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ECONOMIA

TARIFAÇO: Como empresa de calçados vai enfrentar taxas dos EUA e aumentar apenas 2% o custo ao consumidor

Modelo de negócio de marca de luxo "absorverá parte" dos custos da tarifa e "repassará outra parte" ao cliente final

Michel Pozzebon
Publicado em: 06/08/2025 às 18h:03
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O tarifaço dos Estados Unidos anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump em meados do mês passado entrou em vigor nesta quarta-feira (6) e, enquanto algumas empresas ainda buscam alternativas, outros já sabem como enfrentar a imposição das taxas. Este é o caso da Larroudé, marca de calçados de luxo que produz em Sapiranga, no Vale do Sinos, e já calçou celebridades como Taylor Swift e Blue Ivy Carter (filha de Beyoncé).

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Fábrica da Larroudé em Sapiranga | abc+



Fábrica da Larroudé em Sapiranga

Foto: Divulgação

A empresa, criada em 2020 por brasileiros nos Estados Unidos, utiliza seu modelo de negócio como estratégia para superar a tarifa de 50% aos produtos importados do Brasil, que entra em vigor nesta quarta-feira (6), no país norte-americano.

Em entrevista ao Jornal Exclusivo, o CEO da Larroudé, Ricardo Larroudé, destaca que, pela empresa ter uma operação verticalizada – modelo de negócio em que controla todas as etapas de sua cadeia produtiva, desde a matéria-prima até a distribuição do produto final –, “absorverá parte” dos custos da tarifa e “repassará outra parte” ao cliente final.

“Por sermos verticalizados [fábrica e marca], estamos mais preparados para lidar com isso do que os representantes de exportação, que geralmente trabalham com um custo-alvo [gestão de custos que define um custo máximo para um produto ou serviço com base no preço de venda e na margem de lucro desejada]”, observa Ricardo.

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Em relação às perspectivas a partir da tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros nos Estados Unidos, o CEO da Larroudé reitera que o caminho está justamente na verticalização da operação das empresas. “Acredito que o ambiente tarifário hoje é uma realidade a ser lidada. Os vencedores serão os mais verticalizados, ágeis e alinhados com a consumidora final”, salienta o executivo.

O preço médio do calçado da Larroudé é US$ 300. Com a taxação nos Estados Unidos, a marca absorverá um custo adicional de US$ 10, enquanto o cliente final pagará US$ 5 a mais. Ou seja, os produtos da grife sofrerão um aumento da ordem de 2%.

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Apesar do tarifaço, a Larroudé segue o “curso de crescimento” nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Ricardo destaca que o Brasil, mercado que responde por 10% dos negócios da marca, será um “ponto de foco”. “O nosso negócio no mercado brasileiro tem crescido muito e vamos investir mais para vender para clientes brasileiras também. O Brasil está crescendo muito mais rápido do que esperávamos, então vale a pena investir aqui também”, revela.

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Ricardo é um “ferrenho defensor” pelo fortalecimento do Vale do Sinos como produtor mundial de calçados. Agora, com o cenário da tarifa de 50% nos Estados Unidos, o empresário reforça que a região [Vale do Sinos] deve se reestruturar para atender o mercado internacional. “Acho importante o Vale [Vale do Sinos] pensar sobre estrutura e se conectar com o cliente final e trazer marcas para operarem direto na região”, comenta.

A Larroudé foi criada em 2020, em Nova York, nos Estados Unidos, pelo casal de brasileiros Marina e Ricardo Larroudé. No fim do ano passado, começou a operar seu e-commerce no Brasil – anteriormente, o site atendia somente o mercado externo, especialmente os Estados Unidos. A marca tem duas fábricas próprias em Sapiranga/RS e conta com escritórios em Nova York [Estados Unidos] e em São Paulo/SP.

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