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MORTAS EM INTERVALO DE 8 DIAS

Gêmeas de Igrejinha: Mãe acusada de matar meninas de 6 anos irá a júri após decisão da Justiça; entenda

Conforme denúncia do Ministério Público, ambas foram encontradas mortas em casa, com sinais de asfixia, enquanto estavam sob os cuidados exclusivos da mãe

Publicado em: 18/07/2025 às 15h:19 Última atualização: 14/10/2025 às 13h:51
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Acusada de matar as filhas gêmeas Antônia e Manuela Pereira, então com 6 anos, Gisele Beatriz Dias irá a júri. Os crimes aconteceram em um intervalo de oito dias, em 7 e 15 de outubro do ano passado. Ainda não há data para o julgamento.

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Gisele ao lado das filhas Manuela e Antônia em uma das raras aparições dela com as crianças nas redes sociais | abc+



Gisele ao lado das filhas Manuela e Antônia em uma das raras aparições dela com as crianças nas redes sociais

Foto: Redes sociais

O Juiz de Direito Diogo Bononi Freitas, da Vara Criminal da Comarca de Igrejinha, decidiu que a mãe das meninas será levada a julgamento pelos crimes de duplo feminicídio qualificado, denunciação caluniosa e por submeter crianças a vexame e constrangimento. O magistrado reconheceu indícios suficientes de que as crianças foram mortas por asfixia.

Conforme denúncia do Ministério Público, ambas foram encontradas mortas em casa, com sinais de asfixia, enquanto estavam sob os cuidados exclusivos da mãe. A motivação, conforme sustentado pelo MP, teria sido passional, relacionada a ciúmes e desejo de vingança contra o ex-companheiro, pai das crianças.

Em 25 de abril deste ano, foram ouvidas 25 testemunhas, entre elas médicos, peritos, psicólogos, policiais, vizinhos, familiares e professores. Os depoimentos indicaram um padrão de comportamento emocionalmente frio, dependência química e distanciamento da ré em relação às filhas, além de instabilidade psicológica, episódios de surto e histórico de internações psiquiátricas.

Profissionais da saúde mental relataram que a acusada demonstrava afeto apenas por um filho falecido e chegou a afirmar que “as meninas ficariam bem sem ela”. O filho mais velho de Gisele, Michel Percival Pereira Júnior, foi morto a tiros em novembro de 2022 em Santa Maria.

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Embora os laudos médicos não tenham sido conclusivos quanto à causa exata das mortes, os sinais nos corpos e os depoimentos técnicos apontam para asfixia por sufocamento. “É extremamente improvável que duas crianças saudáveis morram de forma súbita, com sintomas compatíveis com asfixia, em curto intervalo de tempo, sem qualquer evidência de doença”, ressalta o juiz.

O que diz a defesa

A defesa de Gisele, representada pelo advogado José Paulo Schneider, diz que apresentou um recurso, que ainda deverá ser julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJRS). Neste momento, o recurso aguarda manifestação do Ministério Público. O advogado alega que é “inadmissível” a rejeição do exame de sanidade mental da ré. A defesa destaca, ainda, que Gisele é uma “mulher doente e cuja sofrida história de vida tem sido ignorada pela justiça pública”.

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Em nota, o advogado Fábio Fischer, que faz a assistência à acusação em nome do pai das gêmeas, Michel Persival Pereira, pontua que o desejo do genitor é que o julgamento seja realizado com a “maior brevidade possível para que seja feita a Justiça à memória das filhas”.

Relembre o caso

No dia 7 de outubro, Manuela Pereira foi levada já sem vida ao Hospital Bom Pastor, em Igrejinha. No dia 15 de outubro, sua irmã morreu de forma semelhante. Assim, o que parecia uma fatalidade, se transformou em um complexo caso de polícia. A mãe foi presa da data da morte da segunda menina.

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O pai das gêmeas, Michel Percival Pereira, de 43 anos, prestou mais de um depoimento na Delegacia de Igrejinha. A Polícia descartou a participação dele.

Gisele ficou internada na ala psiquiátrica do Hospital Bom Pastor em setembro e recebeu alta cerca de uma semana antes da morte de Manuela. Após as mortes das gêmeas, a Polícia ouviu servidores da casa de saúde, que relataram que a mulher tinha uma conduta “perversa” em relação às crianças.

“Somente demonstrava emoção e interesse em relação ao filho já falecido, demonstrando indiferença no que diz respeito às filhas, principalmente às meninas que conviviam com ela”, disse o delegado em um vídeo divulgado no dia 18 de outubro do ano passado. 

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Em janeiro, a mãe se tornou ré pela morte das filhas. Ela responde por duplo feminicídio qualificado.

Em fevereiro, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) concluiu a análise nos corpos de Antônia e Manuela. A investigação suspeitava que as irmãs tinham sido envenenadas. No entanto, o laudo aponta que não foi possível detectar a substância que causou as mortes. Foram testados cerca de 350 materiais, incluindo venenos e medicações, e todas as análises laboratoriais deram negativo.

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Segundo o IGP, a necropsia revelou que as mortes foram provocadas por um processo de asfixia, mas a forma como aconteceu não pôde ser especificada. 

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