A Praça do Imigrante, de São Leopoldo, recebeu na tarde desta sexta-feira (26) a Segunda Semana do Migrante e Refugiado de São Leopoldo. O evento contou com apresentações artísticas que celebraram a cultura e a diversidade de pessoas migrantes e refugiados, além de uma feira de empreendedores com exposição e comercialização de produtos.
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De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), Patrícia Giacomini, o evento significa muito para o município, pois demonstra o comprometimento e responsabilidade da pasta, além de implicar na construção de políticas públicas efetivas para migrantes e refugiados.
“É um marco que ficou na cidade e que nós procuramos aprimorar a cada ano, junto à organização da sociedade civil, secretarias públicas, órgãos internacionais, o próprio Comirat, a Unisinos, a Unhcr que têm sido parceiras nesse movimento e reconhecimento”, disse Patrícia.
Casa de Passagem e Centro de Convivência
Conforme a secretária, o município avançou na consolidação de políticas públicas voltadas ao acolhimento e proteção social para migrantes e refugiados, aderindo à Operação Acolhida e está em fase de implementação do Plano de Ação, que prevê a criação de uma Casa de Passagem e de um Centro de Convivência para Migrantes e Refugiados.
A implantação dos serviços está em andamento. O edital de contratação de OSC para a Casa de Passagem já foi encerrado e encontra-se na fase de avaliação das propostas, com a divulgação da entidade selecionada prevista para os próximos dias. Já o edital para o Centro de Convivência permanece aberto, para que organizações da sociedade civil interessadas possam participar do processo de seleção.
A Casa de Passagem será um espaço de acolhimento temporário para pessoas em situação de vulnerabilidade, enquanto o Centro de Convivência terá como objetivo promover integração, orientação, fortalecimento de vínculos e acesso aos serviços públicos, contribuindo para a autonomia de migrantes e refugiados.
O Centro de Convivência será instalado em uma casa localizada ao lado da Churrascaria Querência, na Rua Saldanha da Gama, no Centro. Já a Casa de passagem a Prefeitura optou por não divulgar o endereço por questões de segurança.
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Passos significativos
Para o presidente da Casa dos Imigrantes e Refugiados do Rio Grande do Sul, Kanhanga, 43 anos, natural da Angola, o evento é a demarcação de um espaço para trazer visibilidade para a Semana do Imigrante. “O Dia Nacional do Imigrante foi celebrado no dia 25 de junho, que é uma data que a gente precisa cada vez mais trazer um diálogo, uma construção, um debate sobre o que a gente tem feito no que diz respeito aos imigrantes.”
Kanhanga acredita que tanto o poder público, quanto as iniciativas privadas precisam trabalhar juntos para pensar em alternativas de fazer com que os imigrantes cheguem no município e encontrem um direcionamento. “Que tenham uma alternativa, onde possam encontrar um espaço que possam se desenvolver e recomeçar suas vidas.”
Público aprova
A empreendedora Clodia Pierre, 25 anos, natural do Haiti, achou o evento muito i9mportante, pois, segundo ela, muitas pessoas não conhecem a cultura do povo imigrante. “É bom, por exemplo, para experimentar as comidas para saber que nós também temos coisas boas para compartilhar e mostrar de onde viemos. A tarde estava maravilhosa, fui de mesa em mesa degustando as comidas de outros países.”
A estudante Johane Geneste, 25 anos, natural do Haiti, achou o evento importante para lembrar de onde essas pessoas saíram e onde querem chegar. “Também é fundamental para empreender para termos a nossa renda e ajudar na economia do Brasil.”
Venezuela
No evento esteve presente o líder comunitário venezuelano Hector Lopez, que comentou após o terremoto que atingiu a Venezuela, conseguiu entrar em contato com a família depois de três horas, devido à falta de eletricidade. “Foi um momento bem tenso, pois não sabíamos como estavam as nossas famílias. O meu pai mora na capital, região mais impactada,mas graças à Deus no prédio dele não aconteceu muita coisa, mas próximo ao prédio dele sim caíram.”
Segundo ele, o psicológico da família está muito abalado com tudo o que aconteceu e com o que viram. “Outras pessoas perderam tudo, inclusive familiares, que é o mais difícil do que qualquer outra coisa, mas a minha família está bem, estou me comunicando com eles a cada uma ou duas horas para saber como estão, se precisam saber de alguma coisa, mas tem muita gente ajudando com água, comida e insumos.”
Imigrantes em São Leopoldo
De acordo com a Psicóloga Diretoria de Direitos Humano da Sedes e presidente do Comirat São Leopoldo, Vilene Moehlecke, em São Leopoldo há cerca de 1.500 imigrantes e que a principal base de dados utilizada é o Cadastro Único (CadÚnico), que atualmente registra aproximadamente 900 migrantes e refugiados venezuelanos. Além disso, no município também tem cubanos, haitianos, senegaleses, argentinos, uruguaios, angolanos, paraguaios, peruanos, equatorianos entre outros.
Venezuelanos em Esteio
A prefeitura de Esteio divulgou que, de acordo com o último levantamento do Censo, realizado em 2024, cerca de 1.400 venezuelanos vivem na cidade. O município está formalizando uma parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) para a realização de um novo censo da população migrante.
Em 2026, o Espaço Mundo já realizou 894 atendimentos, dos quais 528 foram destinados a cidadãos venezuelanos. A média de atendimentos é de aproximadamente 149 por mês, e, no mesmo período, 123 novos migrantes, entre venezuelanos e cubanos, passaram a residir no município.
A avaliação da equipe é de que a baixa procura por informações sobre o terremoto está relacionada ao perfil da comunidade venezuelana residente em Esteio. A maioria dos migrantes atendidos é oriunda dos estados de Sucre, Anzoátegui e Bolívar, regiões que não foram diretamente atingidas pelo abalo sísmico.
Em relação a eventuais campanhas de arrecadação de donativos, o município informa que aguarda orientações das agências internacionais e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que estão organizando essa frente de apoio humanitário. Caso haja mobilização oficial, a comunidade será informada pelos canais institucionais da Prefeitura.