A data do feriado de Tiradentes no Brasil, neste 21 de abril, acabou ficando marcada pela perda de um dos grandes nomes da Igreja Católica. Há um ano, morria o papa Francisco, primeiro padre jesuíta a se tornar pontífice.
O argentino Jorge Mario Bergoglio tinha 88 anos e foi o primeiro papa latino-americano, estando no cargo por 12 anos. Um dia antes de seu falecimento, no domingo de Páscoa, ele chegou a fazer uma rápida aparição no Vaticano. O óbito foi confirmado às 7h35 daquela segunda-feira, 21 de abril de 2025, pelo horário local de Roma (2h35 pelo horário de Brasília). A causa da morte, segundo o Vaticano, foi um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de um quadro de insuficiência cardíaca.
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Foto: Reprodução
Em 1970
Ao longo de sua trajetória papal, Francisco se tornou muito popular e querido entre os católicos. Mas uma das curiosidades que poucos sabem é que ele esteve em São Leopoldo, rezando no túmulo do também jesuíta Padre Reus durante passagem pela cidade.
A visita do papa ao túmulo de Padre Reus ocorreu em 1970 e foi relatada em carta enviada, em julho de 2020, para o padre Luiz González-Quevedo, em resposta ao pedido dele para que relatasse a vinda a São Leopoldo.
O papa, nascido na vizinha Argentina, tinha familiares em Pelotas, e havia passado por aqui, relato que teria feito também em 2014, quando dom Zeno Hastenteufel (falecido em 2025), então bispo da Diocese de Novo Hamburgo, foi ao Vaticano falar da causa pela beatificação de Padre Reus. Francisco teria dito a dom Zeno: “Estive no túmulo (de Reus), e fiz retiro no Colégio Cristo Rei, com padre (Leopoldo) Adami (falecido em 2022, aos 95 anos)”.
O texto do papa Francisco
“Querido irmão, muito obrigado por teu correio. Se não me engano, estive em São Leopoldo nos primeiros meses de 1970, recém-ordenado. Me acompanhava meu tio e primos que moravam em Pelotas, na época do grande bispo Zattera. Não me lembro se depois estive em alguma reunião de provinciais. Visitei o túmulo do Padre Reus. Tens razão: as dificuldades que passamos hoje não chegam nem à altura da sola dos sapatos que Pio XII passou. Não sei como podiam levar adiante tantos conflitos internacionais. Cuida da saúde e siga fazendo o bem. Que Jesus te abençoe e a Virgem Santa te cuide e, por favor, não deixes de rezar por mim. Fraternalmente. Francisco”, dizia o texto.
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Escolha de Francisco para papa
O papa também confirmou a visita em conversa com o irmão jesuíta Afonso Wobeto, estudioso da causa de Reus e que atuou em Roma durante décadas.
Wobeto conta que a relação com o papa Francisco começou logo após a eleição dele para pontífice, em março de 2013. “Estive na Praça São Pedro na hora que saiu a fumaça branca e, em seguida, apareceu o novo papa. Grande surpresa e aplausos da multidão do povo que estava na Praça. Muita surpresa ainda por ser um jesuíta, pela primeira vez na história, e com a escolha do nome de Francisco”, ressaltou, lembrando com detalhes os momentos que vieram a seguir.
“Naquela hora fazia frio por causa de uma chuva fininha. Eu morava na Casa Geral da Companhia de Jesus, que fica a poucos metros da Praça São Pedro. E minha função era a de secretário pessoal do Superior Geral da Ordem. Isso me favoreceu para acompanhar mais de perto a vida e atividades do novo papa. Por exemplo, dois dias após a eleição, o papa Francisco telefonou para falar com o Superior Geral e quem recebeu a chamada fui eu, sendo assim o primeiro da comunidade jesuíta a falar com o papa. Naquela ocasião eu fiquei quase sem jeito porque era uma coisa completamente nova”, relatou.
Encontros e lembranças
“Depois disso atendi muitas outras chamadas telefônicas do Papa Francisco. Encontrei-me também pessoalmente com ele diversas vezes. A primeira vez foi quando organizei os Irmãos jesuítas de Roma para participarem da missa do Papa na Capela de Santa Marta, em fins do mês de outubro. Após a missa todos os Irmãos puderam falar pessoalmente com o Papa. Naquela ocasião eu tive uma grande surpresa quando o Papa me disse que me conhecia há muito tempo. Perguntei, quando e onde me conheceu? Ele disse que foi em Porto Alegre quando ele, como Superior Provincial da Argentina, se encontrou com o nosso Superior Provincial da época. Que memória! Isso foi pelo ano de 1973. Eu também estive na mesma casa naquele tempo”, continuou.
“Outro encontro foi quando o Papa Francisco almoçou em nossa comunidade por ocasião da festa de Santo Inácio de Loyola. Esse foi um encontro bem familiar e espontâneo”, acrescentou o irmão jesuíta.
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“Rezou no túmulo do Padre Reus”
“Um último encontro com o Papa foi alguns dias antes de eu retornar ao Brasil, em maio de 2014. Participei mais uma vez da missa na Capela da Casa Santa Marta. Após a missa eu me despedi do Papa. Disse a ele que volto para o Brasil e vou trabalhar na Causa do Padre Reus. Então ele disse que já esteve em São Leopoldo e rezou no túmulo do Padre Reus”, destacou irmão Wobeto.
“Infelizmente não se tem nenhum registro dessa visita, nem foto, no diário do Santuário e nem na Casa Provincial de Porto Alegre”, lamentou o jesuíta, que, nas três etapas em que trabalhou em Roma, teve a oportunidade de se encontrar pessoalmente com cinco papas: São Paulo VI, João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco.