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Fraudes em leilões

Juiz que teve R$ 20 milhões bloqueados era um profissional prestigiado no RS

Imóveis sequestrados ficam em cidades da região metropolitana, Vale do Caí e litoral norte

Publicado em: 11/03/2025 às 19h:06 Última atualização: 11/03/2025 às 21h:51
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O juiz Luiz Fernando Bonn Henzel, que respondia pela 3ª Vara do Trabalho de Canoas e já havia sido diretor do Foro Trabalhista da cidade, teve mais de R$ 20 milhões em bens bloqueados nesta terça-feira (11) pela Operação Erga Omnes da Polícia Federal (PF). Conforme a investigação, são 14 imóveis e três caminhonetes comprados pelo magistrado e familiares com dinheiro de propina de leiloeiros.

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Amarok é um dos veículos apreendidos nesta terça-feira | abc+



Amarok é um dos veículos apreendidos nesta terça-feira

Foto: Polícia Federal

Segundo o delegado Lucas Pereira Bohrer, as propriedades ficam em cidades como São Sebastião do Caí, Canoas e Capão da Canoa. Os veículos são uma BMW X1, uma Ford Ranger e uma Volkswagen Amarok.

O patrimônio foi detectado a partir da primeira fase da operação, na manhã de 10 de dezembro do ano passado, quando a PF cumpriu dez mandados de busca e prendeu dois leiloeiros com ampla atuação na grande Porto Alegre.

A casa do juiz, em Canoas, foi um dos locais revirados pelos agentes. Henzel foi contatado pela reportagem já naquele dia, mas não deu retorno.

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Colaboração

Recolhida, a dupla teria concordado em colaborar com as investigações e foi solta. As delações, combinadas com documentos, celulares e computadores apreendidos, além da quebra dos sigilos bancários e fiscais dos investigados, permitiram aprofundar o rastreamento dos bens.

“Foi possível identificar transferências diretas e indiretas realizadas pelos dois leiloeiros investigados para os vendedores de bens imobiliários e veículos, atualmente pertencentes ao magistrado e seus parentes”, declarou a PF, em nota, após o cumprimento das medidas judiciais nesta terça.

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Antes, conforme a PF, já tinha sido apurado que os leiloeiros pagaram mais de R$ 1 milhão em boletos para Henzel desde 2023. Eram despesas pessoais e familiares, como faturas de cartão de crédito, financiamentos imobiliários, contas de condomínio e pendências com imobiliárias.

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Gabinete de proteção ao crime

De acordo com a investigação, o juiz protegia dois grupos de leiloeiros que cometiam fraudes em execuções trabalhistas e arrematações fraudulentas. Os investigados também se apropriavam indevidamente de bens penhorados, tanto em dinheiro como imóveis e veículos.

O inquérito trata dos delitos de corrupção passiva, violação de sigilo profissional, peculato e associação criminosa. O nome da operação foi inspirado na expressão latina erga omnes, que significa “contra todos” ou “em relação a todos”. A PF frisa que o juiz não foi preso.

Caso os investigados sejam condenados, os veículos e imóveis sequestrados serão vendidos em leilão judicial, com os recursos arrecadados destinados ao governo federal.

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Corregedoria do TRT iniciou investigação

Em nota emitida nesta terça-feira, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) frisa que segue à disposição para colaborar nas investigações. “Assim como informado no início da operação, em 10 de dezembro de 2024, a própria Corregedoria do TRT-RS iniciou a investigação de possíveis irregularidades envolvendo leilões na 3ª Vara do Trabalho de Canoas. O material analisado pela Corregedoria foi encaminhado à Polícia Federal.”

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O órgão acrescenta que o procedimento administrativo disciplinar relacionado ao juiz segue em tramitação “com observância das regras próprias ao devido processo legal”. Frisa que o magistrado continua afastado de suas funções.

“O TRT-RS reafirma seu compromisso com a lisura e a transparência na condução de suas atividades e com a apuração rigorosa de quaisquer condutas incompatíveis com os princípios éticos e legais que regem a magistratura e a jurisdição.”

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Estudos e livro em destaque

O juiz afastado era profissional conceituado no TRT. Em 2008, por exemplo, recebeu destaque no portal oficial do órgão, quando noticiada a apresentação da dissertação de mestrado na unidade do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O estudo, desenvolvido em parceria entre o TRT e a FGV, tem como título “A Indisponibilidade dos Bens do devedor no Processo de Execução como forma de efetividade das Decisões Judiciais Trabalhistas”.

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