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TARIFA DE TRUMP

"Acreditamos que seja muito cedo para pensar em demissões": Federação dos Sapateiros do RS avalia tarifaço de 50% no setor

Calçados brasileiros estão com taxas de 50% para entrar nos Estados Unidos; Abicalçados diz que tarifas inviabilizam exportações para o mercado americano

"Acreditamos que seja muito cedo para pensar em demissões": Federação dos Sapateiros do RS avalia tarifaço de 50% no setor
Publicado em: 08/08/2025 às 17h:44 Última atualização: 08/08/2025 às 18h:00
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A indústria gaúcha está em alerta para os efeitos do tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) estima que calçadistas do Rio Grande do Sul podem perder até 3,9 mil postos de trabalho nos próximos 12 meses.

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Representantes de sindicatos do setor calçadista em vistia ao Grupo Sinos  | abc+



Representantes de sindicatos do setor calçadista em vistia ao Grupo Sinos

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

Essa previsão significa uma perda de 4,7% das vagas em relação aos 82,2 mil empregos gerados pelo setor no primeiro semestre de 2025. Apenas no Vale do Sinos foram 32 mil pessoas atuando no ramo, com o Vale do Paranhana e Encosta da Serra somando outras 22,2 mil vagas.

Segundo o presidente da Federação Democrática dos Sapateiros do RS, João Batista Xavier da Silva, a questão do emprego precisa ser vista com cautela pelo setor. “Muitas negociações estão ocorrendo. Acreditamos que seja muito cedo para pensar em demissões.”

No entanto, Silva afirma que a transferência de linhas de produção que exportam para os EUA podem acontecer ao longo do tempo, caso as tarifas sejam mantidas pelo governo estadunidense. “É uma possibilidade. Entretanto, temos que lembrar que apenas 10% dos pares produzidos em 2024 foram enviados para fora do Brasil e exportamos para cerca de 150 países, não apenas para os Estados Unidos.”

Apenas o polo de Sapiranga emprega aproximadamente 16 mil trabalhadores atualmente. “Precisamos, sim, ter um olhar para isso [efeitos do tarifaço]. Mas, não é uma calamidade”, avalia a presidente da Confederação Nacional do Vestuário da Central Único dos Trabalhadores (CUT), Cida Trajano.

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Já a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Têxtil, Vestuário, Couro, Calçados e Afins (Conaccovest) da Força Sindical, Eunice Cabral, reforça que apenas empresas que exportam para os Estados Unidos devem ser beneficiadas por ações dos governos federal e estadual. “E também garantir uma contrapartida. Ter o emprego sem precarizar as condições”, completa.

Reunião na Abicalçados

Os representantes sindicais também se reuniram com o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, onde trataram de oito tópicos temáticos para valorização das categorias que fazem parte do chamado “Complexo da Moda”.

A pauta se refere a reivindicações dos trabalhadores. Entre os destaques está a promoção de saúde e segurança mental no trabalho. “Incluindo a saúde mental”, explica Cida. E também o incentivo à formação e qualificação profissional no setor.

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