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TECNOLOGIA E NEGÓCIOS

Rio Grande do Sul é destaque na cadeia de semicondutores da América Latina; veja relação com as universidades

Indústria de semicondutores esteve em debate durante simpósio no Tecnopuc, em Porto Alegre; veja detalhes

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 23/06/2026 às 12h:13 Última atualização: 23/06/2026 às 12h:17
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O Rio Grande do Sul desponta como um dos principais polos de desenvolvimento da indústria de semicondutores na América Latina. Prova disso é que o Simpósio de Semicondutores da América Latina e do Caribe – SemiCon-LAC teve como sede este ano a cidade de Porto Alegre. O debate sobre as pesquisas e tecnologias do segmento ocorreu entre os dias 17 e 19 de junho, no Tecnopuc – Parque Científico e Tecnológico da PUCRS.

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Seminário sobre a indústria de semicondutores ocorreu no Tecnopuc | abc+



Seminário sobre a indústria de semicondutores ocorreu no Tecnopuc

Foto: Maurício Porton

Adão Villaverde, chair do SemiCon-LAC 2026, lembra que o Estado concentra uma parcela significativa das empresas brasileiras do setor e reúne competências consolidadas em etapas fundamentais da cadeia produtiva. Entre elas, destacam-se o design de circuitos integrados e o encapsulamento, fases responsáveis pela concepção dos chips e pela preparação dos componentes para aplicação industrial.

O avanço da indústria de semicondutores no Rio Grande do Sul não representa apenas uma oportunidade econômica. Para universidades, centros de pesquisa e programas de pós-graduação, o crescimento do setor abre caminho para uma nova fase de produção científica, inovação tecnológica e formação de talentos especializados.

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De acordo com Simone Stülp, decana associada da Escola Politécnica da PUCRS e uma das articuladoras do ecossistema gaúcho de semicondutores, a trajetória do setor é resultado de um esforço contínuo que atravessa diferentes gerações.

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“O ecossistema de semicondutores do Rio Grande do Sul vem sendo construído há décadas, a partir da formação de pessoas altamente qualificadas e da criação de condições para que empresas de tecnologia se estabeleçam e cresçam no Estado”, destaca.

A partir dessa base de conhecimento, o Rio Grande do Sul passou a atrair empresas nacionais e internacionais especializadas em design de chips, encapsulamento e microeletrônica. O fortalecimento do setor também foi impulsionado pela presença do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), pela instalação de operações como HT Micron, EnSilica e Impinj, além da atuação de centros de pesquisa vinculados a universidades e parques tecnológicos.

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Formação de talentos

Segundo os especialistas, a construção de um ecossistema robusto de semicondutores depende diretamente da capacidade das universidades de formar profissionais, produzir conhecimento e transformar pesquisa em inovação aplicada. 

Para a professora Fernanda Kastensmidt, da UFRGS, a formação de talentos precisa começar antes mesmo da entrada dos estudantes na universidade. “Precisamos despertar o interesse dos jovens desde cedo e criar trajetórias de formação que permitam aos estudantes atuar em pesquisa, desenvolvimento e empreendedorismo dentro da indústria de semicondutores”, ressalta.

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A necessidade de fortalecer a formação especializada também foi destacada pelo professor Fernando Moraes, da Escola Politécnica da PUCRS. Em sua avaliação, cursos de curta duração cumprem um papel importante para introduzir estudantes às ferramentas utilizadas pela indústria, mas não resolvem desafios estruturais da formação.

“O verdadeiro gargalo está na falta de programas sólidos de Engenharia de Computação e Engenharia Elétrica orientados ao desenvolvimento completo de circuitos integrados”, explica.

Ainda de acordo com Moraes, a formação necessária para o setor vai além do domínio de ferramentas de projeto e envolve conhecimentos profundos em microeletrônica, sistemas digitais, eletrônica analógica, arquitetura de computadores e desenvolvimento de sistemas complexos. Outro desafio apontado pelo pesquisador é a dificuldade de dedicação integral à pesquisa em programas de pós-graduação.

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Inovação aplicada

A perspectiva da inovação aplicada foi apresentada por Celso Peter, coordenador do Instituto Tecnológico de Semicondutores (itt Chip), da Unisinos. Para ele, a dinâmica global da indústria demonstra que a disponibilidade de mão de obra qualificada é um dos principais fatores que determinam a localização de novos investimentos. “A indústria de semicondutores migra para regiões capazes de oferecer talentos especializados e ambientes favoráveis à inovação”, avalia.

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Peter também chama a atenção para as oportunidades que surgem em áreas de fronteira tecnológica, como encapsulamento avançado, eletrônica de potência, fotônica e computação quântica, segmentos que podem ampliar a participação da pesquisa brasileira na cadeia global de valor.

As transformações provocadas pelo avanço tecnológico e pela Inteligência Artificial também foram tema das discussões do evento. Para Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc, as universidades vivem um processo permanente de adaptação para responder às mudanças da sociedade e do mercado.

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“O papel da universidade é formar profissionais, mas, sobretudo, formar cidadãos preparados para atuar em um mundo em constante transformação”, alerta.

*Com informações SemiCon-LAC

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