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SÃO LEOPOLDO

Semae busca agilizar obras da ETE Pradinho, que deve beneficiar mais de 18 mil moradores

Serviços chegam à Vicentina e Fião, mas moradores do Cristo Rei ainda apontam problemas após quase um ano de trabalhos

Priscila Carvalho
Publicado em: 22/07/2025 às 13h:22 Última atualização: 22/07/2025 às 13h:22
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As obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Pradinho seguem avançando na cidade. Na última semana, as equipes da empresa responsável pelos trabalhos de extensão das redes seguiram para ruas de mais dois bairros de São Leopoldo.

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“A gente já está com uma frente na Vicentina e estamos iniciando no Fião também toda essa parte das redes, que vão chegar depois na ETE do Pradinho. Então, estamos com três frentes de trabalho: Vicentina, Fião e Cristo Rei”, afirmou o diretor-geral do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae), Gabriel Dias, reforçando que as intervenções no bairro Cristo Rei, o primeiro a receber a obra, continuam. Os serviços são feitos pela empresa Encosan Engenharia, Construções e Saneamento.

“O projeto não é por bairro, é pela bacia inteira. A frente de trabalho vai avançando, então, aonde já pode ir fazendo rede, já vai fazendo”, comentou.

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Obras da ETE Pradinho chegaram à Vicentina na última semana



Obras da ETE Pradinho chegaram à Vicentina na última semana

Foto: Geisi Vargas/Semae

Empenhos

A obra completa inclui a execução de 32,1 quilômetros de redes coletoras de esgoto cloacal, com 4.560 ligações, e beneficiará diretamente cerca de 18.300 moradores, segundo o Semae. A primeira etapa, já contratada, envolve a construção das redes coletoras, enquanto a segunda, ainda a ser licitada, contempla a ETE Pradinho – e a Estação de Bombeamento de Esgoto (EBE) na Avenida João Alberto, em frente à ETE Vicentina já existente.

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O projeto inteiro, incluindo todas as etapas, tem investimento de R$ 76 milhões – sendo R$ 30 milhões já liberados para a etapa 1, que vem sendo feita. Em fevereiro, Gabriel Dias esteve em Brasília para solicitar a liberação de mais recursos para este projeto. Naquela época, era necessário empenhar R$ 9 milhões para realizar os pagamentos à Encosan. Os empenhos foram feitos, mas o recurso ainda não foi enviado pelo Ministério das Cidades para a Caixa.

Do total empenhado, o Semae aguarda a vinda de cerca de R$ 2,5 milhões para pagamento à construtora. “Já fizemos pedido. Estou em contato com o chefe de gabinete do Ministério das Cidades, para que eles enviem esse dinheiro para cá o quanto antes”, comentou Dias, detalhando que o valor é referente a trabalhos já feitos pela empresa e entregas que ainda devem ser feitas até o fim deste mês.

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Moradores indicam vários problemas no Cristo Rei

No bairro Cristo Rei, que segundo o Semae, tem 75% das obras concluídas, ninguém discute a importância da instalação da ETE Pradinho para a cidade, mas a quantidade de transtornos que os serviços vêm causando, motiva reclamações.

A obra iniciou ainda em agosto do ano passado no bairro, com máquinas abrindo ruas, trocando tubulações, fazendo novas ligações de ramal, entre outros serviços. A maneira com que ela tem sido entregue, porém, incomoda. Moradores apontam falta de sinalização e de qualidade na entrega, com diversas ruas ficando com buracos, desníveis, pedras soltas, terra, “quebra-molas”, entre outros, após a conclusão do trabalho.

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Eles também citam o desconhecimento sobre o que engloba o projeto no bairro e lamentam os constantes vazamentos, por perfurações na rede durante a execução da obra, o que deixa economias sem água no bairro frequentemente. A Associação de Moradores do Bairro Cristo Rei alega que tem sido recebida pelo Semae e pela Encosan, mas que não observa retorno prático, de ações nas ruas, como ajustes e finalização nos lugares onde a obra já passou.

Representantes da associação ponderam que uma das respostas recebidas é de que tudo será feito quando a obra for concluída, em 3 anos, porém, esse tempo não é aceitável pela quantidade de problemas. “A gente não é contra a obra, muito antes pelo contrário: é uma obra necessária. O que não nos conformamos é que vai chegar há um ano e não se resolvem os problemas, ficaram muitas coisas para trás”, alega o presidente da associação, Glauco Dias Jorge.

