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Comércio aposta em promoções para alavancar vendas de janeiro; veja dicas para lojistas e consumidores

Lojas e supermercados adotam descontos para atrair consumidores em um período tradicionalmente mais fraco para as vendas

Publicado em: 14/01/2026 às 16h:51 Última atualização: 14/01/2026 às 16h:51
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Passado o pico de consumo das compras de Natal e festas de fim de ano, o comércio entra em uma fase marcada por estratégias para manter o movimento nas lojas. Entre janeiro e fevereiro, promoções e liquidações voltam a ganhar espaço como forma de reduzir estoques remanescentes e estimular as compras em um período historicamente de menor procura.

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Loja de Novo Hamburgo aposta nas liquidações de produtos de verão como os vestidos | abc+



Loja de Novo Hamburgo aposta nas liquidações de produtos de verão como os vestidos

Foto: Lucia Modas/Divulgação

A prática se repete em diferentes setores. No varejo de vestuário, calçados e eletrodomésticos, os descontos costumam atingir produtos que não tiveram saída no Natal, ao mesmo tempo em que abrem espaço para a chegada de novas coleções e linhas. Já nos supermercados, o movimento inclui ofertas em itens típicos das festas, como aves especiais, bebidas e produtos sazonais que permanecem em estoque após o fim do ano.

Segundo entidades representativas do comércio, esse comportamento faz parte do calendário do setor e se intensifica logo nas primeiras semanas do ano. A expectativa é de que o consumidor encontre promoções pontuais, muitas vezes concentradas em períodos curtos, o que exige atenção e planejamento nas compras.

Vendas caem em janeiro, mas devem superar o mesmo período do ano passado

A CDL Novo Hamburgo avalia que o início do ano já apresenta movimentação no comércio, impulsionada por campanhas promocionais voltadas, principalmente, à queima de estoques e à virada de coleção. De acordo com o presidente da CDL-NH, Leonardo Lessa, o período pós-Natal é tradicionalmente estratégico para manter o fluxo de consumidores nas lojas.

Entre as principais estratégias adotadas estão a aplicação de descontos, condições facilitadas de pagamento e maior investimento em comunicação, tanto no ponto de venda quanto nos canais digitais. A expectativa é de que o movimento em janeiro se mantenha estável ou apresente leve crescimento em relação ao mesmo período de 2025.

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Segundo Lessa, os segmentos que mais costumam concentrar as promoções neste período são os de vestuário, calçados, acessórios, eletroeletrônicos e artigos para o lar.

Já para o presidente do Sindilojas, Gerson Müller, os primeiros meses do ano seguem sendo um dos períodos mais desafiadores para o comércio, muito em função do período de férias e da menor circulação de pessoas na cidade. “Há algumas exceções, como o setor de materiais escolares, mas que não chegam a provocar um incremento significativo nas vendas”, avalia. “O ideal é que cada estabelecimento faça suas promoções considerando os custos fixos e variáveis. Não adianta promover descontos se o recurso que entrar no caixa for insuficiente”, acrescenta.

Diante desse cenário, a recomendação é investir em estratégias mais diretas de relacionamento com o consumidor. “Ter uma carteira de contatos e apostar na venda ativa, por canais como o WhatsApp, pode fazer a diferença. Chamar o cliente para a loja é um diferencial”, aponta.

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Além dos descontos, lojistas adotam estratégias para tornar as ofertas mais atrativas, como parcelamentos diferenciados, condições especiais de pagamento e campanhas visuais voltadas à liquidação de estoques. No verão, produtos ligados à estação também ganham destaque, influenciando o tipo de mercadoria em promoção.

Lojistas e clientes

A presidente da CDL Canoas, Deise Nunes Lopes, também vê o período como uma fase de desafio e oportunidades para os lojistas. “Eu indicaria ter uma loja atrativa, investir em tráfego pago, grupos de vendas pelo WhatsApp e lives de vendas, assim como tele-entrega para quem não tem tempo de ir comprar na loja física”, recomenda Deise.

