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PARA FORTALECER A REDE

"Nossa bandeira é a criança e o adolescente": Proame Cedeca completa 38 anos de atuação em São Leopoldo

Para celebrar a data, instituição deu início a duas formações

Priscila Carvalho
Publicado em: 11/03/2026 às 10h:44 Última atualização: 11/03/2026 às 10h:45
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Conhecido por ser o Dia da Mulher, o 8 de março também marca uma importante data na luta pela proteção de crianças e adolescentes leopoldenses: é o aniversário do Programa de Apoio a Meninos e Meninas (Proame) – Centro de Defesa da Criança e Adolescente (Cedeca) Bertholdo Weber.

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Diretora executiva do Proame Cedeca, Micheli Duarte, em frente à sede da entidade



Diretora executiva do Proame Cedeca, Micheli Duarte, em frente à sede da entidade

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

“Nossa bandeira é a criança e o adolescente, não importa o governo que esteja. Fazemos o controle social das políticas públicas. Então, estamos sempre dentro dos espaços de deliberação, somos conselheiros do Comdedica (Conselho Municipal da Criança e Adolescente), fazemos parte da coordenação do Fórum das Crianças e Adolescentes”, iniciou a diretora executiva da entidade, Micheli Duarte. “A gente tenta estar nesses espaços onde tem a discussão e deliberação de políticas, pra poder contribuir na construção e fazer o controle daquilo que precisa ser feito”, acrescentou.

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Equipe multi

Micheli destacou que o Proame é um centro de defesa diferencial da Região Sul do País. “São 24 centros de defesa no País, dentro do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Somos um dos primeiros, pois quando foi feita a constituição federal, em 1988, o Proame já estava nascendo; em seguida, em 1990, veio o ECA, e o Proame se torna um centro de defesa”.

A instituição leopoldense conta com uma equipe multi, que faz, além do atendimento, a promoção de direitos – atividades com grupos de jovens –, a proteção jurídico-social e, muitas vezes, o acompanhamento de situações chamadas emblemáticas. A equipe do local é formada por: dois assistentes sociais, uma psicóloga, uma assessora administrativa financeira, um advogado, um mobilizador de diversidade, um nutricionista, dois assessores de comunicação, dois intercambistas, sete agentes de diversidade e uma diretora executiva.

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Formações para fortalecer a rede

Também a fim de celebrar os 38 anos da entidade, duas formações estão sendo realizadas. A primeira, Proteção em Rede: Formação para Efetivar Direitos, iniciou na sexta-feira (6), no Auditório da Promotoria, no Ministério Público leopoldense. A ação conta com seis módulos e um total de 16 encontros, entre março e agosto, somando 104 horas.

“É para trabalhar todas as questões de violações de direito: como atender, qual o fluxo, se o fluxo está bem estabelecido, e saber encaminhar. Hoje, temos que cuidar para que o Estado não seja o violador, e isso acontece muito: as famílias ficam pipocando de um lugar para outro, ou não sabem quem procurar, ou não são bem acolhidos. Então, a ideia é qualificar o atendimento de São Leopoldo pra que a gente possa ser referência no atendimento à criança e adolescente”, justificou Micheli. “São Leopoldo tem muitos serviços, temos potencial muito grande, mas precisamos no qualificar, precisamos entender esses processos, a mudança da conjuntura social. Precisamos olhar pra isso”, complementou.

Resiste LGBTQIAPN+

A segunda formação começou na segunda-feira (9): Resiste LGBTQIAPN+: Criando redes de promoção e defesa de direitos da população LGBTQIAPN+, que terá 32 horas de duração em cinco módulos. Por enquanto, a atividade já está confirmada para duas turmas em São Leopoldo (em março e abril), uma em Pelotas (abril), uma em Santa Maria (maio) e uma em Alvorada (maio).

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“A ideia é fortalecer essas redes, as que existem e as que não existem – que possam ser construídas –, para poder qualificar o atendimento às pessoas LGBTs, para ter uma acolhida mais sensível, para saber questões que envolvam legislação, quem procurar, para onde encaminhar”, explicou Micheli, reforçando que a intenção é trabalhar com quem atua com essa população e possam entender que eles precisam ter um atendimento qualificado. Os recursos para a execução do projeto são oriundas de emenda parlamentar.

Ao final das formações, cartilhas serão produzidas e entregues aos participantes.

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Formação "Proteção em Rede" iniciou na sexta-feira (6), no Auditório da Promotoria



Formação “Proteção em Rede” iniciou na sexta-feira (6), no Auditório da Promotoria

Foto: Divulgação/Proame

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30 mil atendidos e aumento depois da enchente

A diretora executiva cita que em 38 anos de Proame, mais de 30 mil pessoas foram atendidas, sendo que após as inundações de 2024, a demanda aumentou muito. “Nossos atendimentos depois da enchente são muito fortes nas questões de violência sexual contra crianças e adolescentes e saúde mental”, afirmou.

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Muitas das denúncias chegam através dos espaços de acolhimento realizados pela entidade. “Nesses espaços, teve semanas que tivemos mais de duas violações por dia”, disse Micheli. Atualmente, mais de 300 crianças e jovens são atendidos por semana nesses espaços. “Acredito que a demanda aumentou pela enchente, mas também pelo nosso trabalho nas comunidades. Temos o espaço seguro feito em 12 escolas em 2025, semanalmente, de onde vieram muitas demandas”.

Podcast é um dos destaques da entidade

Um dos destaques do trabalho realizado pelo Proame é o podcast Proar, feito por jovens participantes, todas as sextas-feiras. “Foi um pedido da própria gurizada, de ter um espaço onde eles possam falar, se expressar, do jeitinho deles”, ponderou Micheli, ressaltando que a entidade busca trabalhar muito com o protagonismo juvenil. O projeto foi pensado junto às crianças e adolescentes participantes, que também pensam nas pautas abordadas e atuam na operação técnica da rádio, após formações para tal.

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“Esse é um espaço que deu muito certo”, avalia Micheli, lembrando que o recurso inicial veio a partir da inscrição do projeto em edital, mas que depois o Proame assumiu os custos, visto o resultado alcançado.



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Falta de recursos é o maior desafio

Atualmente, como analisa Micheli, a falta de verba é o maior desafio para que a entidade possa dar continuidade a seus projetos. “Estamos num processo de planejamento estratégico das nossas ações para mais três anos e um dos desafios mais fortes é a questão do recurso”, confirma. Segundo ela, as iniciativas sempre são pensadas para que possam ter sequência por longos períodos.

E isso normalmente ocorre por meio de doações, parcerias, Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, emendas parlamentares e a inscrição em muitos projetos, como o Criança Esperança.

Como buscar atendimento

Além de buscar contato a partir das escolas, interessados podem procurar o Proame pelas redes sociais (Instagram @proame.cedeca e Facebook Proame Cedeca); WhatsApp (51) 99345-5544; telefone (51) 3592-4553; e ainda diretamente na sede, que fica na Rua São Pedro, 968, e atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

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