O mercado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), é visto como uma alternativa aos entraves causados pelo tarifaço dos Estados Unidos. Durante o Prato Principal da ACI, que ocorreu ontem (11), Fernando Xavier, head of business da América Latina da Decisive Zone, com matriz em Dubai, falou sobre o funcionamento da economia do País e o potencial do produto brasileiro, em especial o gaúcho.
Entre os segmentos que se destacam no mercado dos EAU estão o calçadista, comércio e o setor de logística.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial
“É uma palestra conectada com nosso trabalho de superar os desafios como o tarifaço. Uma forma de entender as novas oportunidades para ajudar a nossa região a crescer”, diz o presidente da ACI, Robinson Klein.
Em entrevista ao ABC, Xavier destacou as oportunidades de Dubai que tem 50 zonas francas e potencial de público de mais de 2 bilhões de consumidores.
“Os Estados Árabes Unidos, através de acordos comerciais, têm potencial de público de mais de 2 bilhões de consumidores, principalmente com a Índia. Além de outros acordos comerciais já vigentes e outros em andamento, inclusive com o Mercosul. E Dubai hoje é o novo eixo de negócios para o mundo inteiro. É uma oportunidade muito grande, Dubai é um polo de redistribuição e reexportação onde tarifas comerciais são muito próximas ou iguais a zero.”
LEIA MAIS: Rota Romântica apresenta roteiro com foco no turismo religioso e histórico pela região
Na avaliação do profissional, os empresários da região têm a possibilidade de oportunidade de exportar bens e produtos com tarifa justa e ampliar seus negócios.
“Dubai é um Pais em expansão, todas as oportunidades são possíveis. Embora setores de comércio e logística estejam muito em alta, essencialmente em exportação e reexportação, através de zonas francas, existem outros berços capazes de receber os envios brasileiros. O mercado do calçado alcançou 1,26 bilhão de dólares em 2024 e há estimativa de atingir 2 bilhões de dólares até 2033. A indústria calçadista tem todas as condições para estar presente e disputar espaço com a China, especialmente em relação a preço e qualidade”, explica Fernando Xavier.
Qual primeiro passo para ingressar neste mercado?
O especialista no mercado EAU traz uma dica valiosa para quem deseja entrar neste mercado. “Planejamento. Faça o planejamento do seu negócio, o planejamento estratégico e o financeiro”, conta o head of business da América Latina da empresa que já levou mais de 12 mil empresas, do mundo inteiro, para Dubai.
Missão Dubai
A ACI e a Gramado Premium estão organizando uma missão empresarial a Dubai. A missão está prevista para abril de 2026. Os integrantes irão visitar câmaras de comércio, zonas francas e grandes distribuidores.
Qual o potencial para o setor calçadista?
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), por meio do Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações do setor mantido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgou nesta semana o Panorama do Calçado – Emirados Árabes.
No material, disponível gratuitamente para download neste link, são detalhadas informações e oportunidades no mercado para calçados daquela confederação. Priscila Linck, coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, explica que o objetivo da publicação é abastecer as empresas com informações relevantes deste que é um dos mercados-alvo do programa Brazilian Footwear, mantido em parceria com a ApexBrasil.
A Abicalçados lembra que os Emirados Árabes Unidos é um dos maiores PIB per capita do mundo, em poder de paridade de compra (US$ 84,4 mil), sendo um grande consumidor de calçados e dependente das importações, com baixa tarifa de importação. Atualmente, além de importar, a confederação funciona como um hub de reexportação para outros países da região.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
Com um market share de apenas 1,3% das importações totais de calçados dos EAU, o Brasil tem grande potencial de crescimento.
“No período pós-pandemia, os países europeus, em especial a Itália, ampliaram sua participação no mercado árabe, ainda assim, a Ásia detém cerca de 70% das importações do país. Os EAU possuem uma pauta de importações diversificada, com potencial de ampliação em todos os segmentos produtivos e materiais predominantes, principalmente nos quais o Brasil possui concentração de suas exportações inferior à média do mercado”, ressalta Priscila.