A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP/RS) apresentou, no início do mês de julho, os números dos indicadores criminais do primeiro semestre de 2025. Mais uma vez, a região de cobertura do Jornal VS foi destaque com as cinco cidades – São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Capela de Santana e Portão – apresentando queda na maior parte dos crimes.
Em São Leopoldo, a expressiva redução nos números de homicídios e de roubos de veículos em comparação com o mesmo período do ano passado fizeram da cidade exemplo de boas práticas de segurança em reuniões do Programa RS Seguro, no Palácio Piratini, em Porto Alegre.

Foto: Valentim Torres/ Brigada Militar
Em junho, o encontro, que reúne lideranças de todo o Rio Grande do Sul, destacou a redução nos homicídios, tendo São Leopoldo como modelo no combate a este tipo de crime. Em seis meses, o Município contabiliza três homicídios. O último caso do primeiro semestre foi no dia 30 de março.
De janeiro a junho de 2024 haviam sido 13 assassinatos na cidade. No encontro de julho, realizado dia 10 autoridades leopoldenses foram convidadas a falar sobre as boas práticas na repressão e prevenção ao roubo de veículos. No primeiro semestre de 2025 foram 44 ocorrências na cidade, contra 80 no mesmo período de 2024.
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Além dos homicídios e roubos de veículos, o Município apresentou queda nos casos de feminicídios, furtos, furtos de veículos e roubos, incluindo os roubos a pedestres. Somente casos de estelionato cresceram na cidade na comparação com o primeiro semestre do ano passado.
“Os números também são muito positivos nos roubos a estabelecimentos comerciais. Estamos com 16 fatos neste ano, um a mais do que no ano passado, quando tivemos 15 fatos no mesmo período. É importante salientar que na grande maioria desses roubos não houve emprego de arma de fogo, o que nos leva a crer que temos menos armas circulando”, analisa o diretor da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, o delegado Eduardo Hartz.
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Para o delegado, a manutenção na redução dos indicadores criminais em São Leopoldo é resultado de uma soma de fatores. “A integração entre os órgãos de segurança pública e demais instituições como Ministério Público e Poder Judiciário tem sido fator fundamental para a conquista dos resultados. Além disso, a participação da comunidade através de denúncias também colabora muito para a elucidação de crimes, que possibilita, por vezes, a representação pela prisão de autores de crimes violentos”, diz.

Foto: Reprodução
“A manutenção das prisões, com base em provas robustas, são fundamentais para a redução dos indicadores criminais. As reduções têm se consolidado ao longo dos meses e anos, o que demonstra que as estratégias adotadas têm dado certo”, completa.
Segundo Hartz, as reuniões entre as instituições do Município ocorrem todos os meses. Nelas são analisados os indicadores criminais, identificadas as boas práticas e, a partir dos dados consolidados, traçados os objetivos e estratégias a serem adotadas para o mês seguinte.
“Sabe-se que diversos fatores influenciam na queda ou no aumento dos indicadores criminais. Um deles é o monitoramento de autores reincidentes nos crimes violentos, com o acompanhamento da manutenção das suas prisões ou eventuais concessões de liberdade ou progressão de regime”, explica.
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O delegado frisa, também, a importância no combate ao crime organizado sobretudo com a responsabilização das lideranças que estão no sistema prisional, para a manutenção dos bons índices. “Além de responsabilizar os autores diretos ou imediatos, aqueles que estão nas ruas diretamente comentando os crimes, as investigações têm foco, também, na responsabilização dos mandantes ou autores mediatos, que estão no sistema prisional”, destaca.
Inteligência, barreiras em pontos estratégicos e integração
Subcomandante do 25º Batalhão de Polícia Militar (25º BPM), o major Juliano Antonio Giboski, destaca o trabalho da inteligência, a realização de barreiras em pontos estratégicos e a integração entre as forças de segurança como os fatores principais para a manutenção na queda nos índices criminais de São Leopoldo nos últimos anos.
“A gente entende que alguns fatores por parte da Brigada são responsáveis por essas reduções. Primeiramente, a utilização do nosso efetivo de forma qualificada. Através das ferramentas de inteligência que a gente tem, a gente consegue empregar o nosso pessoal nos locais mais sensíveis, dando maior atenção àqueles pontos em que há maior probabilidade de acontecer os delitos”, esclarece.
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“Nesta esteira, a gente trabalha com abordagens qualificadas. Por exemplo, nos roubos de veículos, a gente conseguiu reduzir muito este indicador através da nossa inteligência, que todos os dias compartilha carros e placas em situações de furto ou roubo e nosso pessoal faz abordagens a estes modelos e cores de veículos, o que propicia as prisões destes indivíduos por receptação ou pelo próprio roubo dos veículos”, diz.
Além disso, o major destaca a integração com outras forças como Polícia Civil, Polícia Penal e o Corpo de Bombeiros como ponto fundamental para o resultado positivo no combate ao crime.
“Trabalhando juntos, com troca de informações, chegamos ao patamar, em alguns índices, tão baixos que a gente consegue acompanhar delito por delito. Hoje, por exemplo, se acontecer um homicídio, a gente pode dedicar grande parte da nossa atenção a este delito. O que resulta que logo a gente consegue chegar nos autores destes crimes”, comenta.
Informação é a melhor forma de prevenção aos estelionatos, aponta delegado
Dentre os indicadores analisados no levantamento mensal do Estado, São Leopoldo apresentou alta apenas nos casos de estelionato. De janeiro a junho de 2025 foram 987 ocorrências deste tipo de crime na cidade, contra 884 no mesmo período do ano passado. Para o delegado Hartz, o aumento no uso das plataformas digitais a partir da pandemia tem colaborado para a prática dos estelionatários.
“Com a pandemia houve um incremento no uso de plataformas digitais, seja para reuniões, compras, entretenimento e outros. Essa massificação do uso da internet trouxe também um terreno fértil para a prática de estelionatos. Uma característica desse tipo de crime é a possibilidade da prática a distância, sendo comum a prática de estelionato por alguém que esteja até mesmo fora do país contra uma vítima aqui no Município”, diz.
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“Em relação a este tipo de crime, a melhor forma de prevenção é a informação a respeito dos golpes que surgem, principalmente no ambiente virtual”, completa o delegado. Como forma de prevenção, Hartz chama a atenção para o cuidado com, pelo menos, quatro aspectos: receber chamada de pessoa estranha, esse estranho oferecer uma vantagem, para a obtenção da vantagem pela vítima, o estelionatário solicitar uma ação por parte da vítima (fazer um pix, fornecer dados pessoais, fornecer dados bancários, senhas, pagar algum boleto fornecido pelo estelionatário) e, por último, o não atendimento ao solicitado acarretar a perda ou a não concretização da vantagem. Por exemplo: para o recebimento de um crédito, é preciso fazer um depósito de algum valor a título de taxa, custas, etc.
“Importante dar-se conta de que nada é tão urgente que não possa aguardar algumas horas ou dias para que a vítima possa confirmar com alguém a veracidade do conteúdo da chamada”, alerta Hartz.