Dias após esmagar uma borboleta, misturar os resíduos dela com água e injetar o líquido em sua perna, o adolescente Davi Nunes Moreira, de 14 anos, morreu. O caso aconteceu na cidade de Planalto, na Bahia, em 12 de fevereiro.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
A manipulação de fluidos biológicos de insetos, contudo, pode representar sérios riscos à saúde. Isso porque, conforme alertam os especialistas, eles podem carregar substâncias que não são seguras para o organismo humano.

Foto: Freepik
No caso das borboletas, seus corpos podem ter substâncias tóxicas que funcionam como mecanismos de defesa contra predadores. Mas a quantidade dessas toxinas costuma ser muito pequenas, o que não representaria risco grave à saúde humana.
LEIA MAIS: Jovem morre após ser atingido por raio durante primeira ida à praia no RS
Professor e diretor do Museu de Zoologia da USP, Marcelo Duarte é especialista em lepidoptera, ciência que estuda borboletas e mariposas. Segundo ele, os fluidos presentes nas borboletas ainda não foram tão aprofundos em relação a toxidade deles para seres humanos. No entanto, ele ressalta que a introdução de qualquer líquido não estéril pode causar infecções graves.
“Ao injetar uma substância desconhecida, a pessoa corre o risco de ter reações alérgicas severas, infecções e, em alguns casos, complicações fatais”, afirma.
André Victor Lucci Freitas, coordenador do Laboratório de Borboletas da Unicamp, acredita justamente que o mais provável é que a morte de Davi tenha ocorrido devido a uma infecção causada pela injeção do líquido, que provavelmente estava contaminado, e por alguma toxina liberada pela borboleta.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
“Borboletas não vivem apenas em flores. Muitas pousam em solos úmidos para absorver sais minerais de locais com urina, fezes e matéria orgânica em decomposição. Se esse material foi triturado e injetado, há grande chance de o organismo ter sido exposto a uma carga significativa de patógenos, levando a uma infecção generalizada”, pontua Freitas.
Conforme ele, a injeção de qualquer substância não esterilizada, no músculo ou na corrente sanguínea, causaria risco de contaminação grave.
VEJA TAMBÉM: Bebê com chupeta presa por esparadrapo em UTI: Justiça tem nova decisão sobre caso que aconteceu em hospital do RS
“”Nosso corpo possui barreiras naturais contra bactérias, vírus e protozoários na pele e no sistema digestivo. Mas, ao ultrapassar essas barreiras com uma injeção, esses microrganismos encontram um ambiente favorável para se espalhar rapidamente”, completa.
*Com informações de g1.