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TRABALHO E RENDA

"Quem paga essa conta?": Entidades da região divulgam manifesto contrário ao fim da escala 6x1; entenda

Veja também posicionamento divulgado pela Fiergs nesta quarta-feira (25)

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 25/02/2026 às 12h:07 Última atualização: 25/02/2026 às 12h:08
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A possibilidade de alteração na escala de trabalho dos brasileiros, a partir da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim do regime 6×1, segue rendendo forte debate. Onze entidades empresariais do Vale do Sinos divulgaram nesta semana um manifesto com posicionamento contrário ao fim da escala que conta com seis dias trabalhados e um dia de folga. 

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PEC propõe o fim da escala 6x1 no Brasil | abc+



PEC propõe o fim da escala 6×1 no Brasil

Foto: Paulo Pires/GES

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“O debate sobre o fim da escala 6×1 precisa ser tratado com responsabilidade e visão econômica — sem simplificações. O Brasil não enfrenta um problema de excesso de trabalho. O Brasil enfrenta um problema de baixa produtividade, falta de mão-de-obra qualificada, alto custo estrutural e perda de competitividade internacional”, inicia o texto.

O documento traz o lado dos empresários. “A questão central é: quem paga essa conta? Não é o Estado. Não se trata de ‘torcida’ a favor ou contra, mas sim abordar de o assunto com responsabilidade. É a empresa que investe com juros altos, paga tributos elevados, enfrenta burocracia, assume risco diariamente e mantém empregos mesmo em ciclos negativos.

Assinam o manifesto as seguintes entidades:

– Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Industriais e Agrícolas de Novo Hamburgo e Região (SinmaqSinos)

– Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo (Sindimetal RS)

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– Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV)

– Sindicato das Indústrias de Artefatos e de Curtimento de Couros e Peles de Novo Hamburgo (Sindartcouro NH)

Sindicato das Indústrias do Vestuário e do Calçado de São Leopoldo (Sindivest SL)

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– Sindicato das Indústrias da Alimentação do Estado do Rio Grande do Sul (Siab RS)

– Sindicato das Empresas do Complexo Industrial da Saúde no Estado do Rio Grande do Sul (Sindicis)

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– Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha no Estado do Rio Grande do Sul (Sinborsul)

– Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq)

– Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Novo Hamburgo (Sinduscon Novo Hamburgo)

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– Sindicato das Indústrias de Calçados de Novo Hamburgo (SICNH)

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Veja o documento na íntegra:

“O debate sobre o fim da escala 6×1 precisa ser tratado com responsabilidade e visão econômica — sem simplificações. O Brasil não enfrenta um problema de excesso de trabalho. O Brasil enfrenta um problema de baixa produtividade, falta de mão de obra qualificada, alto custo estrutural e perda de competitividade internacional.

Reduzir a jornada por imposição geral e uniforme sem enfrentar o custo Brasil, sem redução proporcional de salário e sem reduzir a insegurança jurídica, a complexidade tributária, o peso sobre a folha de pagamento, a baixa qualificação média dos profissionais e a infraestrutura deficiente não representa avanço social — representa aumento de custo.

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A questão central é: quem paga essa conta? Não é o Estado. Não se trata de “torcida” a favor ou contra, mas sim abordar de o assunto com responsabilidade. É a empresa que investe com juros altos, paga tributos elevados, enfrenta burocracia, assume risco diariamente e mantém empregos mesmo em ciclos negativos.

Em um cenário de produtividade industrial abaixo dos concorrentes globais, informalidade crescente, margens comprimidas e pressão sobre preços, impor redução estrutural de jornada sem compensação produtiva significa aumento do custo por hora trabalhada, redução da competitividade, deslocamento de investimentos e risco ao próprio emprego que se pretende proteger.

Antes de discutir menos dias trabalhados, o Brasil precisa discutir como produzir mais por hora, como reduzir o custo sobre o emprego, simplificar regras, dar previsibilidade a quem investe e como melhorar a qualificação técnica.

O verdadeiro compromisso social é gerar crescimento sustentável — e crescimento sustentável nasce da competitividade.”

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Pode afetar a capacidade industrial, diz Fiergs

Segundo o Sistema Fiergs as medidas ampliam custos em um momento já delicado para o setor produtivo. O presidente da entidade gaúcha, Claudio Bier, esteve em Brasília debatendo o tema junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta semana.

“A situação é bastante delicada. Os industriais precisam lidar com juros elevados e um cenário externo adverso. Com o aumento do custo da mão de obra, haverá impacto na geração de renda, nas decisões de contratação e nos investimentos. Ao reduzir compulsoriamente a jornada sem ocorrer redução proporcional dos salários, há um aumento automático do custo do trabalho para as empresas, já que a mesma remuneração passa a ser distribuída por um número menor de horas, e também um aumento no valor dos produtos fabricados, que refletirá em toda a sociedade”, afirma.

Bier diz, ainda, que a legislação brasileira já permite a compensação de horários e a redução da jornada por meio de acordos e convenções coletivas. 

No Rio Grande do Sul, conforme levantamento da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema Fiergs, cerca de 67% dos trabalhadores formais têm jornada contratual entre 41 e 44 horas semanais. Na indústria, esse percentual é ainda maior: 91,7% dos empregados formais cumprem carga horária nesse intervalo. Já na Indústria de Transformação, segmento intensivo em mão de obra, 92,3% dos trabalhadores atuam com jornadas entre 41 e 44 horas por semana, conforme dados do Sistema Fiergs.

 

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