A Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias (IGP) realizaram, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação na sede da Prefeitura de Novo Hamburgo para investigar acessos indevidos a conta Gov.br da ex-prefeita Fatima Daudt. O cumprimento da ordem judicial contou com oito agentes da Polícia Civil e dois peritos do IGP, que permaneceram por mais de quatro horas no Centro Administrativo Leopoldo Petry. Um outro mandado de busca foi cumprido na casa dos investigados.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A ação ficou concentrada no terceiro piso do prédio, onde fica o setor de tecnologia da informação do órgão público. O objetivo foi obter informações sobre a origem dos acessos suspeitos, que, segundo os indícios, partiram de uma rede de internet da Prefeitura.

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O delegado Felipe Borges Bringhenti, responsável pela operação, conversou com a reportagem na saída das equipes, por volta das 11h30, e detalhou o andamento da investigação. “Nós viemos aqui cumprir uma ordem de busca. A nossa intenção, junto com os peritos do IGP, foi conhecer um dado digital. A conta Gov.br da ex-prefeita Fatima foi acessada e esses acessos ela não reconhece. Foram acessos indevidos. A informação que o Gov.br fornece para o usuário deu conta de um IP que teria sido utilizado para todos estes acessos que ela não reconhece. Este IP pertence à Prefeitura, por isso nós estamos aqui”, explicou.
De acordo com o delegado, as buscas se concentraram nos softwares. “Tivemos toda a colaboração do pessoal do setor de dados da Prefeitura, que nos ajudou a acessar estes dados, para a gente poder cruzar com aqueles que já tínhamos. Agora, nos próximos dias, vamos analisar estas informações para tentar concluir por que isso se deu desta forma, se tem alguém aqui da Prefeitura que acessou e por que acessou”, afirmou Bringhenti.
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Busca e apreensão na casa de ex-servidores
Além da ação no centro administrativo, as autoridades também cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de um casal, em Novo Hamburgo. De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), os investigados são ex-servidores da Prefeitura e foram exonerados em 2024.
A decisão judicial que autorizou as buscas destaca o vínculo do casal com a administração municipal no período em que Fatima Daudt ocupava o cargo de prefeita. “Consta na decisão que o casal teria atuado na Prefeitura quando a vítima era prefeita, sendo exonerados em 2024”, informou o TJRS em nota.
Ainda segundo o TJRS, há indícios suficientes para justificar a operação. “Constato que as informações da autoridade policial, no sentido de envolvimento dos investigados na prática de crime de invasão de dispositivos, encontram amparo na diligência da equipe investigativa”, afirmou a juíza Mariana Francisco Ferreira, da 1ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre.
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O delegado Bringhenti explicou que os acessos indevidos ocorreram em janeiro deste ano e que um dos dispositivos usados para acessar a conta da ex-prefeita foi geolocalizado na residência dos investigados.
“Esse casal foi alvo de buscas porque o Gov.br, em algumas situações, consegue geolocalizar, geoposicionar o dispositivo que acessou a conta. E a geolocalização de um dos acessos indevidos apontou uma casa, casa essa em que nós cumprimos as buscas hoje”, detalhou.
Durante a operação, foram apreendidos um telefone celular e HDs de computadores pertencentes ao morador do local.
Prefeitura diz que “não há indícios que relacionem a atual gestão municipal com o possível acesso indevido”
A Prefeitura de Novo Hamburgo se manifestou, através de uma nota, no início da tarde desta quarta-feira. O Executivo afirma que “não há indícios que relacionem a atual gestão municipal com o possível acesso indevido a dados pessoais da ex-prefeita Fatima Daudt”.
O Município acrescenta que “prestou todo auxílio necessário no sentido de colaborar com a investigação em curso”.