Após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegal e derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros em abril de 2025, o presidente estadunidense anunciou uma nova tarifa global de 10%, com efeito imediato a itens produzidos fora dos EUA.
O anúncio ocorreu nesta sexta-feira (20) via Truth Social. Segundo Trump, ele está recorrendo à Seção 122, um dispositivo da legislação do país, que permite ao presidente impor tarifas temporárias. Para o mercado calçadista brasileiro, a medida ainda é vista com cautela.

Foto: Divulgação/Abicalçados
Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a decisão da Suprema Corte implica na perda de viabilidade legal da sobretaxa de 50% aplicada aos calçados brasileiros com base em duas Ordens Executivas.
“No entanto, estamos aguardando mais informações sobre os desdobramentos operacionais da decisão e na espera da publicação de nova Ordem Executiva após o anúncio de uma tarifa adicional global de 10% com base na Seção 122 da Lei do Comércio”, avalia o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.
Ferreira salienta que é preciso analisar como será o período de ajuste das medidas e da operação nos Estados Unidos. “Bem como os efeitos sobre o mercado que permanece sob elevado nível de incerteza.”
Até a entrada em vigor da alíquota adicional, em julho de 2025, as exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos acumulavam crescimento de 15,3%, em pares, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Com a vigência da sobretaxa, esse avanço foi revertido: entre agosto e dezembro de 2025, os embarques destinados ao mercado norte-americano registraram queda de 23,4% em volume, configurando um cenário desafiador para o setor.
Em janeiro de 2026, as exportações brasileiras de calçados ao destino sofreram retração de 45,7% e 26,8%, respectivamente, em dólares e pares, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.
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