Professores municipais de São Leopoldo fizeram um dia de paralisação nesta quarta-feira (13). Também teve ato em frente à prefeitura no final da manhã e, logo em seguida, uma caminhada na Rua Independência. A ação reuniu cerca de 800 docentes, segundo o Sindicato dos Professores Municipais Leopoldenses (Ceprol). Na parte da tarde, foi realizada mais uma mesa de negociação entre Ceprol e a Prefeitura que apresentou nova proposta ao servidores.
Segundo o Ceprol, paralisaram totalmente 25 escolas e 21 aderiram parcialmente.
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A nova proposta apresentada pela Prefeitura é de 4,14% do IPCA dos últimos 12 meses, divididos em duas parcelas de 2,07%. A primeira paga agora e a segunda em dezembro, com retroativos a abril, e ainda 4,14% de reajuste sobre o Vale Refeição. Além disso, será criado um GT para viabilizar o auxílio saúde. Atendendo ainda as pautas específicas do magistério, a categoria receberá 1,2% para recomposição do piso, em janeiro de 2027.
A proposta anterior apresentada em reunião, na última semana, foi de reajuste de 3,77% (INPC) em duas parcelas: 1,89% em abril e 1,88% em outubro (diferença do retroativo a abril em dezembro); e no programa e alimentação com 3,77% de reajuste (R$29,85 a mais), e não teve proposta no plano de saúde. Esta proposta foi rejeita em assembleia realizada no dia 4 de maio.
“Nós avançamos porque lutamos. As professoras são uma categoria muito unida em São Leopoldo. Mais de 800 colegas estiveram na rua pressionando o governo. Tivemos conquistas importantes também nas nossas pautas específicas. Agora a categoria vai para assembleia decidir se aceita ou não a proposta”, afirmou a presidente do Ceprol Cristiane Mainardi. A nova proposta será analisada e votada em assembleia nesta quinta-feira (14), às 18 horas, no auditório do Colégio São Luís.
De acordo com o prefeito Heliomar Franco, a saúde financeira do município impossibilita o pagamento integral do índice neste momento. “Estamos oferecendo a melhor proposta dentro da nossa limitação, mas dentro do possível, deixo aqui meu compromisso em tentarmos pagar tudo até outubro.”
Segundo o secretário de Educação, Jéferson Falcão, entre as principais estão o concurso, que substituirá aproximadamente 400 contratos temporários. Além dos cargos de professor, foram criados 50 de orientador educacional e 300 de auxiliar de apoio. “Em 2025, pela primeira vez a categoria recebeu o Piso Nacional do Magistério.”
Caminhada
Na manhã desta quarta-feira, os professores se reuniram em frente à prefeitura em um ato para solicitar melhores condições de trabalho, valorização profissional e aumento salarial. Após, foi feita uma caminhada pela Rua Independência.
Para a professora Mariana Wasun, o movimento foi não só pelo aumento, mas pela valorização do trabalho. “As escolas estão precarizadas. Na escola onde trabalho, os aparelhos de ar-condicionado estão parados, ainda não foram instalados.”
O 14.º Núcleo do Cpers apoiou o movimento do Ceprol. Conforme o diretor do 14.º Núcleo do Cpers, Jorge Lothar Von Muhlen, a educação sempre é uma bandeira levantada em todas as campanhas políticas, porém sempre é esquecida quando os políticos assumem os cargos. “O problema são as subcondições, os professores deixados de lado e desvalorizados, cursos sem qualidade, e isso afeta a todos.”
Segundo o diretor central do Cpers, Luiz Henrique Becker, as escolas têm enfrentado diversos problemas, como violência, racismo, feminicídio e misoginia. “A escola prepara os cidadãos e os trabalhadores, mas ela vem sendo atacada, sucateada, privatizada e isso prejudica a educação pública.”
Para o professor Christian Arnold Leite, o movimento é importante para conquistar os direitos dos trabalhadores da educação. “Nenhum de nós está dizendo que não quer trabalhar, mas buscamos melhorias. Sofremos agressões físicas, psicológicas, mentais, virtuais, e se não pudermos dizer que não aceitamos isso, não estaríamos aqui, pedindo aquilo que é nosso por direito.”
O professor Jader Santini, afirmou que a ação é importante, pois mostra que a categoria é unida e conhece seu valor. “Mostra que precisamos ser valorizados e fazer com que o prefeito e a comunidade entenda que a educação é importante.”
“É a união dos professores. É importante que a população entenda que não tem como valorizar a educação sem valorizar os professores. Todos saem beneficiados”, disse o professor Carlos Pereira.