Mais de 38 mil pessoas com idade igual ou superior a 60 anos vivem em São Leopoldo atualmente. Até o censo de 2022, quando a cidade tinha 217,4 mil habitantes, eram 36.665 idosos.
O dado foi um dos apresentados no Diagnóstico Socioterritorial da Pessoa Idosa no Município de São Leopoldo, lançado em plenária extraordinária com pauta única do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDDI), nesta terça-feira (19), no Instituto Humanitas, da Unisinos.
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O documento oficial, o primeiro sobre a população idosa da cidade, é uma iniciativa da presidente do CMDDI e da Associação de Lúpus e Outras Doenças Reumáticas do Vale dos Sinos (Alureu), Izabel Oliveira. A pesquisa foi coordenada pelo professor da Unisinos, Rodrigo Manoel Dias da Silva, em processo de levantamento de informações que durou 12 meses.
Projeção de 40 mil idosos em 2026
“O número de idosos hoje já passa de 38 mil. E a gente está trabalhando com a ideia de que, em 2026, São Leopoldo já pode estar com 40 mil idosos. Então, é necessário pensar projetos para essa população”, destacou o professor.
O diagnóstico tem 64 páginas e Rodrigo detalha que ele foi constituído em cinco etapas: conceitual; jurídica; com dados públicos gerais; dados de São Leopoldo, fornecidas por secretarias do governo municipal; e finalizou com a escuta dos próprios idosos, em seus territórios.
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Políticas públicas
“A importância do diagnóstico é nos trazer realmente as informações de quantas pessoas nós temos em São Leopoldo hoje. A partir daí, nós vamos ver as políticas públicas. A gente vê hoje que os serviços precisam melhorar, que nós precisamos ampliá-los para melhor acolher a todos”, analisou Izabel, lembrando que o diagnóstico, assim como a conferência realizada esse ano, traz demandas levantadas pelos próprios idosos. “Agora nós precisamos construir políticas para melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas em São Leopoldo.”
Mais de 16% da população
O diagnóstico indica que, do total observado no censo de 2022, de 36.665 idosos, 21.223 são mulheres e 15.442 são homens. Em termos percentuais, 16,87% da população leopoldense encontrava-se em faixa etária igual ou superior a 60 anos. “Para se ter uma ideia, a população de 0 a 14 anos tem quase 19%. Então, aquela ideia clássica da pirâmide populacional, não corresponde mais a São Leopoldo”, ressaltou Rodrigo.
Conforme dados fornecidos pela prefeitura, em setembro de 2024, 11.163 idosos estavam cadastrados em algum tipo de atendimento ou benefício social, como o Cadastro Único. “De certa forma, revela pra gente que a população idosa no município é vulnerável, e é necessário um reforço, um incremento cada vez maior de ações assistenciais – tanto do governo municipal, quanto dos governos federal e estadual – pra qualificar a vida dessas pessoas, que têm necessidades muito singulares”.
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Foto: Arte/Alan Machado
Saúde mental é a 2ª maior causa de procura em UBS
Outros dados trazidos pelo documento são: de que 26% da população idosa da cidade mora sozinha; e cerca de 700 idosos residem em uma das 24 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) do município.
Além disso, dos mais de 22 mil atendimentos prestados na Unidade Básica de Saúde (UBS) Centro do Idoso em 2024, 4.237 foram por questões de saúde mental. “É a segunda maior razão de procura de pessoas idosas ao sistema público de saúde. O primeiro é a hipertensão arterial”, salientou Rodrigo.
Idosos expressaram suas demandas
O levantamento traz ainda demandas expressas pelos próprios idosos. Entre elas, estão mais especialidades médicas, lazer e cultura. “Mas todos falam, por exemplo, de grupos de convivência, da necessidade de romper com o isolamento, já que alguns vivem sozinhos”, destacou o professor, que pondera a necessidade de atualização e aprofundamento do trabalho periodicamente, a fim de olhar também para a singularidade de cada território.
“O estatuto do idoso diz que diagnósticos como esses deveriam ser regulares e periódicos. O Estatuto da Pessoa Idosa é de 2003, então, estamos 22 anos atrasados. A demanda que a gente vem trabalhando e discutindo junto ao próprio Conselho é que esse tipo de diagnóstico não espere outros 22 anos para acontecer. A ideia é que seja regular”, estimou Rodrigo.