A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã afeta o comércio internacional e, por e consequência, a economia brasileira. No Rio Grande do Sul, entidades e empresários acompanham a escalada da tensão que afeta também outras cidades do Oriente Médio.
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Foto: Ministério da Agricultura
Segundo a Fiergs, o cenário é especialmente sensível para o Estado porque uma parte relevante de suas exportações tem como destino o Oriente Médio. Além disso, uma parcela das importações de insumos do RS, sobretudo ligados a fertilizantes, está exposta à instabilidade no Golfo Pérsico e no entorno do Estreito de Ormuz.
“O principal item dessa pauta é abate de aves e preocupa porque um terço das exportações desses produtos têm como destino essa região. Do ponto de vista das importações, a vulnerabilidade concentra-se sobretudo na aquisição de insumos químicos e de produtos ligados à cadeia de fertilizantes. Há segmentos específicos em que a exposição é significativa e pode gerar impactos relevantes sobre custos, abastecimento e prazos de entrega”, avalia o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.
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As exportações
De acordo com a Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs, em 2025, o Rio Grande do Sul exportou um total de US$ 1,3 bilhão em mercadorias para o Oriente Médio, valor que correspondeu a 6,0% do total exportado pelo Estado naquele ano. Durante este período, o principal parceiro comercial foram os Emirados Árabes Unidos (US$ 471,5 milhões | 36,4% das exportações para o Oriente Médio), seguido da Arábia Saudita (US$ 258,0 milhões | 19,9%), do Irã (US$ 163,9 milhões | 12,7%) e do Iraque (US$ 94,2 milhões | 7,3%).
A Fiergs destaca também, por meio da Unidade de Estudos Econômicos, que a guerra no Oriente Médio, traz riscos de interrupções logísticas, encarecimento dos fretes, elevação dos prêmios de seguro, volatilidade nos preços da energia e maior imprevisibilidade nos fluxos de mercadorias.
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Impactos na cadeia do calçado
A cadeia de componentes também acompanha os possíveis impactos no setor que tem forte atuação no setor coureiro-calçadista da região. Conforme o gestor de Mercado Internacional da entidade, Luiz Ribas Júnior, a consequência está na cadeia global de suprimentos.
“A instabilidade no Oriente Médio atinge frontalmente a estrutura de custos da indústria calçadista, especialmente no que tange à volatilidade do petróleo Brent e ao risco logístico no Estreito de Ormuz. Esses fatores já sinalizam reajustes severos na nafta e no etileno, projetando um impacto direto no custo de polímeros essenciais como o polietileno, polipropileno e PVC, assim como solventes, produtos auxiliares, comprometendo também a previsibilidade do câmbio e dos fretes marítimos”, explica Ribas.
Ele destaca que a entidade defende a transparência e a cooperação mútua. “Não podemos ignorar que a alta dos insumos importados exigirá do setor uma revisão profunda e estratégica dos planejamentos de produção e de compras”, afirma.