saúde. Eles vão na casa da criança, fazem um relatório de toda a estrutura familiar, levantam as informações, e aí o gerente da unidade, que é enfermeiro, coloca no sistema, no prontuário da criança, e aparece direto para o neuropediatra que vai atendê-la”, detalha a secretária.
Se a criança tiver encaminhamento da escola para a consulta, a Semsad também entra em contato com a Secretaria Municipal de Educação (Smed) para que possa enviar o documento atualizado e já constar também no sistema. Com toda as informações necessárias, a neuropediatra vai avaliar o paciente e indicar o melhor tratamento para o caso.
Segundo Kelbe, o neuropediatra também vai dar uma educação continuada para os médicos de família do território, a fim de tratar casos mais simples na unidade mesmo. “Porque com a territorialização, os médicos criam vínculo com os pacientes”, justificou, citando ainda que os agentes de saúde poderão fazer grupos com as mães, para auxiliá-las nas principais dúvidas.
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“Estamos montando uma linha de cuidado”

Foto: Divulgação
No caso do paciente avaliado precisar de maior suporte, ele será encaminhado pelo neuropediatra ao sistema Gercon, serviço de regulação do Estado, e, então direcionado ao CAS para fazer as terapias. Hoje, os pacientes são encaminhados a uma clínica particular, custeada pelo TeAcolhe, e que realizava cerca de 100 consultas por mês.
“Só que a demanda é gigante. Hoje, estamos montando uma linha de cuidado neuropediátrica no município. A gente está educando o médico de família, ele vai tratar e encaminhar aquilo que é necessário para o neuropediatra. O médico realmente vê a necessidade e encaminha para as terapias no CAS”, resumiu Kelbe sobre o processo que envolve o projeto da saúde leopoldense.