Apesar de avaliar de forma positiva as ações do governo federal para o financiamento a longo prazo de empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) frisa que, para complementar o esforço, serão necessárias medidas “cirúrgicas” de proteção ao emprego.
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Foto: Adobe Stock
Presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira destaca que as linhas anunciadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que totalizam R$ 30 bilhões, ajudam, mas não resolvem todos os problemas ocasionados pela tarifa norte-americana para o setor calçadista.
“Como uma atividade intensiva em mão de obra, que emprega diretamente mais de 290 mil pessoas, necessitamos de medidas de proteção ao emprego. A empresa que deixa de atender seu principal mercado internacional, os Estados Unidos, não vai conseguir manter empregos com mais dívidas a pagar, mesmo que os juros praticados sejam abaixo dos juros de mercado”, avalia o executivo.
Ainda segundo ele, “se o setor não conseguir manter suas exportações, ficará até mesmo difícil cumprir os compromissos estabelecidos pelos empréstimos”.
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Em reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na última semana, Ferreira apresentou algumas das demandas de proteção ao emprego.
Entre elas, estão a suspensão do contrato de trabalho por até 90 dias; a possibilidade de prorrogação dos prazos de redução de jornada e salário e de suspensão do contrato pelo Poder Executivo; e o pagamento ao empregado, com recursos da União, de um auxílio imediato compensatório, calculado sobre o valor do seguro desemprego a que o trabalhador teria direito, em percentual proporcional ao da redução do salário ou da suspensão do contrato de trabalho.
Segundo o executivo, o assunto está em análise pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
As linhas
As linhas anunciadas pelo BNDES são destinadas a empresas brasileiras que tenham mais de 5% do faturamento advindo de exportações para os Estados Unidos. Para estas, as taxas de juros praticadas terão um mínimo de 0,58% ao mês.
Empresas que foram afetadas de forma indireta também poderão acessar a linha própria de financiamento do BNDES, com juros de 1,15% ao mês.
Para acessar as linhas, as empresas ainda precisam garantir a manutenção dos postos gerados a partir do 5º mês do início do empréstimo (média até o 16º).