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Ataques de cães comunitários estão no centro de investigação sobre caixa com cachorro morto enviada à vereadora

Relatos de ataques, medo e falta de controle aumentam a tensão entre moradores que defendem e os que rejeitam a presença dos animais

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 09/07/2026 às 18h:00 Última atualização: 09/07/2026 às 18h:05
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Uma situação envolvendo cães comunitários tem gerado conflitos e dividido moradores do bairro Primavera, em Novo Hamburgo. No entorno das ruas Tristão de Alencar, Inconfidentes e Barão de Cambaí, há relatos frequentes de ataques a pedestres, ciclistas e motociclistas, além de moradores que afirmam já terem sido mordidos pelos animais.

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Em torno de dez animais perambulam pelas ruas do bairro, inclusive um pitbull. Eles são alimentados por voluntários da vizinhança. Enquanto parte dos moradores defende a permanência dos animais, outra reclama da falta de controle e afirma viver com medo de circular pelo local.

A massoterapeuta Tânia Terezinha Kulmann, 69 anos, está entre as pessoas que ajudam a cuidar dos cães comunitários. Ela conta que gosta dos animais e inclusive adotou quatro animais que antes viviam nas ruas, mas reconhece que a situação saiu do controle. “Cada dia tem mais cachorros. Eles acabam brigando entre si, principalmente quando as fêmeas entram no cio. Apesar de muitos serem castrados, isso continua acontecendo”, relata.

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Mesmo sendo defensora dos animais, Tânia admite que o aumento da população de cães comunitários tem causado preocupação. “Tem gerado um pouco de dor de cabeça, sim. Também gera preocupação”, afirma.

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Já o agente de segurança Leandro Rodrigues da Silva, 61, diz que a convivência com os animais tem se tornado um problema para quem mora nesse canto do bairro. Segundo ele, os ataques são frequentes e já afetaram moradores e prestadores de serviço. “É uma situação complicada. Ficamos um tempo sem receber correspondências e entregas. Tem uma moradora que está pagando a conta de luz por média porque os funcionários não conseguem chegar até o medidor”, relata.

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Silva afirma ter sido vítima de um ataque. “Eu estava indo trabalhar quando um cachorro pulou na minha moto e me derrubou. Me machuquei, rasguei o casaco e ainda quebrei o painel da motocicleta.” Segundo ele, idosos também já foram atacados. “Tem dois asilos próximos daqui. Uma senhora saiu para caminhar e um dos cachorros mordeu a perna dela. Felizmente eu estava perto e consegui ajudar”, recorda.

Silva afirma que os moradores já procuraram ajuda da Prefeitura diversas vezes, mas dizem não ter visto mudanças. “O pessoal da Prefeitura veio aqui, tirou fotos das casinhas e disse que tomaria providências, mas, até agora, nada mudou”, completa. Ele também relata medo de deixar o neto, de quatro anos, brincar na rua. “Hoje a gente não consegue sair com uma criança para caminhar na quadra. Minha filha não leva mais meu neto para a rua por medo dos ataques.”

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Caso está ligado à investigação de cachorro morto enviado a vereadora

A situação dos cães comunitários do Primavera veio à tona por estar diretamente relacionada ao inquérito instaurado pela Polícia Civil para investigar o envio de uma caixa contendo um cachorro morto ao gabinete da vereadora Deza Guerreiro (PP), parlamentar conhecida pela atuação em defesa da causa animal, na última segunda-feira (6).

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Conforme a investigação, a principal suspeita de enviar a caixa é uma moradora do bairro Primavera. Em depoimento, essa mulher de 64 anos alegou que o seu cachorro foi atacado pelos cães comunitários e que, em razão dos ferimentos sofridos, acabou morrendo. Ainda segundo a mulher, o envio do animal morto à vereadora ocorreu em um momento de desespero, como forma de protestar diante da situação enfrentada pelos moradores do bairro.

Os cães comunitários do bairro Primavera estão dividindo a vizinhança em Novo Hamburgo
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