Empresários e gestores públicos podem contar com uma plataforma que reúne dados referentes às unidades produtivas, como empresas e estabelecimentos, trabalho, receitas e despesas. O Observatório do Comércio foi lançado oficialmente nesta quinta-feira (4), durante a coletiva de fim de ano da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado (Fecomércio-RS), que ocorreu na sede da entidade, em Porto Alegre.
O balanço anual da federação foi conduzido pelo presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFE, Luiz Carlos Bohn, diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino e o consultor econômico da entidade, Marcelo Portugal.

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial
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Os indicadores do observatório são calculados pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS). “Essa costura permite que o usuário consiga segmentar os dados de fontes distintas simultaneamente, facilitando a realização de análises setoriais e regionais das informações. É mais do que reunir dados, é construir indicadores próprios para contribuir com empresários e gestores públicos”, explica o diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino.
Para o presidente Luiz Carlos Bohn, a ferramenta representa um salto qualitativo na forma de compreender o setor Ele destacou ainda que o comércio de bens, serviços e turismo é o maior segmento da economia do RS.
“É por esse motivo que precisa de instrumentos para ajudar empresários, pesquisadores e gestores públicos a compreender e planejar com mais segurança. A qualidade das políticas públicas depende da qualidade da informação e o observatório nasce exatamente para suprir essa necessidade com rigor técnico e alinhamento às demandas reais das empresas”, ressalta.
Cenário econômico
“Um ano morno”, assim Portugal define o ano econômico de 2026. As projeções da Fecomércio-RS a nível nacional apontam para um novo ano de moderação econômica. Com a expectativa de inflação a 3,9%, juros caindo lentamente e câmbio em torno de R$5,40, o País deve registrar crescimento contido.
A projeção de PIB brasileiro para 2026 é de 1,7%, enquanto o gaúcho deve crescer 2,7%, impulsionado pela recuperação gradual após eventos climáticos e pela relevância da agropecuária, ainda cercada de incertezas climáticas e divergências entre as estimativas de safra.
Portugal alerta que o ano eleitoral pode alterar esse cenário. “Nosso modelo assume a estabilidade da política econômica. Eleições acirradas tendem a aumentar o risco de medidas populistas, especialmente no campo fiscal. Uma expansão fiscal mais forte pode antecipar tensões que hoje projetamos para 2027. Também foi mencionada a provável mudança no Ministério da Fazenda prevista para abril de 2026, cujo impacto ainda é incerto”, diz.
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Situação do Rio Grande do Sul
Para o Rio Grande do Sul, 2026 deve ser decisivo para a renegociação da dívida com a União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), segundo o balanço da Fecomércio-RS. O Decreto nº 12.650 estabelece prazo até 31 de dezembro de 2026 para que Estados formalizem acordos.
“A União tem aceitado propostas que podem gerar distorções. É preciso estar atento para que o Rio Grande do Sul não seja prejudicado. A negociação de Minas Gerais será um teste importante para entendermos o padrão que será aplicado”, explica Marcelo Portugal.
Em consonância com o consultor econômico, Bohn destaca a relevância da oportunidade para as contas do Estado. “O Rio Grande do Sul terá oportunidade única em 2026 com a renegociação via Propag. Se bem conduzida, ela pode aliviar o peso da dívida e abrir espaço para investimentos. Mas é essencial atenção aos critérios e precedentes que serão adotados.”