A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos (ACI), divulgou uma agenda no consulado dos EUA em Porto Alegre para o dia 7 de agosto. A entidade afirma que o objetivo é buscar o diálogo para que o mercado da região não seja comprometido.
“Precisamos manter a esperança. Não falta habilidade diplomática para Brasil e Estados Unidos”, revela o diretor Fauston Saraiva. Ele destaca que o carro chefe econômico da região, o calçado, está fora da lista de exceções divulgada pelo governo americano. “A preocupação continua a mesma de antes.”

Foto: Daniel Torok/Casa Branca
Saraiva também destacou que questões ideológicas devem ser deixadas de lado na negociação. “É inadmissível que uma guerra ideológica cause um estrago tão grande”, completa.
Entidades se manifestam
Entidades de diversos setores da indústria gaúcha se manifestaram na tarde desta quarta-feira (30) sobre as tarifas dos Estados Unidos a produtos brasileiros. A decisão do presidente Donald Trump eleva a taxa total para 50% aos artigos nacionais.
- TARIFA DE TRUMP: Os produtos brasileiros que ficam fora do tarifaço
O Sistema Fiergs lamentou a decisão do governo americano. Conforme a entidade, o presidente Claudio Bier tem feito todos os esforços em relação ao tema desde o dia 9 de julho. Foram realizadas reuniões com autoridades estaduais e federais, além da elaboração de estudos e documentos que relataram o posicionamento do setor industrial gaúcho.
A Fiergs afirma que é necessário manter a serenidade que o momento exige, evitando ações que possam acirrar ainda mais o clima entre os dois governos. Além disso, a entidade reforça que o Rio Grande do Sul está na iminência de perder R$ 1,9 bilhão do seu PIB, a segunda maior perda de um estado em valores absolutos.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), também manifestou sua preocupação. “Trata-se de medida que fragiliza as relações econômicas e comerciais entre os dois países, afetando negativamente a competitividade de suas empresas, o emprego de seus trabalhadores e o poder de compra de seus consumidores.”
A entidade defende que divergências comerciais sejam resolvidas pela intensificação do diálogo construtivo. “Visando preservar e ampliar a parceria e a cooperação econômica.”
Outra entidade que lamentou a situação foi o Centro das Indústrias de Cortumes do Brasil (CICB). “Os Estados Unidos têm sido, historicamente, um dos principais parceiros comerciais do Brasil nesse segmento: em 2024, ocuparam o segundo lugar entre os maiores importadores de couro brasileiro, com 13,3% de participação em valores. Em 2025, até junho, mantêm-se na vice-liderança, com 13,6%.”
A entidade reitera que as exportações brasileiras para os EUA são compostas majoritariamente por couro acabado, produto considerado essencial para a geração de empregos, renda e desenvolvimento no País. “A nova tarifa desde já deve gerar impactos negativos em pedidos, fluxos produtivos e empregos, colocando em risco não apenas o setor curtidor, mas também toda a cadeia envolvida, como química, máquinas, logística e serviços.”
LEIA TAMBÉM