Este é o terceiro aumento na tarifa em um ano e oito meses, sendo que o último acréscimo ocorreu em dezembro de 2024.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
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Conforme material encaminhado pela Prefeitura, o aumento foi de R$ 0,60 — R$ 2,53 a menos do que o valor solicitado pelo Consórcio Operacional São Leopoldo (Coleo), de R$ 7,78. Este valor foi possibilitado por meio de negociação com a Secretaria Municipal de Mobilidade e Serviços Urbanos (Semurb), conforme a titular Cladis Magnani.
“Trabalhamos para equilibrar os dois lados: da população, que não pode sofrer com um reajuste tão alto, e o das empresas de ônibus, que precisam manter os empregos e melhorar suas estruturas.” O diretor do Coleo, Eduardo Vieira Steckert, ressalta que a empresa tem enfrentado dificuldades financeiras desde a época da pandemia de Covid-19, que foram acentuadas pela enchente de 2024. Em 2019 eram um milhão de pessoas utilizando o transporte público da cidade, já em 2021, esse número caiu para 331 mil e, hoje, é de 498 mil usuários por mês.
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Outros fatores
“Durante a enchente, a operação foi interrompida por alguns dias e, em outros, realizada com um número reduzido de veículos. Após esse período, observou-se uma mudança no padrão de deslocamento da população, especialmente daqueles que residiam em áreas mais afetadas e que não retornaram às suas moradias”, afirma Steckert.
“Como muitos desses usuários dependiam do transporte coletivo, houve uma redução significativa na demanda, que até hoje não normalizou, considerando também os efeitos que infelizmente abateram na economia da cidade, impactando diretamente a receita das empresas”, continua.
Elevação dos custos
O diretor do Coleo ressalta, ainda, que a empresa mantém financeiramente seus serviços apenas com o pagamento das tarifas, lidando também com outros custos. “Além da significativa queda no número de passageiros, o transporte público coletivo urbano nacionalmente enfrenta dificuldades, como a elevação expressiva dos custos operacionais, principalmente os combustíveis, manutenção da frota e folha de pagamento. É importante destacar que o sistema de São Leopoldo é custeado exclusivamente pela tarifa, sem receber qualquer tipo de subsídio.
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Passageiros reclamam do novo reajuste: “Abusivo”
Nas paradas, a maioria dos passageiros mostrou indignação com o novo aumento.
Moradora do bairro Feitoria, Raquel Santos pega ônibus todos os dias para o trabalho, no setor administrativo de uma loja no Centro. Ela opina que o preço da passagem está caro e o aumento assustou ela e os colegas. “Acho bem desnecessário. A gente ficou apavorado. Não esperávamos por esse reajuste assim”.
A estudante Sara Guedes Batista, 18 anos, mora no bairro Santos Dumont e usa o transporte coletivo toda semana para ir à escola. “A passagem está muito cara. Acho que deveria baixar um pouco, porque tem gente que às vezes não tem condições de pagar o ônibus”, ponderou.
Andreza da Silva, 22 anos, utiliza ônibus para vir do Jardim Luciana até o bairro São Miguel, onde trabalha. Neste domingo, ela e o irmão Eduardo, 11, aguardavam o transporte para ir pra casa. “É um aumento bem abusivo. Acho muito caro e o ônibus nem tem tanta qualidade, demora pra vir. Se ainda compensasse o valor de R$ 5,85, mas não está compensando. Domingo, por exemplo, o ônibus vem só de hora em hora”, reclamou.
A morosidade para agilizar pendências é outro problema apontado por Andreza: a família aguarda contato do Coleo para renovação do cartão de Eduardo, que é autista. “A cada dois anos tem que renovar. Mas é uma função, eles cobram toda uma burocracia. Minha mãe está esperando eles chamarem já faz mais de dois meses”.
Sobre a situação, o Coleo se manifestou informando que “existe uma lei municipal a qual o município se baseia para garantir o acesso ao passe livre”. O Consórcio ponderou ainda que apenas confecciona os cartões, aguardando autorização do município para poder realizar o mesmo.
*Colaborou: Priscila Carvalho