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PROBLEMA QUE SE REPETE

Obra de nova ETE leopoldense causa transtornos em ruas do Morro do Espelho

Moradores reclamam de buracos, pedras e bueiros obstruídos; Semae diz que está tomando medidas cabíveis contra a empresa executora dos serviços

Priscila Carvalho
Publicado em: 08/04/2026 às 12h:09 Última atualização: 08/04/2026 às 12h:09
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A baixa qualidade na execução das obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Pradinho pelas ruas do bairro Morro do Espelho, em São Leopoldo, fez com que o Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) tomasse medidas contra a empresa Encosan Engenharia, Construções e Saneamento. Entre elas estão notificação e aplicação de multa.

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Moradores reclamam dos transtornos, como buracos nas vias, obstruções nas calçadas, em frente a garagens e de bueiros, e alegam que não foram informados do avanço dos serviços.



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Em quatro bairros

O projeto da ETE Pradinho tem investimento de R$ 76 milhões. A obra completa inclui a execução de 32,1 quilômetros de redes coletoras de esgoto cloacal, com 4.560 ligações, e deve beneficiar diretamente cerca de 18.300 moradores, segundo o Semae.

A primeira etapa, já contratada, envolve a construção das redes coletoras. Os trabalhos – que já estavam em andamento em outros três bairros da cidade, Cristo Rei, Fião e Vicentina – começaram a ser realizados no Morro do Espelho no fim de janeiro. De lá para cá, diversas ruas já receberam as equipes, que executam o assentamento das redes.

Andamento

Conforme a autarquia, no bairro Cristo Rei ainda há pequenos trechos restantes para serem feitos, “visto que é necessário um equipamento específico devido a altura das escavações”. Na Vicentina, está faltando o último trecho, “o qual levará todo o esgoto executado até a elevatória de esgoto bruto”. No bairro Fião, ainda haverá a execução de maiores intervenções, com novas redes.

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A segunda etapa da obra será composta pela Estação de Tratamento de Esgoto, uma elevatória de esgoto e a linha de recalque. O Semae informou que essa fase “encontra-se em licitação, tendo previsão de início no segundo semestre”.

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“Não somos contra, mas nos dê o plano”

Assim como no bairro Cristo Rei, por onde os serviços iniciaram, causando problemas em diversas ruas e gerando a indignação de moradores, as intervenções têm gerado diversos transtornos no bairro Morro do Espelho.

Presidente da Associação de Moradores do Bairro Morro do Espelho, Adriana Alves disse que além de buracos nas ruas, muito barro e consequentes alagamentos, o que incomoda é a falta de planejamento da obra. “Ela foi iniciada sem dar aviso à população do bairro sobre o que ia acontecer e por onde iam começar”.

Boa parte das ruas do bairro tem pavimentação de paralelepípedo. Adriana conta que, para a execução do serviços, vários buracos foram abertos, as pedras retiradas e deixadas, junto com terra, próximas ao meio-fio e sobre as calçadas, muitas vezes, obstruindo bueiros. Com isso, a cada chuva mais forte, as vias eram tomadas por barro e alagadas pela falta de escoamento da água. Na forte chuva registrada no dia 17 de março, casas foram invadidas pelos alagamentos.

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Além disso, as escavações provocam rompimentos de rede, o que ocasiona desabastecimento frequente na região. Segundo a presidente, vários protocolos foram feitos no Semae e a Associação solicitou uma reunião com a autarquia, o que ainda não ocorreu. “Nós não somos opositores dessa obra. Ela é necessária porque faz parte de lei federal de saneamento. Não somos contra, mas nos dê o plano para toda cidade. Não existe nem placa dizendo o que está sendo feito nas ruas”, indigna-se Adriana.

Moradora da Rua Pastor Ehlers, Tecla mostra como ficou a frente da sua casa: com a passagem para carros praticamente bloqueada



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Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

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Com bueiros obstruídos, água invadiu casas

Uma das ruas mais prejudicadas pelos serviços é a Pastor Ehlers. Nela, vários montes de paralelepípedos são vistos nas calçadas e na beira da via, que apresenta grandes valetas em vários pontos e bueiros obstruídos por terra.

Um dos piores pontos está em frente a casa de Tecla Blanco, 81 anos, onde há uma grande valeta, pedras fundas e muita terra. “Eu não dirijo mais, mas minhas filhas vêm, fazem rancho comigo, mas para entrar o carro aqui é muito ruim”.

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Algumas casas abaixo, a publicitária Aline Brandt precisou realizar ela própria a retirada de terra e pedras da frente de sua garagem para poder sair. O terreno onde ela mora faz fundos com a casa do pai, Norberto Brandt, 88 anos, que tem entrada pela Rua Desembargador Melo Guimarães, via que enfrenta os mesmos problemas.

“Na chuva do dia 17 de março, aconteceu de vir água da rua de cima, que é onde meu pai mora, e como os bueiros estão obstruídos com os paralelepípedos, a água não consegue escoar. A água entrou pelo pátio, pelo terreno todo e dentro da minha casa”, lembra Aline.

“Foi um caos. Aqui, bem onde estão as pedras, tem um bueiro para o escoamento de água. Está tudo tapado, não tem como a água da chuva ir embora”, completa Norberto.



Multa foi aplicada à empresa, diz Semae

Conforme o Semae, devido à baixa qualidade dos serviços apresentados pela empresa executora, principalmente devido a questão de limpeza e organização das frentes de trabalho da obra, foi aplicada um multa de R$ 50 mil à empresa, que ainda pode apresentar defesa.

“Intensificamos a fiscalização, aplicamos penalidades à empresa e estabelecemos um prazo de 50 dias para que todas as intervenções em vias de pedra irregular sejam concluídas — sendo que já se passaram 20 dias”, afirmou a presidente da autarquia, Cladis Magnani, a Cacau.

“Também foi determinado que qualquer nova intervenção nesse tipo de via só poderá ocorrer mediante autorização expressa da fiscalização, após reavaliação técnica e alinhamento rigoroso com a empresa responsável”, acrescentou.

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“A população merece respeito”

Cacau também reconheceu que o nível de qualidade apresentado até aqui está muito abaixo do esperado e que essa situação preocupa o Semae. “Essa é uma obra iniciada ainda em 2024, de grande importância dentro do marco regulatório do saneamento, mas nada justifica a baixa qualidade e os transtornos causados. Sabemos o quanto essa situação tem afetado o dia a dia das famílias”, lamentou.

“Estamos ao lado da comunidade, inconformados com o que vem sendo apresentado e firmes na cobrança para que a empresa corrija, com urgência e qualidade, tudo o que foi feito de forma inadequada. A população merece respeito e é isso que vamos exigir”, concluiu a presidente.

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