O governo dos Estados Unidos segue aumentando a taxação de produtos chineses que entram no país. Na última terça (15), a Casa Branca divulgou um documento afirmando que a China enfrentará 245% de tarifas sobre os produtos que entram nos EUA. Segundo Donald Trump, o incremento na taxação ocorre por conta das ações retaliatórias do governo chinês.
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Ainda não foram divulgados detalhes do cálculo utilizado para a nova tarifa e nem quando ela começará a ter validade. A taxa fica bem acima dos 145% (125% mais os 20% já existentes) anunciado recentemente.

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Com a China sendo uma grande potência mundial e tendo diversos setores que atuam no mercado norte-americano, fica a pergunta: quem paga esta conta, as empresas ou o consumidor final?
Segundo Marcio Baptista, acionista corporativo da Buchanan Ingersoll & Rooney PC no escritório de Nova York (EUA), a guerra comercial atinge tanto a cadeira produtiva quanto os cidadãos comuns. “A imposição de tarifas adicionais sobre insumos, componentes e produtos acabados importados aumentou os custos operacionais de diversos setores, como tecnologia, manufatura, construção e agronegócio, pressionando margens de lucro e, muitas vezes, resultando em repasse de preços ao consumidor final “, explica Baptista, que tem mais de 30 anos de experiência em transações transfronteiriças, fusões e aquisições, operações de private equity, contratos transnacionais e joint ventures.
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Cenário de incerteza
O especialista lembra que a guerra comercial criou um cenário de incerteza e tensão também dentro dos EUA. “As empresas norte-americanas estão sofrendo forte pressão sobre as cadeias de suprimento, que dependem de fornecedores estrangeiros, especialmente da Ásia. Elas estão sendo forçadas a buscar alternativas em mercados menos afetados pelas tarifas, o que exige tempo, investimento e reestruturação logística. No varejo e e-commerce, o impacto é imediato, especialmente para pequenas e médias empresas que dependem de produtos chineses para manter seus estoques e margens de lucro”, avalia.
Baptista destaca que o comércio entre os dois países se torna inviável a partir do tarifaço. “A alta tarifa sobre produtos chineses, torna o comércio entre os dois países inviável pois encarece diretamente os bens importados em uma magnitude que não tem paralelo. Isso pode gerar inflação (que pode levar ao aumento dos juros), à necessidade de empresas norte-americanas que dependem de componentes ou produtos acabados da China buscarem fornecedores alternativos em outros países, redesenhar cadeias produtivas e lidar com os riscos de desabastecimento. Sem falar que as empresas norte-americanas, que passam a operar com custos mais elevados em comparação com concorrentes internacionais, perdem competitividade no mercado internacional”, ressalta.