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Na loja da Lucia Boff, no bairro Vila Nova, em Novo Hamburgo, é assim. A empreendedora aposta na vitrine, vendas on-line e de forma física e, claro, preços promocionais. “Temos peças lindas e selecionadas com 50% de desconto. Começamos a liquidação no dia 5 de janeiro e vamos seguir com ela até fevereiro. Fazemos todo ano, é importante para renovar o estoque do ano que começou e para satisfazer os clientes que saem muito felizes com suas compras”, conta. Entre os itens queridinhos da estação estão os vestidos. “E além dos preços especiais, temos facilidades de pagamento”, completa.

Em São Leopoldo, comerciantes também apostam nas vendas de verão, que devem ser intensificadas em fevereiro, conforme o presidente do Sindilojas do Município, Walter Walter Seewald. “As liquidações estão iniciando de forma um pouco tímida. Mas o pessoal começa já começa a se movimentar e preparar as liquidações de estoques de verão. As vendas devem se intensificar no final de janeiro e início de fevereiro”, diz.

Para pôr na mesa

No setor de supermercados, o período também é usado para ajustar estoques após as vendas concentradas de dezembro. A redução de preços em produtos sazonais busca evitar perdas e, ao mesmo tempo, atrair consumidores em um mês de orçamento mais apertado, marcado por despesas como impostos e material escolar.

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Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Lindonor Peruzzo Junior, boa parte dos produtos típicos das festas segue com venda continuada ao longo do ano, o que reduz a necessidade de grandes queimas de estoque. “Itens como lentilhas, espumantes, bebidas e caixas de bombons continuam sendo procurados depois das festas. Além disso, as compras são feitas a partir de uma demanda prevista, com pouca margem para erro, já que o supermercado conhece o perfil do seu cliente e funciona como um termômetro ativo da economia”, explica.

Ainda assim, o início do ano pode trazer promoções pontuais, especialmente em produtos mais sensíveis ao tempo de consumo. “Podem ocorrer ofertas em itens mais sazonais ou com prazo de validade mais curto, como carnes. Mas o setor trabalha para atender o cliente com promoções ao longo de todo o ano”, afirma Peruzzo Junior.

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Em relação ao comportamento do consumidor, a AGAS avalia que as festas recentes foram marcadas por um equilíbrio entre celebração e cautela. “Os itens típicos seguem recorrentes, como espumantes, lentilhas e panetones. O que percebemos foi uma grande vontade de comemorar, mas com atenção às oportunidades e aos preços”, destaca. Outro movimento observado foi o aumento na procura por bebidas zero álcool, especialmente cervejas e espumantes.

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Compras em liquidação exigem atenção

Especialistas alertam que, apesar dos descontos, o consumidor deve redobrar a atenção durante o período. O professor de Direito do Consumidor do curso de Direito da Feevale, Marlo Thurmann Gonçalves, destaca que o primeiro cuidado é comparar preços antes da compra. “Muitas vezes, as chamadas liquidações não representam uma redução real. Há casos em que o valor é reajustado e, depois, apresentado com desconto. Por isso, a comparação é fundamental”, orienta.

Outro ponto de atenção é a compra por impulso, especialmente no ambiente digital. Segundo o professor, esse comportamento pode comprometer o orçamento em um período já marcado por despesas extras. “Janeiro é um mês de muitos gastos, com férias, IPVA, IPTU e outras obrigações. A compra por impulso, principalmente pela internet, pode acabar comprometendo a renda”, alerta.

Nesse tipo de aquisição, Gonçalves lembra que o consumidor conta com o direito de arrependimento. “Nas compras feitas à distância, o Código de Defesa do Consumidor garante o prazo de sete dias para devolução do produto, sem necessidade de justificativa e sem custo. Basta o arrependimento, e o fornecedor é obrigado a devolver o valor pago”, explica.

O professor também reforça que a publicidade integra o contrato de compra e venda, tanto nas compras online quanto nas realizadas em lojas físicas. “Tudo o que está anunciado deve corresponder ao produto entregue. Caso isso não ocorra, o consumidor pode pedir a rescisão do contrato, abatimento no preço ou até indenização”, afirma.

Para evitar problemas, a orientação é guardar provas da oferta. “Em compras pela internet, é importante salvar ou printar a promoção. Em lojas físicas, vale guardar o material publicitário ou fotografar a propaganda. Essas informações integram o contrato e garantem uma situação favorável ao consumidor em eventual reclamação”, conclui.

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