O anúncio do presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre a taxação de 10% em produtos chineses deve ter impactos na economia mundial e também no Brasil. A China, por sua vez, já afirmou que irá contestar a medida na Organização Mundial do Comércio (OMC).
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Foto: Reprodução/Redes socias/@realdonaldtrump
Antes da China, Trump já havia anunciado a taxação de 25% em importações do Canadá e México, ambos os países também falam em retaliação. O vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos (ACI-NH/CB/EV/DI), André Momberger, avalia as medidas do governo Trump como “arrojadas e arriscadas”.
“Trump já declarou que vai olhar para comunidade europeia também, está enlouquecido. Hoje, ninguém teria condições de ir contra os Estados Unidos, do ponto de vista de ‘peitar’ eles , inclusive belicamente falando. Me parece, neste momento, estratégia que ele falava muito antes, de ‘entrar com dois os pés primeiro’ e depois sentar na mesa para negociar. Ou seja, faço o tarifaço e depois vejo como fica. Pode sim ter retaliação”, diz o especialista financeiro.
Sobre a possibilidade de taxas em produtos brasileiros, Momberger acredita que há a possibilidade de consequências para a indústria do aço. Até janeiro de 2024, havia uma sobretaxa de 103,4% sobre os tubos soldados de aço do Brasil. “Acredito que este setor possa ter tarifa novamente, já os outros, acredito que não”, avalia o vice-presidente da ACI.
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Indústria calçadista
Por outro lado, a tarifa em produtos chineses pode trazer consequências benéficas para a indústria calçadista brasileira, que vê a China como um de seus principais concorrentes no mercado norte-americano. Como fica então a indústria brasileira de calçado neste cenário?
O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira lembra que, com a taxação, o mercado abrirá para novos fornecedores fora da China, entre eles o Brasil, principal fabricante de calçados do Ocidente.
“A possível taxação dos produtos chineses, em 10% conforme o presidente Donald Trump, poderá ter algum impacto no setor calçadista brasileiro. Historicamente o nosso principal destino das exportações, os Estados Unidos importam muitos calçados chineses (cerca de 1,2 bilhão por ano). No entanto, o produto chinês não ficará sem compradores, sendo que são calçados que irão inundar mercados importantes para o nosso calçado, principalmente na América Latina, e também o próprio Brasil”, pondera.