Entre as ruas com mais problemas observados estão: Regina Mundi, Padre Ambrosio Schupp, Padre Antônio Ruíz de Montoia e Cristo Rei.

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“Não vemos melhora”, diz presidente da associação

Moradora da Rua Padre Ambrosio Schupp, Márcia Suzano Wilborn ressalta que a via foi uma das primeiras a receber as obras, mas ainda tem pendências. “Tem caixa de passagem que chega a estar 15 centímetros mais alta do que a rua, isso pode estourar um pneu. E a rua está cheia de areia”.

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“Segundo engenheiro da Encosan, essa limpeza vai ser feita no final da obra, daqui 3 anos. É impossível”, reclama o vice-presidente da associação, Adelino Vargas Barbosa.

“Estamos com problema, ele é fático, ele existe, muitos moradores estão extremamente descontentes, e a gente não vê uma resposta para isso. Não vemos melhora”, enfatiza Glauco, mencionado ainda todas as ações já feitas pela associação. “Nós estamos com ação no Ministério Público, trouxemos 2 vereadores aqui, denunciamos o problema, fomos na Câmara, teve uma audiência pública, conversamos com o pessoal da Encosan. Mas não muda nada”.

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Semae reconhece problemas

O diretor-geral do Semae, Gabriel Dias, reconhece alguns dos problemas apontados pelos moradores. “Nós concordamos com eles, por isso que notificamos a empresa já cinco vezes esse ano, para que ela refaça ou faça o que precisa ser feito”, colocou, ponderando que a obra ainda não está entregue no bairro, e quando for, uma verificação completa será feita. “Tudo que tiver sujeira, que não estiver pronto, a empresa vai ter que fazer, se não, eles não vão estar cumprindo o contrato (…). Assim que eles forem terminando o Cristo Rei, já vai ser feito toda essa conferência da parte estética”.

Gabriel destaca que o Semae avançou em ações no local, como na contratação de empresa especificamente para fazer a fiscalização da obra, junto com a equipe da autarquia.

Uma das dificuldades relatadas por ele é o fato de que o cadastro técnico do Semae, que aponta onde estão as redes em cada bairro, é antigo e está desatualizado. Por isso, quando a empresa abre ruas, às vezes acaba afetando uma rede e causando vazamentos. “Estamos tentando mitigar isso, com um engenheiro nosso na obra junto, que já fica atualizando o cadastro técnico nessas redes antigas”.

O Semae também aponta que a empresa está com dificuldade de encontrar calceteiros para colocação dos paralelepípedos em ruas afetadas.

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Reunião com a Caixa para avaliar execução e contrato

Nos próximos dias, Semae e Caixa devem ter um encontro para falar sobre as obras. A reunião, segundo Gabriel, já estava programada e foi motivada pelos problemas que vêm sendo relatados na execução do contrato da ETE Pradinho e também em outros contratos com a Caixa. “Vamos passar tudo pra eles, o que tá acontecendo nesse contrato, e, a partir dessa conversa, vamos decidir o que vai ser feito”, disse o diretor-geral, comentando que o tema está sendo tratado com cautela.

“Não podemos correr o risco de desclassificar a empresa e perder o projeto, porque ele vai dar um salto de qualidade no tratamento de esgoto, de saneamento, para a cidade. E a gente sabe: tudo que se investe em saneamento, se economiza em diversos pontos, principalmente em saúde”, completou.

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Autarquia avalia contas com faturas alteradas

Há algumas semanas, moradores do Cristo Rei também notaram que as faturas de água vieram mais altas. A Associação enviou um ofício ao Semae, relatando alterações nas contas de 10 usuários no bairro. Segundo a autarquia, todos os casos foram avaliados individualmente.

“Todos os moradores que nos mandaram, nós fizemos avaliação e já entramos em contato com eles. Na maioria, a gente não registrou nenhuma anomalia que fosse considerável, estavam dentro da média. Alguns foi constatado vazamento e já foi indicado fazer a procura desse vazamento, para que fosse sanado o problema. Mas nenhum deles deu uma discrepância tão grande a ponto de ter o indício de que estão pagando por alguma outra questão”, explicou Gabriel, confirmando que as análises dos técnicos do Semae serão enviadas à Associação de Moradores.

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