Os moradores do Vila Germânica, no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, residencial que era comandado por facção criminosa, estão enfrentando um novo problema. O condomínio está com uma dívida de R$ 5 milhões com o Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae). Os valores estão acumulados desde 2022.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O advogado que representa o condomínio, Eduardo Henrique Silva, contou que depois que a situação do condomínio em relação ao síndico e ao controle da facção foi resolvida, o Semae convocou ele e o atual síndico para uma reunião. “Eles nos passaram uma notificação de corte de água. Questionei por que não foi feito nada a respeito quando a dívida começou, e falaram que não podiam responder pela gestão anterior.”
Conforme Silva, a dívida foi negociada em 100 parcelas de R$ 57 mil, que serão pagas mensalmente. “Em dezembro foi dada uma entrada, nesse valor, para que a água não fosse cortada. Agora as contas estão em dia,mas ainda existe esse parcelamento.”
Silva recordou que os moradores sempre pagaram em dia suas contas, porém quem administrava o condomínio não repassava os valores para o Semae, o que fez a dívida atingir esse valor. “Eles sempre pagaram em dia, e agora vão ter que pagar tudo de novo, pois o Semae também não fiscalizava. Já tive três reuniões com o Semae sobre o assunto, e eles sempre falam que não sabem o que aconteceu, pois era outra gestão na época.”
O advogado contou que está tentando uma reunião com o prefeito Heliomar Franco há um mês para tentar resolver a situação. “Os moradores estão planejando fazer uma manifestação na prefeitura. Ainda estão juntando o pessoal, e a ideia é fazer essa manifestação logo após o carnaval.”
Nota do Semae
Em nota o Semae informou que, através do novo síndico do condomínio, foi feita uma negociação da dívida após notificação. Conforme a entidade, foi paga a entrada do parcelamento e as demais parcelas ainda estão dentro do vencimento.
Relembre o caso
O condomínio era comandado por uma facção criminosa, que utilizava o residencial como base de negócios do tráfico, e para lucrar com mensalidades superfaturadas. Um preso da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, se apresentava como “dono” do Vila Germânica. Por meio de telefonemas e áudios, sem se preocupar em se identificar, fazia graves ameaças ao advogado contratado pelos moradores, e aos residentes. Essa situação ocorreu durante oito anos.
Em outubro um grupo de moradores do condomínio realizou um panelaço em frente ao Foro de São Leopoldo, para reivindicar eleição do síndico em assembleia presencial. A votação foi realizada três dias após a manifestação. No dia 12 de novembro, o ex-síndico e o dono da empresa de vigilância, que estavam ligados à quadrilha, foram presos.